Com foco em intenção de compra e descoberta visual, a plataforma volta ao radar como canal estratégico para anunciantes
O Pinterest voltou ao centro do planejamento de mídia de diversas marcas, especialmente no setor de moda. Nos últimos meses, parte dos investimentos que antes iam para o Instagram começou a migrar para a plataforma de descoberta visual, onde o comportamento do usuário é mais orientado à busca e à decisão de compra. Em vez de disputar atenção no feed, as empresas passaram a priorizar ambientes em que o consumidor já entra com intenção clara de pesquisar, comparar e consumir.
A diferença está no modo de navegação. No Instagram, o consumo é rápido e guiado por entretenimento, com foco em acompanhar pessoas e creators. Já no Pinterest, a lógica é outra. As pessoas entram para resolver algo, seja planejar um look, organizar uma festa ou encontrar referências de decoração. Muitas vezes, já estão no meio do funil, avaliando opções antes de fechar a compra.
Na avaliação de Liliane Ferreira, fundadora da primeira agência brasileira especializada em Pinterest, essa mudança de postura do usuário é o que torna a plataforma mais estratégica para marcas. “Quando eu tô no Instagram, eu entro para ver as pessoas que eu sigo, meus amigos e conteúdo. No Pinterest você entra para procurar uma receita, um tipo de prato, um tipo de mesa, para procurar uma coisa para sua festa, uma decoração”, afirma. Para ela, o acesso é mais funcional e menos disperso, o que aproxima o conteúdo do momento real de decisão.
Esse comportamento também impacta nos resultados. Segundo a executiva, o tráfego tende a ser mais orgânico e qualificado, com menor dependência de mídia paga contínua. “O usuário faz o processo do funil sozinho. Ele procura caneca preta, chegam várias, salva, não compra na hora, mas depois volta na pasta e compra. O conteúdo foi para ele, ele chegou e fez sozinho.” Nesse cenário, a plataforma funciona quase como um buscador visual, em que o consumidor já está mais perto da conversão.
Para explorar esse potencial, as marcas vêm apostando em campanhas de busca dentro da plataforma, em um modelo semelhante aos anúncios do Google, combinadas a uma estratégia híbrida de conteúdos orgânicos frequentes e mídia paga para ampliar alcance e relevância. A presença constante, com pins otimizados por palavras-chave, ajuda a capturar demandas que surgem de forma espontânea.
O movimento não indica apenas uma troca de rede social, mas uma mudança de lógica no marketing digital. Performance e conversão passaram a pesar mais do que visibilidade pura. Impactar quem já quer comprar se tornou mais valioso do que gerar alcance amplo sem intenção clara.
Os números reforçam essa tendência. A expectativa é que a receita publicitária do Pinterest cresça 17% e alcance US$ 4,2 bilhões em 2025. Para muitas marcas, a plataforma deixou de ser apenas um mural de inspiração e passou a funcionar como um canal direto de vendas, combinando descoberta, busca e decisão no mesmo lugar.


