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Por que a Copa não é uma festa de 30 dias: o que os dados dizem sobre operar bares e restaurantes durante o Mundial

Por Redação

17/06/2026 11h43

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A Copa do Mundo costuma ser encarada pelo setor de bares e restaurantes como um mês inteiro de casa cheia. Um guia operacional produzido pela PWR Gestão, a partir da análise dos 104 jogos do torneio, sugere que essa leitura é justamente a origem dos maiores prejuízos. Ao cruzar horário de Brasília, dia da semana, fase da competição e apelo das seleções, o estudo conclui que pouco mais de 20 partidas têm potencial real de lotar um estabelecimento.

Eduardo Bayma, sócio da PWR Gestão

“A gente entra numa Copa achando que são 30 dias de festa ininterrupta, e o dado mostra o contrário: são alguns picos muito claros cercados de muitos dias mornos”, afirma Eduardo Bayma, sócio da PWR Gestão. Para ele, a constatação muda a forma de planejar. Em vez de escalar equipe e estoque para todos os jogos, o empresário concentra gente, energia e compras nas datas que de fato dão retorno.

É dessa lógica que nasce a principal ferramenta do guia, o Mapa de Calor Operacional, que atribui a cada data um nível de intensidade, de Muito Alto a Muito Baixo, conforme o peso daquele jogo para a operação. A proposta é responder com semanas de antecedência a uma pergunta que poucos enfrentam a tempo: em qual dia acelerar e em qual segurar. “Em um dia Muito Alto, ele monta equipe reforçada, compra com folga e pode trabalhar com couvert. Em um dia Baixo, ele enxuga, evita estoque parado e talvez nem estenda horário”, explica. O objetivo, segundo o sócio, é tirar a decisão do achismo da véspera e transformá-la em planejamento que pode ser combinado com a equipe e comunicado ao cliente.

Um dos pontos de maior atenção é o cardápio. O guia defende que ampliar opções nos dias de maior movimento é um erro de operação, não um diferencial. Mais itens significam mais preparo, mais praças ativas e mais complexidade para a cozinha executar sob pressão. “No dia que mais lota é exatamente quando a cozinha menos aguenta variedade. O tempo de saída do prato dispara e a experiência despenca justo na hora em que tinha mais gente para impressionar”, diz Bayma. A recomendação é um cardápio reduzido e inteligente para os picos, com foco no que sai rápido e tem boa margem.

O estudo dedica um capítulo ao cenário que mais assusta o setor, a eliminação do Brasil. Como a seleção é, isoladamente, o maior motor de público da Copa no país, sua queda faz desaparecer justamente os dias classificados como Muito Alto. Bayma trata o tema como cenário a ser planejado, e não como fatalidade. A proteção, segundo ele, vem de não comprometer estoque e escala de todo o torneio logo no início, comprando e escalando por fase, e de manter um plano B de ocupação para as datas que perdem força, como jogos de outras seleções com apelo e programação própria da casa.

A comunicação aparece no guia como instrumento de operação, e não apenas de divulgação. O erro mais comum, aponta o sócio, é tratá-la como aviso de última hora. Deixar claras as regras de reserva, consumação e couvert evita atrito no balcão e protege o ticket, enquanto posicionar a casa como o lugar para assistir a determinado jogo constrói preferência antes do concorrente. “A comunicação certa enche a casa nos dias que você quer encher e organiza a operação nos dias mais difíceis”, resume.

Sobre a decisão de disponibilizar um material aberto em vez de reservá-lo a clientes de consultoria, Bayma é direto. “Não acredito em segurar conhecimento para criar dependência. Acredito no contrário: quem entrega valor constrói autoridade.” 

Para ele, o guia ajuda o empresário que ainda não teve acesso a uma consultoria a operar melhor a própria Copa e, ao mesmo tempo, evidencia a profundidade do trabalho para quem avalia dar um passo a mais na gestão. “Se o guia ajudar o dono a faturar melhor na Copa sem nunca falar com a gente, ótimo. E se ele perceber que precisa de mais do que um guia, a gente está aqui.”

Para conferir o Guia completo, clique aqui.