Ratificação no Brasil marca etapa decisiva de tratado que pode ampliar exportações, atrair investimentos e reposicionar a região no comércio internacional
Na última semana, o Congresso Nacional do Brasil promulgou o decreto legislativo que aprova o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A solenidade concluiu formalmente a etapa de ratificação do tratado, resultado de 27 anos de negociações.
A aprovação abre caminho para a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Juntos, Mercosul e União Europeia somam cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões.
Redução de tarifas e impacto econômico
O acordo prevê a redução gradual de tarifas de importação para produtos industriais e agropecuários, além do estabelecimento de regras para áreas como investimentos, serviços, compras públicas e propriedade intelectual.
O Governo Federal do Brasil estima que a implementação do tratado pode elevar o PIB brasileiro em 0,34% até 2044, o equivalente a cerca de R$ 37 bilhões, além de impulsionar os investimentos em 0,76% e as exportações em 2,65%. Com a conclusão da etapa legislativa, a expectativa do governo é que o acordo avance para a fase de implementação nos próximos meses, ampliando o acesso a mercados e fortalecendo a integração econômica entre os blocos.
Próximos passos no cenário internacional
No cenário internacional, o tratado ainda depende de procedimentos internos nos países do Mercosul e da União Europeia. Ainda assim, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, já indicou a possibilidade de aplicação provisória da parte comercial enquanto o Parlamento Europeu analisa o texto.
Nordeste pode ampliar protagonismo
Para o Nordeste, o acordo abre uma janela concreta de ampliação da inserção internacional. A redução de tarifas tende a tornar mais competitivos produtos como frutas, pescado, mel, calçados e têxteis.
Além disso, a região pode atrair investimentos europeus interessados em produzir dentro do bloco sul-americano, aproveitando custos operacionais mais baixos e uma posição geográfica estratégica. Portos como o Porto do Pecém e o Porto de Suape se consolidam como portas de entrada e saída mais próximas da Europa. Esse movimento também tende a fortalecer cadeias produtivas ligadas à energia renovável, especialmente com o avanço de agendas como o hidrogênio verde.
