“Há tempo para plantar e tempo para colher”. Isso não é novidade para ninguém. Podemos até acelerar alguns movimentos com tecnologia, método e inteligência, mas jamais eliminaremos o tempo necessário para que as ações deem resultado. Para que o nosso plantar, de fato, floresça.
Vivemos em um país em que os índices de ansiedade são alarmantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera o ranking mundial de pessoas com transtornos de ansiedade. Esse dado, longe de ser apenas estatística, se reflete diretamente no ambiente corporativo. Vemos líderes, gestores e empreendedores cada vez mais ansiosos e, muitas vezes, adoecidos, reproduzindo uma cultura em que tudo é urgente, tudo é prioridade e nada pode esperar. Uma lógica que cria ambientes insalubres e gera uma conta alta. E a conta chega! Sempre chega!
Quando não se respeita o tempo das coisas, a “colheita” é comprometida. Processos são atropelados, metodologias perdem sentido e, contraditoriamente, os resultados atrasam. É o que chamo de: “correr para atrasar”. O retrabalho aumenta, o entendimento diminui e a sensação de urgência permanente vira rotina e ansiedade toma conta. Muitas vezes, essa pressa desenfreada é tentativa de compensar um passado inerte, de recuperar o tempo que não foi bem utilizado. Mas aqui está o paradoxo: para recuperar o tempo perdido, é preciso, antes de tudo, respeitar o tempo.
“Correr para atrasar” é tão contraditório quanto plantar maçã esperando colher laranja. Não funciona. O ideal, portanto, é romper com esse hábito adotando mais clareza de prioridades, planejamento consistente e maturidade para entender que velocidade sem direção não é agilidade, é desperdício. Respeitar o tempo dos processos não é atraso; é estratégia. Porque, no fim das contas, quem aprende a plantar no ritmo certo colhe melhor, com mais saúde, mais consistência e resultados que realmente se sustentam.


