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Nordeste não é um só: o desafio do marketing entre Recife e Fortaleza 

Por Redação

28/04/2026 09h03

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Por Suellen Farias, diretora de marketing do Grupo Entre Amigos

Fazer marketing regional no Brasil exige atenção às particularidades culturais de cada lugar. No Nordeste, isso se torna ainda mais evidente. Apesar das semelhanças históricas, culturais e afetivas entre os estados, cada mercado possui sua própria dinâmica, linguagem e forma de se relacionar com as marcas.

Essa percepção ficou ainda mais clara para o Entre Amigos durante o processo de expansão para Fortaleza. Após mais de três décadas construindo uma relação sólida com o público em Recife, a chegada a outro mercado nordestino trouxe um aprendizado importante: proximidade geográfica não significa comunicação equivalente.

Recife e Fortaleza compartilham elementos relevantes, como o orgulho das raízes, a valorização da gastronomia regional e a cultura do encontro à mesa. No entanto, as diferenças aparecem na forma como essas características se traduzem no consumo.

Em Recife, é comum encontrar restaurantes que fazem parte da história das famílias e da vida social da cidade há décadas. Esse contexto favorece uma comunicação ancorada em tradição, memória afetiva e pertencimento.

Em Fortaleza, embora também exista um forte vínculo com a cultura local, a experiência inicial mostrou um ambiente altamente receptivo a novidades gastronômicas e novos conceitos. Trata-se de um público mais aberto à experimentação, o que demanda abordagens que valorizem descoberta e novidade.

Essas nuances revelam um ponto central para o marketing: mesmo dentro de uma mesma região, não existe uma única forma de se comunicar. Replicar campanhas entre praças, sem adaptação, tende a reduzir a conexão com o público.

Na prática, isso exige mais do que ajustes superficiais. É necessário compreender como as pessoas vivem a cidade, como consomem experiências e quais códigos culturais orientam suas escolhas.

No caso do Entre Amigos, a essência da marca permanece: hospitalidade, qualidade e valorização da culinária nordestina. O que muda é a forma de traduzir esses atributos em cada contexto, respeitando as particularidades do público local.

Mais do que uma estratégia de marketing, trata-se de uma postura. Marcas que chegam a novos mercados precisam estar dispostas não apenas a se apresentar, mas a aprender. Porque, no fim, fazer marketing regional não é sobre território, é sobre comportamento.