Artigos

A maioria das agências está vendendo GEO errado, e os dados explicam por quê

Por Redação

23/05/2026 09h00

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Por Luiza Maia, fundadora e CEO da Agência Converse

Oitenta e três por cento das buscas sobre educação no Google já exibem uma resposta gerada por inteligência artificial antes de qualquer link. Em tecnologia B2B, são 82%. A pergunta que decide a visibilidade de uma marca deixou de ser “em que posição eu apareço?” e passou a ser “a IA me cita quando alguém pergunta sobre o meu mercado?”.

Esse novo jogo tem nome: GEO. Essa é a sigla para Generative Engine Optimization, a otimização para motores generativos como ChatGPT, Perplexity, Gemini e as AI Overviews do Google. E é exatamente aqui que o mercado brasileiro está cometendo um erro que vai custar caro.

O erro que quase todo mundo está cometendo

A maioria das agências está vendendo GEO como se fosse SEO com nome novo, otimizando o site do cliente, melhorando a estrutura das páginas e ajustando palavras-chave para a era da IA. Não está errado, mas, está longe de ser o que realmente move o ponteiro.

A pesquisa de Princeton que cunhou o termo GEO aponta para um fenômeno desconfortável: os motores generativos favorecem fontes de terceiros sobre o conteúdo do próprio domínio da marca. É o chamado citation bias. Na prática, isso significa que a IA tende a confiar mais no que dizem sobre você do que no que você diz sobre si mesmo.

Ou seja, a marca pode ter o site mais bem otimizado do mundo e ainda assim não ser citada, enquanto um concorrente com presença consistente em veículos, portais e referências externas aparece nas respostas. Quem está vendendo GEO apenas como ajuste do próprio site, está entregando metade da estratégia e cobrando como se fosse inteira.

SEO te coloca na lista. GEO te coloca na resposta.

A diferença entre os dois conceitos é mais profunda do que o sufixo em comum sugere.

O SEO tradicional disputa posição: ser o primeiro entre dez links azuis e o usuário escolhe onde clicar. O GEO disputa reconhecimento: ser a fonte que a IA usa para construir a resposta única que entrega ao usuário, que muitas vezes não clica em nada.

Os dados confirmam a urgência. As AI Overviews do Google passaram de cerca de 31% para aproximadamente 48% das buscas rastreadas entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, segundo a BrightEdge. E o comportamento mudou junto, tanto que as análises da Seer Interactive e de outras fontes do setor mostram que a maioria das buscas com resumo de IA termina sem nenhum clique, o fenômeno do zero-click. A resposta é consumida ali, na tela, e quem é citado leva o crédito, quem não é, desaparece.

Isso não decreta a morte do SEO, já que mais da metade das buscas ainda não exibe resumo de IA e a base técnica continua sendo pré-requisito. O ponto é que ela deixou de ser suficiente.

O que realmente faz uma marca ser citada

Se a otimização do próprio site é apenas metade, qual é a outra? Os padrões observados na prática e na pesquisa apontam para alguns fatores que pesam mais do que o mercado admite:

  1. Presença em fontes de terceiros. Marcas são citadas com muito mais frequência quando aparecem em veículos, portais e referências externas do que apenas em seus próprios canais. Pesquisas de GEO indicam que a citação via terceiros pode ser ordens de magnitude mais eficaz do que o conteúdo de domínio próprio. Não por acaso, Reddit e YouTube estão entre as fontes mais citadas pelas AI Overviews.
  1. Autoridade temática consistente. A IA cita quem demonstra domínio profundo e recorrente de um tema, não quem fala um pouco de tudo.
  1. Conteúdo estruturado e extraível. Definições claras, dados com fonte e respostas diretas são reaproveitados pela IA com mais facilidade do que texto difuso.
  1. Coerência de entidade. A IA precisa entender, sem ambiguidade, quem é a marca, o que faz e em que é especialista, o que exige consistência entre site, redes e menções externas.
  1. Especificidade. Afirmações genéricas não são citadas. Números, casos concretos e informação verificável, sim.

Note que apenas dois desses cinco fatores dependem do site da marca, os outros três vivem fora dele. É por isso que tratar GEO como “SEO turbinado” é insuficiente.

Por que isso importa para o mercado brasileiro agora

O Brasil está num ponto de inflexão. Segundo a EMARKETER, cerca de um terço da população dos Estados Unidos já usará busca por IA generativa em 2026, e o Brasil segue a mesma curva, com atraso de meses, não de anos. Enquanto boa parte das empresas ainda mede marketing por curtidas e posições no Google, a régua se move para a visibilidade dentro das respostas de IA.

A janela de vantagem é agora, e ela é curta. Quem estruturar presença para GEO enquanto o conceito ainda é mal compreendido vai ocupar um espaço que, em um ou dois anos, estará muito mais disputado.

Na Agência Converse, agência digital de performance e martech que atende empresas de setores como saúde, educação e finanças, incluindo nomes como Sicoob e a Faculdade Santa Casa de São Paulo, tratamos GEO como uma camada estratégica que combina otimização do próprio site e construção de autoridade externa, e não como uma simples revisão de SEO. Aplicamos essa metodologia tanto na nossa própria operação quanto na de clientes que querem sair na frente. Reunimos os fundamentos em um guia completo sobre GEO e detalhamos como estruturar uma marca para ser citada pelo ChatGPT.

A conclusão é incômoda para quem está vendendo a versão fácil: GEO não é otimizar seu site para a IA, é fazer com que o mercado inteiro fale de você de um jeito que a IA confie. Porque, no ambiente generativo, ser citado é o novo ranquear, e ninguém é citado sozinho.

Sobre a autora

Luiza Maia é fundadora e CEO da Agência Converse, agência digital, de performance e martech baseada em Salvador (BA) com atuação nacional, especializada em integrar mídia paga, CRM, automação e inteligência artificial para gerar crescimento previsível.