Na tarde desta quinta-feira (16), o auditório da ISE Business School recebeu a nova edição do NM Fundadores SP: A Origem de um Legado, projeto do Nosso Meio, com apoio da entidade, que propõe um olhar sobre o instante em que empresas deixam de ser ideia e passam a ocupar espaço no mundo, a partir das decisões, riscos e convicções que marcam esse início. Gustavo Dubeux, cofundador e presidente do conselho de administração da Moura Dubeux, abriu o ciclo de palestras com uma apresentação sobre a trajetória de uma das maiores incorporadoras do Nordeste.
Abrindo sua fala, o executivo apresentou suas origens, a relação com a família e sua ligação com o Sport Club do Recife, onde chegou a ocupar a presidência. A partir desse ponto, conduziu o público por uma narrativa que começou ainda nos primeiros passos da empresa, fundada ao lado do irmão, Aluísio. Na fase inicial, a atuação era voltada para serviços simples de engenharia, como limpeza de galerias, construção de praças e recuperação de estruturas urbanas atividades que garantiam fluxo de caixa, mas ainda distante do modelo que viria a definir o negócio.
Nesse período, a busca por estabilidade financeira levou Gustavo a diversificar suas iniciativas. A criação de um salão de beleza e, posteriormente, de um posto de gasolina, que se destacou por ser o único em funcionamento aos fins de semana em Recife, foram movimentos estratégicos para gerar receita recorrente. Foi justamente esse posto que ajudou a viabilizar o primeiro grande empreendimento da empresa: o Morada de Apipucos.
O ponto de virada veio quando amigos confiaram aos irmãos a construção de um edifício residencial na orla de Boa Viagem. A partir dessa experiência, surgiu um modelo de negócios que se tornaria fundamental para a expansão da Moura Dubeux: o cliente financiava a obra, enquanto a empresa ficava com as frações ideais do terreno. Esse formato permitiu ganho de escala e posicionou a companhia no segmento de alto padrão, especialmente em uma das regiões mais valorizadas do Recife.
“Quando começamos, não tínhamos todas as respostas, mas tínhamos clareza de onde queríamos chegar. Crescer nunca foi sobre velocidade, e sim sobre consistência e disciplina ao longo do tempo”, destacou.
Ao longo dos anos, a empresa consolidou sua presença na Avenida Boa Viagem, com 47 empreendimentos entregues, contribuindo diretamente para a valorização do metro quadrado mais caro da cidade. No entanto, a trajetória não se deu sem desafios, já que nos anos 1990, a entrada no setor de distribuição, com a aquisição de uma distribuidora da Brahma, trouxe um aprendizado relevante. Com a redução das margens e o posterior rompimento com a marca, ficou clara a necessidade de evitar dependência de um único fornecedor.
Esse movimento levou à expansão da Moura Dubeux para outros estados do Nordeste, ampliando sua atuação e diluindo riscos. Ainda assim, o cenário econômico trouxe novos testes. A crise global de 2008, marcada pela quebra do Lehman Brothers, e, posteriormente, a crise dos distratos em 2016, durante o governo Dilma Rousseff, impactaram de forma significativa o setor imobiliário e as operações da empresa.

Diante desse contexto, surgiu a decisão de abrir capital. O IPO representou não apenas uma alternativa de financiamento, mas também um novo estágio de maturidade para a companhia. A partir daí, os números passaram a refletir essa transformação: presença em sete capitais do Nordeste, mais de 30 mil unidades entregues, cerca de 25% de market share e mais de 90 projetos lançados após a abertura de capital.
“Empreender é conviver com incerteza todos os dias. Quem constrói empresas duradouras é quem aprende a se adaptar rápido, sem perder a essência e a visão de futuro”, ressaltou.
Os resultados financeiros recentes reforçam esse momento, com R$ 4,6 bilhões em VGV líquido, R$ 3,5 bilhões em vendas líquidas, margem bruta de 36% e distribuição de R$ 352 milhões em distribuição de dividendos em 2025. Para sustentar esse crescimento, Gustavo destacou a estrutura de governança da companhia, composta por um Conselho de Administração com seis membros, Conselho Fiscal com três integrantes e comitês consultivos voltados para auditoria, riscos, ética e pessoas, além de instrumentos como programa de integridade e canais de transparência.
“As pessoas são, de fato, o maior ativo da empresa. Estratégia se ajusta, mercado oscila, mas é gente preparada e engajada que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a estrutura da MDNE, controladora que organiza as diferentes frentes de atuação do grupo: a Moura Dubeux, no segmento de alto padrão; a Mood, voltada para a classe média; e a Ún1ca, direcionada ao público de baixa renda, com atuação no programa Minha Casa, Minha Vida.
Encerrando sua participação, Gustavo Dubeux reforçou a consistência do propósito da empresa ao longo do tempo, independentemente da evolução dos números. “Ao longo dos anos, nossos números mudaram, mas o conceito e o DNA da Moura Dubeux permanecem iguais: construir empreendimentos como se fôssemos viver neles. E é assim que vamos seguir trabalhando para sermos líderes regionais e uma referência nacional”, afirmou.
O NM Fundadores SP: A Origem de um Legado tem o patrocínio do Banco do Nordeste Governo Federal, Fortes Tecnologia, heloo, NEOOH, Somapay Digital Bank e UOL. Onde tem patrocínio do Banco do Nordeste, tem Governo do Brasil.



