Os brasileiros que planejam viajar de avião têm enfrentado um cenário de bilhetes cada vez mais caros. Dados oficiais mostram que o preço médio das passagens domésticas no Brasil ficou em R$707,16 em março de 2026, o que representa um avanço de cerca de 17,8% em comparação ao mesmo mês do ano passado, já considerando o ajuste pela inflação.
A metodologia utilizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) considera apenas a tarifa aérea em si, sem incluir custos extras como despacho de bagagem, marcação de assentos ou outros serviços adicionais, o que ajuda a captar a tendência estrutural de alta dos preços.
Por que as passagens estão ficando mais caras?
O principal motivo por trás dessa elevação está ligado ao custo do querosene de aviação (QAV), um dos maiores componentes das despesas das companhias aéreas, chegando a representar por volta de 30% a 40% dos custos operacionais.
Nos últimos meses, a Petrobras anunciou um reajuste de cerca de 55% no preço do QAV, ainda que esteja parcelando esse aumento ao longo de vários meses para reduzir o impacto imediato. Esse movimento reflete a pressão de preços no mercado internacional de petróleo, influenciado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e outras variáveis macroeconômicas.
Com o combustível mais caro, as companhias aéreas têm sinalizado que poderão replicar parte desse aumento nas tarifas, pressionando ainda mais o orçamento dos viajantes nos próximos meses.
Contexto global e comparação
O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Recentemente, companhias aéreas ao redor do mundo, como as dos Estados Unidos, também alertaram que preços dos bilhetes podem se manter elevados mesmo com queda no preço do combustível, devido à menor competição no setor e custos operacionais sustentados.
Nos Estados Unidos, por exemplo, empresas como a United Airlines declararam que podem precisar elevar tarifas em até 20% para compensar a alta dos custos com combustível, cenário que também influencia o mercado internacional e, por tabela, o brasileiro.


