O Nosso Meio promoveu mais duas edições do NM Fundadores, reunindo empresários e executivos de diferentes segmentos para discutir estratégias de gestão, governança, sucessão empresarial, cultura organizacional e tendências de mercado.
Neste ano, o projeto realizou encontros em Fortaleza e São Paulo. Na capital cearense, participaram Carlos Renato Donzelli, diretor-executivo da Holding Magazine Luiza; Everardo Telles, presidente do Conselho do Grupo Telles; os fundadores da Six Academias, Eilson Studart e Leandro Vaz; e o professor César Bullara. Já em São Paulo, o evento contou com Regina Dias Branco, vice-presidente de Administração, Desenvolvimento e Sustentabilidade da M. Dias Branco; Gustavo Dubeux, cofundador e presidente do conselho de administração da Moura Dubeux; Rodrigo Carvalho, co-CEO da Positive Company; Rafael Moyano, head de Family Office da Casa dos Ventos; o professor Cesar Bullara; e a jornalista Ariane Abdallah.
Governança, legado e perpetuação dos negócios

Carlos Renato Donzelli, diretor-executivo da Holding Magazine Luiza, abordou a importância da governança como elemento central para a continuidade dos negócios. “O grande objetivo quando se fala de governança é utilizar o valor, facilitar os acessos ao negócio e perpetuá-lo, mesmo que às vezes você esteja na ponta contrária ao que é melhor para todos. Essa abnegação e resiliência fazem uma diferença absurda e é isso que garante conseguir atravessar período a período. Uma empresa que se perpetua precisa ter bons executivos, alguém na família com capacidade de liderar, de aglutinar e de manter as pessoas ligadas ao propósito”.
O executivo também destacou a importância de estruturar relações e processos dentro das empresas familiares. “Se você não resolver na camada em cima, esse problema permeia para baixo e é igual cupim, com o tempo detona o que você não vê. Criar um modelo de governança que consiga separar os problemas das famílias, dos sócios e da companhia é essencial. As interferências existem, mas precisam ter limites para garantir que as decisões sejam tomadas em nome da organização”.

Em São Paulo, o professor César Bullara trouxe uma reflexão sobre cultura organizacional e sucessão em empresas familiares. Segundo ele, um dos principais desafios das organizações é transformar os valores dos fundadores em práticas institucionalizadas, capazes de atravessar gerações.
Ao abordar engajamento e liderança, o professor destacou que a construção de uma cultura forte depende de propósito, valores compartilhados e do exemplo das lideranças. “Não se compra engajamento, é impossível comprar engajamento”.
Crescimento sustentável e decisões estratégicas

Everardo Telles, presidente do Conselho do Grupo Telles, empresa familiar que completa 180 anos, trouxe reflexões sobre a trajetória de crescimento do grupo e decisões estratégicas ao longo do tempo. “A verticalização foi uma decisão importante na nossa trajetória, porque permite garantir a qualidade em todas as etapas, desde a produção no campo, passando pela industrialização, até a comercialização no Brasil todo. Esse modelo trouxe mais controle sobre o processo e sustentou o crescimento das empresas”.
O empresário também abordou aspectos relacionados à gestão de pessoas e cultura organizacional. “Na contratação, acima do conhecimento, é fundamental gostar de gente e saber se relacionar. Esse é um critério que observamos em qualquer nível, porque o bom relacionamento é o que sustenta o funcionamento da empresa no dia a dia”.

Representando a Moura Dubeux no encontro de São Paulo, Gustavo Dubeux compartilhou a trajetória da companhia e os desafios enfrentados desde os primeiros empreendimentos até a consolidação da empresa como uma das maiores incorporadoras do Nordeste. Em sua fala, ressaltou a importância da disciplina e da consistência na construção de negócios duradouros.
O executivo também destacou a necessidade de adaptação diante de cenários adversos, sem perder a identidade da organização. “Empreender é conviver com incerteza todos os dias. Quem constrói empresas duradouras é quem aprende a se adaptar rápido, sem perder a essência e a visão de futuro”.
Valores, risco e geração de valor

Rodrigo Carvalho, co-CEO da Positive Company, e Rafael Moyano, head de Family Office da Casa dos Ventos, discutiram decisões estratégicas, gestão de riscos e geração de valor. Rodrigo compartilhou aprendizados sobre crescimento empresarial e a importância de construir estruturas de governança capazes de sustentar a expansão dos negócios.
Ao refletirem sobre risco e legado, os executivos destacaram a necessidade de equilibrar ousadia e responsabilidade. “Hoje, os 50% que a gente tem valem mais do que os 100% que teríamos se não tivéssemos feito a joint venture”, afirmou Rodrigo. Já Rafael ressaltou que “gerar valor envolve tanto a preservação da riqueza construída ao longo do tempo quanto a responsabilidade de contribuir com a sociedade”.
Pessoas, cultura e transformação de comportamento

Regina Dias Branco, vice-presidente de Administração, Desenvolvimento e Sustentabilidade da M. Dias Branco, compartilhou sua trajetória dentro da companhia e relembrou a convivência com o ambiente empresarial desde a infância. Ao iniciar sua fala, a executiva resgatou memórias da infância e a relação precoce com o ambiente da empresa. Filha de uma família grande, com cinco irmãos, destacou o papel do pai na construção de um ambiente familiar próximo, mesmo diante das demandas do trabalho. Segundo ela, o contato com a empresa começou ainda na infância, quando os filhos eram levados para a fábrica como forma de aproximação com o negócio. “A gente ia para brincar de trabalhar”.
Ao falar sobre a expansão da empresa, destacou o movimento de nacionalização da M. Dias Branco e os desafios de preservar a cultura organizacional durante o crescimento. “Em 2003 adquirimos quatro empresas no sul e sudeste, saímos do nordeste, que já éramos líderes da região e passamos a ser uma empresa nacional de massas e biscoitos. Deixamos de ser só regional para ser nacional”.

Leandro Vaz e Eilson Studart, fundadores da Six Academias, destacaram a construção de um modelo de negócio centrado na longevidade e na mudança de comportamento dos alunos. “A gente não trabalha só com treino, a gente trabalha com mudança de estilo de vida. Quando você consegue fazer com que a pessoa entenda o porquê daquilo, ela permanece. E a permanência, para a gente, é o principal indicador. Não adianta trazer muita gente e perder rápido, o desafio é construir uma relação de longo prazo com o aluno”.
