SXSW

Um em cada três jovens prefere chatbot a humanos, aponta especialista em debate sobre IA

Por Redação

12/03/2026 18h39

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Miriam Schneider, Maureen Polo e Martin McKay participam do painel mediado por Rebecca Winthrop sobre os impactos da IA nas novas gerações e na educação

Na palestra “Como apoiar jovens resilientes em um mundo de IA”, apresentada no SXSW, especialistas de diferentes áreas se reuniram para discutir um dos grandes desafios da atualidade: como garantir que a inteligência artificial ajude jovens a desenvolver pensamento crítico e autonomia, em vez de enfraquecer essas habilidades.

O painel foi mediado por Rebecca Winthrop, especialista em educação e mãe de duas crianças, e contou com a participação de Miriam Schneider, diretora de iniciativas de aprendizagem do Google DeepMindMaureen Polo, CEO da Hello Sunshine, e Martin McKay, fundador e chairman executivo da Everway.

Abrindo a conversa, Winthrop destacou que a preocupação com novas tecnologias no ambiente educacional não é inédita. Segundo ela, um movimento semelhante aconteceu com o surgimento das redes sociais e agora se repete com a inteligência artificial. A especialista explicou que a chamada “geração da IA” utiliza essas ferramentas para múltiplas funções ao mesmo tempo, seja para estudar, se comunicar ou se entreter, o que torna os impactos ainda mais complexos.

Ela também apontou que, quando utilizada com orientação adequada, a IA pode enriquecer o processo educacional. Entre os benefícios estão a possibilidade de adaptar conteúdos ao ritmo de cada estudante, ajudar professores a identificar dificuldades específicas e apoiar alunos neurodivergentes em diferentes formas de aprendizado.

Por outro lado, Winthrop alertou para os riscos do uso excessivo. Um dos dados apresentados durante a palestra aponta que um em cada três adolescentes nos Estados Unidos prefere conversar com um chatbot em vez de um amigo, algo que pode afetar habilidades sociais e níveis de confiança. Para ela, o momento atual exige atenção, já que o uso indiscriminado da tecnologia também pode reduzir estímulos cognitivos e até desmotivar estudantes.

Respondendo à mediação, Miriam Schneider explicou como o Google tem trabalhado essas questões no desenvolvimento do Gemini. De acordo com ela, a empresa estudou durante anos formas de integrar princípios pedagógicos às respostas da ferramenta, com o objetivo de que a IA contribua para processos de aprendizagem e não apenas para a entrega de respostas rápidas. O sistema também inclui mecanismos de segurança e salvaguardas voltadas especialmente para usuários mais jovens.

A discussão também abordou os impactos da IA em jovens neurodivergentes. Martin McKay afirmou que a tecnologia pode representar um avanço importante ao permitir que conteúdos sejam adaptados a diferentes formas de aprendizado. Crianças com dislexia, por exemplo, podem utilizar ferramentas para simplificar textos e tornar a leitura mais acessível. Ainda assim, ele reforçou a importância de manter estímulos cognitivos ativos durante o processo de aprendizagem.

Maureen Polo trouxe a perspectiva cultural da geração Z. Segundo ela, pesquisas conduzidas por sua empresa mostram que muitos jovens utilizam a inteligência artificial para explorar interesses, acessar novas informações e até formar comunidades em torno de temas específicos. Para a executiva, a tecnologia também pode ajudar a criar espaços de troca e apoio, especialmente entre mulheres jovens.

Ao longo da conversa, os participantes convergiram em uma mesma ideia: a inteligência artificial não precisa ser vista apenas como ameaça ou solução absoluta. O futuro da educação, segundo eles, dependerá principalmente da forma como a tecnologia será integrada ao aprendizado, com equilíbrio entre pensamento crítico e desenvolvimento humano.