Maria Lúcia, diretora de Gente, Gestão e Cultura da empresa, compartilha como estratégias de gestão podem abrir espaço para as mulheres no setor
A construção civil ainda é um dos setores mais masculinos do Brasil, especialmente nos canteiros de obras. Apesar de avanços recentes, a presença feminina segue minoritária: em muitos recortes do setor, as mulheres representam menos de 10% da força de trabalho operacional, enquanto dados mais amplos indicam participação ainda menor no total da mão de obra. Ao mesmo tempo, o movimento de crescimento é consistente, as mulheres já ocupam mais de 20% das novas vagas geradas e vêm ampliando sua presença em áreas técnicas e de gestão.
É nesse cenário que empresas como a Moura Dubeux têm estruturado iniciativas para acelerar a inclusão feminina e transformar a cultura do setor.
Dentro da companhia, os números mostram um avanço relevante. Hoje, 43% das posições administrativas são ocupadas por mulheres e 41% dos cargos de gestão também são femininos. O equilíbrio começa desde a base: no programa de estágio, 46% dos participantes são mulheres, indicando um pipeline mais diverso para o futuro.
Ainda assim, o maior desafio segue nos canteiros de obras. “A construção civil ainda é um setor predominantemente masculino, especialmente nos canteiros, onde a disparidade entre a presença de homens e mulheres ainda é muito grande”, afirma Maria Lúcia, diretora de Gente, Gestão e Cultura da empresa. Segundo ela, ampliar essa participação exige ações práticas de formação e mudança cultural.
Uma das principais frentes é o MDNE Social, braço de responsabilidade social da companhia voltado à capacitação profissional. Entre 2023 e 2025, cerca de 730 pessoas foram formadas, sendo 42% mulheres. Para incentivar ainda mais a participação feminina, a empresa também criou turmas exclusivas, com formação teórica e prática dentro dos próprios canteiros. Entre os alunos contratados após a formação, mais de 30% são mulheres, um indicativo direto de impacto na empregabilidade.

Na rotina das obras e dos escritórios, essa transformação já começa a ser percebida. “A construção civil ainda é um setor majoritariamente masculino, mas a MD mostra no dia a dia que competência e liderança não têm gênero. Cada vez mais vemos mulheres conquistando espaço, tanto nas áreas de gestão quanto dentro das obras”, afirma a engenheira civil sênior Roberta Oliveira, há quase uma década na empresa.
Além de ampliar a presença, a diversidade também influencia nos resultados. De acordo com Maria Lúcia, equipes mais diversas tendem a ser mais colaborativas, estratégicas e eficientes, contribuindo para a inovação e para a melhoria dos processos.

A trajetória da engenheira Beatriz Tote reforça esse cenário. Ela ingressou como estagiária e construiu toda a carreira na companhia até assumir obras como engenheira responsável. “A MDNE incentiva a presença feminina ao oferecer oportunidades reais para que possamos exercer nossa profissão, sermos ouvidas e respeitadas”, destaca.
Segundo ela, o incentivo também está nas referências internas. “Temos exemplos fortes de mulheres em posições de liderança que inspiram outras a ocuparem espaços de destaque. Em um ambiente historicamente masculino, isso faz toda a diferença.”
Com iniciativas voltadas à formação, contratação e desenvolvimento de lideranças femininas, a construção civil começa a passar por uma transformação gradual. E, ainda que o caminho seja longo, a presença feminina deixa de ser exceção para se tornar, cada vez mais, parte essencial do futuro do setor. “Ampliar a presença feminina não é apenas uma questão de representatividade, mas um fator que fortalece a cultura, impulsiona a inovação e contribui diretamente para a sustentabilidade dos negócios no longo prazo”, finaliza Maria Lúcia.
