Por Ana Paula Dantas, diretora de marketing da Rede Uniforça
O Dia das Mães continua sendo uma das datas mais estratégicas para o varejo brasileiro e, especialmente, para os supermercados. Não apenas pelo aumento do fluxo nas lojas, mas porque ele revela algo importante sobre o comportamento do consumidor. Revela que em momentos emocionalmente simbólicos, as pessoas priorizam experiências, encontros e demonstrações de afeto, e é justamente nesse ponto que o supermercado ocupa um papel central.
Os números comprovam: um levantamento da Cielo, feito por meio do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), apontou que as vendas do varejo nacional na semana do Dia das Mães de 2025 cresceram 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No segmento de supermercados e hipermercados, a alta foi ainda maior: 6,8%. São dados que traduzem o que nós, que fazemos o setor, observamos há anos na prática.
Hoje, se prestarmos atenção, identificamos uma transformação importante acontecendo no varejo alimentar. Cada vez mais os consumidores desejam resolver suas celebrações em um só lugar. O cliente quer encontrar no supermercado os ingredientes para o almoço, opções de presente e soluções prontas, o que exige do varejo muito mais estratégia do que simplesmente abastecer as gôndolas. Demanda leitura de comportamento, inteligência comercial e capacidade de criar uma experiência de compra eficiente em um cenário cada vez mais competitivo.
Essa busca por conveniência, inspiração e soluções completas impulsiona categorias ligadas à experiência afetiva, como itens para cafés da manhã especiais, chocolates, flores e produtos cosméticos para o autocuidado e a beleza.
Portanto, para mim, o maior diferencial competitivo dos supermercados atualmente não está só no preço, mas principalmente nessa capacidade de compreender o contexto emocional da compra. O almoço de Dia das Mães, por exemplo, continua sendo uma das maiores alavancas de vendas, pois essa tradicional refeição simboliza encontro, fortalecimento de vínculos e demonstração de carinho, um aspecto da cultura brasileira que, obviamente, não ficaria de fora do comportamento de consumo.
Logo, podemos dizer que o Dia das Mães funciona como um termômetro do próprio varejo, pois a data evidencia quais empresas conseguem entender o consumidor para além da compra racional, que é definida meramente pelos custos. No nosso ramo, vender bem neste período significa facilitar a vida de quem compra e garantir a presença de nossa marca em mais um momento de valor real para as famílias brasileiras.
