A IA veio para devolver nossa humanidade, e não o contrário
Trabalhar como máquinas, sem pausa, sem reflexão, com alta performance e produtividade. Férias? Que vergonha, fala baixo! Até bem pouco tempo, sentíamo-nos humanos que precisavam agir e produzir como robôs.
Com a Inteligência Artificial sendo uma realidade em nosso cotidiano, podemos nos dar ao luxo de dedicar nosso tempo e energia ao que de fato importa, focando no que nos diferencia e delegando às máquinas a entrega da rotina, da melhoria a partir de um comando — aquele que só um humano pode dar. Convido você a conversarmos sobre como a IA veio para somar e nos devolver um tempo precioso no nosso dia a dia.
Vontade. Nessa, a IA já não ganha de você
A atitude. O querer. Essas sempre foram as características que mais observei em todos os processos seletivos dos quais participei, escolhendo ou influenciando na escolha de colaboradores para um time. Procurava nos candidatos aquele entusiasmo, definido por Henry Ford como sendo “o irresistível volume da sua força de vontade e da sua energia para a concretização das suas ideias”. O entusiasmo percebido no ritmo do andar, no brilho do olhar e no aperto de mão.
Nietzsche, em sua “Vontade de Potência”, traz a ideia de que a vontade é o que dá sentido e cria valores. A Vontade de Potência é a capacidade que a vontade tem de efetivar-se. Contrariando Darwin, Nietzsche argumentava que o homem não pode e não quer apenas conservar-se ou adaptar-se para sobreviver; só um homem doente desejaria isso. Defendia que o homem queria expandir-se, dominar, criar valores, dar sentidos próprios. Isso significaria ser ativo no mundo, criar suas próprias condições de potência. Seria um efetivar-se no encontro, no somatório com outras forças. Assim sendo, àquele que tem vontade, o céu é o limite.
De largada, a gente ganha da IA nessa. Nossa vontade é ponto de partida, mas ela precisa estar acesa em nós. Já a IA não tem desejos ou vontades. Sem comando, ela simplesmente não gera, não aprende, não inova, não agrega.
A IA como trampolim, e não como muleta
O que você tem feito com o tempo que tem economizado pelo uso da IA? Perguntinha chata, que nos faz refletir se estamos utilizando a IA em nosso favor, pensando na construção de longo prazo, ou se ela tem sido utilizada para nos deixar mais lentos, em espirais, nas mesmas bolhas, e que, mais cedo ou mais tarde, terá nos diminuído mais do que evoluído.
Usar a economia de tempo gerada pela IA para aprender mais, ganhar repertório, construir bagagem, curtir mais a família, faturar mais — ou melhor — parecem bons caminhos para fazer uso do tempo que nos sobra. Isso é possível quando continuamos fazendo uso da nossa capacidade humana, tendo na IA uma ferramenta para aprimorar nossas entregas. Aí, a IA trampolim nos joga longe, nos faz voar alto.
Imagine um médico, que tem a agenda cronometrada entre uma consulta e outra, poder valer-se da IA para analisar um exame de imagem, comparar com achados do mundo inteiro, condutas diversas, melhores práticas. Sensacional, não é? Eficiência e eficácia na veia. E o que fazer com o tempo de consulta que restaria? Exercitar a escuta ativa, olhar no olho e estabelecer uma troca genuína com o paciente, talvez. Atitudes simples e esperadas, mas que por vezes não encontram espaço de tempo para acontecer.
IA só faz conta de multiplicar
Nenhum humano será melhor que uma máquina. Mas nenhuma máquina será melhor que um ser humano utilizando uma máquina. Essa máxima reforça que o caso não é de “ou”, mas de “e”: é humano + IA. Nós, humanos, com nossos valores, utilizando as máquinas como ferramentas a nosso favor. O saber e o pensar são valiosos, mas o poder do agir é irresistível. Entre hard e soft skills, encantam-me as heart skills.
Este texto foi corrigido ortográfica e gramaticalmente por uma IA, mas com um comando claro: não alterar as palavras e a personalidade de quem aqui vos escreve — e o fez com toda a energia para discutir com você como é bom ser humano em tempos de IA.


