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Medalha da Maratona de Fortaleza transforma Iracema em símbolo dos 300 anos da cidade

Por Redação

14/04/2026 18h00

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Assinada por Mano Alencar, peça une história e arte em homenagem ao aniversário da capital cearense

A Maratona de Fortaleza, realizada no último domingo, 12 de abril, marcou as comemorações dos 300 anos da cidade com uma medalha que vai além do reconhecimento esportivo. Desenvolvida pelo artista plástico cearense Mano Alencar, a peça foi concebida como um objeto de design que traduz elementos históricos, culturais e visuais da capital.

O ponto de partida da criação foi a personagem Iracema, figura central da obra do escritor José de Alencar e um dos maiores símbolos da identidade cearense. A referência também dialoga com a escultura de Iracema, criada por Zenon Barreto, reforçando a presença da personagem no imaginário urbano de Fortaleza.

A medalha incorpora ainda influências de uma obra do próprio Mano Alencar, que retrata elementos marcantes da cidade, como os prédios, o mar e o vento da Beira-Mar. A partir dessa combinação, o artista constrói uma narrativa visual que conecta diferentes camadas da cidade, do patrimônio literário à paisagem contemporânea.

No aspecto de design, a peça se destaca pela composição que traduz a história combinada ao contexto do evento, características associadas tanto à figura de Iracema quanto ao percurso dos corredores. Conhecida como a “virgem dos lábios de mel”, a personagem é descrita na literatura por sua agilidade e forte relação com as águas, elementos que se conectam simbolicamente ao esforço físico dos atletas ao longo da orla.

Para o artista, o projeto carrega um significado que ultrapassa o campo estético. Em declaração ao Diário do Nordeste, Mano Alencar destacou o valor simbólico da obra ao ser levada por participantes de diferentes regiões. Segundo ele, ver a medalha no peito dos corredores representa não apenas reconhecimento esportivo, mas também a circulação de um fragmento da cultura local.

Ao transformar a premiação em arte, a Maratona de Fortaleza reforça uma tendência de eventos esportivos que investem em identidade visual como forma de ampliar a experiência. No ano em que a cidade completa três séculos, a medalha deixa de ser apenas um símbolo de chegada e passa a representar também pertencimento e cultura.