Análise

“2026 é o novo 2016?”; como era o mercado de 10 anos atrás

Por Redação

21/01/2026 16h01

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A volta simbólica a 2016 revela o desejo por simplicidade, autenticidade e menos performance

Que o ser humano tem uma certa queda por revisitar o passado, isso já não é novidade. Mas, em 2026, essa vontade ganhou força e estética própria. O ano vem sendo tratado nas redes como o “novo 2016”, uma espécie de nostalgia para tempos considerados mais simples, espontâneos e menos pressionados por métricas, padrões e performance. Segundo dados divulgados pelo The News, mais de 55 milhões de vídeos utilizando o chamado “Filtro 2016” já foram publicados nas redes sociais neste início de ano, um indicativo claro de como a nostalgia voltou a ocupar espaço no imaginário digital.

A trend recupera elementos visuais característicos de 2016, como fotos mais saturadas, poses espontâneas e filtros populares da época, além da estética que marcou o Instagram naquele período. No TikTok, hashtags como #2016 cresceram rapidamente, funcionando como um resgate de memórias pessoais e culturais. Mais do que um retorno visual, o movimento sinaliza o desejo por uma internet percebida como mais simples e espontânea, em contraste com a lógica altamente performática que domina o ambiente digital hoje.

Em 2016, a Geração Z ainda estava em fase de formação e muitos dos criadores, artistas e influenciadores que hoje movimentam milhões estavam apenas experimentando linguagens e formatos nas redes sociais. Esse processo acontecia em um ambiente menos profissionalizado e menos orientado por expectativas comerciais, o que ajuda a explicar por que esse período é frequentemente revisitado em 2026, num cenário marcado por pressão estética, produtiva e econômica constante.

No mercado de publicidade e marketing, 2016 marcou um ponto de virada. Foi um período de transição entre a comunicação massiva tradicional e o início de uma era mais digital, porém ainda experimental. As marcas começavam a entender o potencial das redes sociais, mas a lógica de conteúdo ainda não era totalmente guiada por performance. Para entender por que 2026 olha tanto para esse passado, vale revisitar o que movimentava o mercado naquela época.

O mercado em 2016

A chegada dos Stories e a virada do conteúdo passageiro
Em 2016, o Snapchat era uma das redes sociais mais relevantes entre jovens e criadores. A proposta era simples e revolucionária para a época: conteúdos rápidos, verticais, espontâneos e com prazo de validade de 24 horas. A ideia de postar sem a obrigação da permanência mudava a relação das pessoas com a imagem e com a exposição online.

Foi nesse contexto que o Instagram começou a implementar o formato de Stories, consolidado oficialmente em 2017, mas já testado e incorporado ao longo de 2016. A funcionalidade rapidamente ganhou adesão, tanto de usuários quanto de marcas, abrindo caminho para novos formatos publicitários e uma comunicação mais próxima do cotidiano do público. O conteúdo momentâneo passou a ser estratégico.

Realidade aumentada e o Pokémon Go
A realidade aumentada deixou de ser um conceito distante e passou a ocupar o cotidiano das pessoas. O lançamento do Pokémon Go funcionou como um catalisador desse movimento, mostrando, na prática, como o digital podia atravessar o espaço físico e gerar experiências imersivas em larga escala. Ruas, praças e pontos turísticos se transformaram em ambientes interativos.

Para o mercado, o impacto foi imediato. A realidade aumentada passou a ser observada como uma ferramenta estratégica, capaz de criar experiências mais envolventes. A partir desse momento, grandes empresas de tecnologia começaram a investir na aplicação da AR para além do entretenimento, explorando seu potencial em publicidade, varejo, e-commerce e experiência do usuário. O que em 2016 parecia novidade experimental se tornaria, nos anos seguintes, parte estrutural das estratégias digitais das marcas.

Apple e os AirPods, o início dos fones sem fio
Ainda em 2016, a Apple lançou os AirPods, marcando um movimento importante no mercado de tecnologia. A retirada da entrada para fones de ouvido tradicionais causou estranhamento na época, mas abriu caminho para a consolidação dos dispositivos sem fio como padrão. Hoje, quase uma década depois, os fones wireless são parte do cotidiano e influenciaram diretamente design de produtos e até a forma como consumimos conteúdo em movimento.

O Musical.ly como origem do TikTok
Nesse ano, o Musical.ly ganhou força entre o público jovem e se tornou um dos aplicativos mais populares da época. A plataforma introduziu um formato de vídeos curtos e verticais que, naquele momento, ainda era visto como nichado e pouco relevante para o mercado publicitário.

Anos depois, o aplicativo foi incorporado à estrutura que daria origem ao TikTok. Só então o formato explodiu globalmente, já em um cenário mais favorável ao consumo de vídeo curto e à distribuição algorítmica de conteúdo. O que havia surgido de forma quase experimental em 2016 voltou com força total e central nas estratégias digitais, reforçando a ideia de que muitas das tendências daquele ano só seriam plenamente compreendidas com o passar do tempo.

Marcas mais lembradas e o peso da TV
E nas campanhas, nesse ano a televisão ainda ocupava um papel central na construção de marca no Brasil. As campanhas mais memoráveis eram pensadas para os canais abertos, com filmes publicitários de alto alcance e forte repetição. O consumo de redes sociais existia, mas não tinha o protagonismo que possui hoje, o que fazia com que a lembrança de marca estivesse muito mais associada à presença na TV.

Entre as marcas mais lembradas naquele ano estavam Casas Bahia, Coca-Cola, Jequiti e Itaú. Empresas que investiam pesado em campanhas institucionais, narrativas emocionais e personagens facilmente reconhecíveis pelo grande público.

Rankings divulgados no portal Meio & Mensagem

Olhar para 2016 hoje não é só um exercício de nostalgia, mas uma tentativa de entender o que se perdeu no caminho. Para o mercado, esse retorno simbólico aponta para um desejo de menos rigidez, menos fórmulas prontas e mais espaço para experimentação. Em um cenário digital cada vez mais saturado, revisitar aquele período funciona quase como um lembrete de que conexão não nasce apenas de métricas e estratégias, mas também de espontaneidade, risco e experimentação. Em 2026, talvez o aprendizado não esteja em repetir o passado, mas em recuperar parte da leveza que fez a internet, e o mercado, avançarem naquele momento.