A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa para se tornar uma aliada em diferentes setores, do marketing à indústria. Mas, ao mesmo tempo em que amplia eficiência e personalização, também levanta desafios importantes relacionados a direitos autorais, ética e governança.
Esse foi o ponto central da palestra “Real World Impact: AI Opportunities, Risks and IP”, apresentada no SXSW 2026, por Michelle Lee, Fundadora e CEO da Obsidian Strategies.
Logo na abertura, a palestrante demonstrou o avanço da IA generativa com um exemplo de vídeo hiper-realista criado a partir de um modelo de linguagem. Segundo ela, a tecnologia já permite que pequenas equipes produzam conteúdos audiovisuais com alta qualidade e baixo custo.
“Com os avanços da IA generativa, pequenas equipes agora conseguem produzir vídeos de qualidade notável, de forma mais rápida e barata do que nunca”, comenta.
Esse avanço tem impacto direto no marketing. A possibilidade de criar milhares de variações de uma mesma campanha, adaptadas a perfis específicos, já é realidade.
“As marcas podem literalmente criar milhares de variações de uma única campanha, personalizando para usuários, preferências, localização e interesses”, diz.
A palestra destacou exemplos concretos de aplicação em diferentes indústrias:
- – No varejo, sistemas preditivos antecipam demandas e otimizam logística
- – Na indústria, visão computacional automatiza controle de qualidade
- – No setor financeiro, algoritmos aumentam a precisão de previsões
- – No e-commerce, experiências hiperpersonalizadas ampliam conversão
O impacto mais relevante, segundo a especialista, está na experiência do consumidor e na eficiência operacional.
“Praticamente toda indústria, todo negócio e toda função têm oportunidades com IA”, destaca.
Os riscos: de deepfakes a vieses
Apesar do potencial, a executiva alertou para riscos relevantes, especialmente com o uso indiscriminado da tecnologia. Entre os principais pontos estão:
- – Alucinações da IA (respostas incorretas com alta confiança)
- – Desinformação e deepfakes
- – Vieses nos modelos
- – Uso indevido de dados e propriedade intelectual
Ela destacou que conteúdos manipulados já causaram prejuízos reais.
“Qualquer pessoa pode criar um deepfake convincente com poucos cliques, potencialmente espalhando informações incorretas ou prejudiciais”, alerta.
Outro ponto crítico é o viés algorítmico, que pode reproduzir desigualdades existentes nos dados.
Propriedade intelectual ainda é território incerto
A questão legal também está em aberto. Um dos principais debates gira em torno da autoria de conteúdos gerados por IA. Segundo a palestrante, produções feitas exclusivamente por sistemas automatizados tendem a não ter proteção legal.
“Conteúdos gerados apenas por IA provavelmente não são elegíveis para copyright sem um nível suficiente de contribuição humana”, fala.
Ela reforça que quanto maior o controle criativo humano, na seleção, edição e direção, maior a chance de proteção jurídica.
Para empresas, o recado é claro: adotar IA exige planejamento, estrutura e responsabilidade.
Entre as recomendações:
- – Desenvolver uma estratégia sólida de dados
- – Integrar equipes técnicas e de negócio
- – Criar políticas de governança e uso responsável
- – Investir em educação interna sobre IA
“Dados são o principal desafio na adoção de machine learning, mais da metade do tempo é gasto organizando e preparando essas informações.”
Por fim, a especialista reforçou que o futuro da tecnologia passa pela colaboração entre humanos e máquinas, não pela substituição.“As melhores criações provavelmente virão da combinação entre humanos e máquinas. As empresas que começarem agora terão vantagem. As que demorarem podem ter dificuldade para acompanhar”, alerta Michelle.


