Com foco na digitalização e em novas praças estratégicas, evento de planejamento da empresa apontou o crescimento expressivo da mídia exterior e reuniu executivos para debater os rumos do mercado publicitário
A We OOH anunciou um novo ciclo de expansão, com investimento mapeado de mais de R$110 milhões entre 2027 e 2031. O plano foi apresentado durante o evento de abertura e planejamento estratégico da companhia, que reuniu sócios, conselheiros e líderes do mercado para discutir a evolução da mídia exterior. “A We OOH nasceu digital. Depois de anos de resiliência e de amadurecimento do mercado, estamos colhendo os frutos de um setor impulsionado pelo boom da digitalização global”, afirma Tiago Brito, CEO da We OOH.
A estratégia prevê a abertura de novos pontos estratégicos, a padronização de processos e a criação de ecossistemas de audiência no entorno de ativos icônicos em diversas praças do país. Segundo dados apresentados no evento, o OOH (Out of Home) está entre os três segmentos que mais recebem investimentos no mundo. Pelo relatório da World Out of Home Organization (WOO), o setor movimentou US$54 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior. O Digital Out of Home (DOOH) já representa cerca de 47% desse total. No Brasil, sétimo maior mercado do planeta, o investimento em mídia exterior está estimado em US$1,33 bilhão em 2025. É nesse cenário que a We OOH traçou suas metas para o ciclo 2027–2031.
Os desafios da inteligência artificial e a operação na prática

O painel do evento foi mediado por Loli Argello, CCO da We OOH, com a participação de Marcos Berger, fundador da @be, Luciano Casarão, CEO da SmartOOH Media, e Daniel Simões, sócio-fundador da Streetwise. O uso de tecnologia e de inteligência artificial na rotina das agências foi um dos temas centrais.
Ao avaliar as ferramentas automatizadas, Casarão ponderou que a tecnologia ajuda consideravelmente a agilizar os processos operacionais. “Essa parte operacional chega para resolver e diminuir, talvez, o nosso custo e o custo para o cliente”, disse.
Simões complementou a visão sobre os limites da ferramenta. Para ele, a IA atua como suporte para otimizar fluxos, mas “nunca vai substituir os planejadores”. “A inteligência artificial é muito mais você fazer os questionamentos certos, para trazer um resultado mais rápido para toda a equipe”, afirmou.
O avanço da compra programática e a busca por métricas unificadas

A evolução da compra programática e a estruturação de parâmetros de mensuração para o setor também estiveram no centro do debate. Ao refletir sobre o amadurecimento do meio, Simões disse que o grande salto veio com a profissionalização do inventário. “A digitalização foi um pilar muito importante para a evolução do meio”, afirmou. Para ele, o Brasil hoje é referência global em produtos e inventários de rua.
Na discussão sobre a unificação de dados, Loli Argello provocou os convidados sobre a mensuração de performance. Casarão respondeu que o setor ainda esbarra na fragmentação de métricas. “Se a gente não conseguir essa unificação e conversar com todos realmente, a gente não vai conseguir fazer. Tem que ser uma métrica única, porque cada um vai fazer de um jeito e a gente vai continuar patinando”, disse.
A força da criação dedicada e o futuro da mídia exterior

Na parte final do painel, os executivos defenderam campanhas robustas pensadas exclusivamente para a mídia exterior e criticaram o uso isolado de peças adaptadas de outras plataformas. Berger reforçou que o sucesso do meio está na sinergia entre cobertura, amplitude e relevância criativa. “A criação para o meio voltou com força, e quando você traz campanhas desenvolvidas estrategicamente para o OOH, o resultado é outro”, disse.
Otimistas quanto às projeções de crescimento do share de investimento para os próximos anos, os participantes concluíram que a integração entre capilaridade regional, tecnologia digital e forte apelo visual nas ruas firma o OOH como protagonista no planejamento de comunicação das marcas.
