Sempre que conquistamos um novo cliente na Cena7, fazemos uma pesquisa manual de social listening, que significa basicamente ler, interpretar e escutar (por isso o termo listening) como as pessoas estão percebendo a marca nas redes sociais. Uma análise de como os usuários engajam, se existe uma comunidade ativa e também sobre o que as pessoas estão falando que não é necessariamente sobre a marca, mas que se conecta de alguma forma com o universo da marca ou do que ela tem como propósito.
Dependendo do projeto, essa análise vai além das redes sociais. Mergulhamos também no Google, avaliações, SEO e outros canais de descoberta digital. No início do ano, quando pesquisei “Onde encontrar [o produto do cliente] em Fortaleza” no Google, recebi uma resposta pronta na nova aba “modo IA”. Não cliquei em nenhum link, nem visitei nenhum site. Sensação muito parecida com a experiência do Chat GPT, só que bem mais assertiva e personalizada visto que o Google tem acesso a dados do meu Gmail, meu YouTube, meu Drive, meu Google Fotos e… acho que deu para entender.
Naquele momento percebi que estamos vivendo uma mudança silenciosa na forma como descobrimos marcas, produtos e especialistas. A resposta chegou antes do clique. (Imagina a mudança de modelo de negócio do Google, que vende exatamente a ideia de gerar mais cliques para o seu site?)
Durante anos aprendemos a otimizar conteúdos para mecanismos de busca. Fiz um curso de roteirização e SEO em 2019 com Camilo Coutinho, um dos maiores especialistas em SEO para YouTube do Brasil. Naquela época, o desafio era produzir conteúdo bom o suficiente para ser encontrado pelo algoritmo e relevante o suficiente para disputar espaço nas primeiras posições do Google.
Empresas investem milhões para aparecer na primeira página do Google, mas existe uma nova camada surgindo. A internet está mudando mais uma vez, porque o comportamento das pessoas mudou. A jornada de compra não é mais uma busca, é uma conversa. Mas essa não é uma grande novidade. O termo “Marketing Conversacional” já existe no mercado há um tempo e escuto nos eventos que frequento desde 2021. É uma estratégia baseada em diálogos em tempo real para engajar clientes, qualificar leads e acelerar o processo de compra de forma personalizada. Resumindo: O chat deixou de ser uma ferramenta para “resolver problemas de clientes” e virou uma máquina de geração de receita rápida.
Já vínhamos caminhando nessa direção há alguns anos. Temos um MEGA case cearense que ajuda a explicar esse movimento. A TALLOS, uma plataforma omnichannel de atendimento digital e marketing conversacional, amplamente reconhecida no mercado brasileiro. Arthur Frota é o empreendedor cearense que fundou a empresa. Em 2022, a RD Station (empresa do grupo TOTVS) adquiriu 100% da TALLOS e a ferramenta foi rebatizada e integrada ao ecossistema principal como RD Conversas.
Então, entendemos que as conversas e automações já estavam no nosso radar, como pesquisadores e eternos aprendizes das áreas de Marketing e Vendas. A novidade é que essa conversa não acontece mais por uma automação desenhada como eu fui apresentada a esse conceito lá em 2021, ela hoje acontece com uma IA generativa.
A diferença principal está na flexibilidade: automações desenhadas seguem regras rígidas criadas por humanos, enquanto a IA generativa cria respostas inéditas com base em contexto e aprendizado.
Se o SEO era sobre aparecer nos resultados, o GEO é sobre aparecer nas respostas geradas por IA. A diferença parece pequena, mas muda a lógica da descoberta. A descoberta através de uma conversa com IA exige mais profundidade do que uma pergunta rasa no espaço de busca.
Generative Engine Optimization (Otimização para Motores Generativos) é o conjunto de estratégias que aumenta as chances de uma marca, empresa ou especialista ser reconhecido, compreendido e recomendado por sistemas de IA generativa. Agora é preciso gerar conhecimento estruturado, autoridade e contexto suficiente para que uma IA considere sua marca uma fonte confiável.
Depois de tudo isso, você pode estar se perguntando: O que faz uma IA citar uma marca? Vou logo dizendo que nesse artigo não tem “5 dicas rápidas”, não tem fórmula pronta, mas existe um padrão.
É sobre reputação. As IAs valorizam sinais como:
- Autoridade
- Consistência
- Produção de conhecimento
- Presença em fontes confiáveis
- Citações de terceiros
- Conteúdo original
Ou seja: Algumas das características que fazem uma pessoa reconhecer você como autoridade antes de ter a oportunidade de conhecer você.
Na minha visão, o futuro pertence às marcas que ensinam. Editorias educativas em marcas que – teoricamente – não tem “obrigação nenhuma” de ensinar. As marcas que documentam conhecimento, compartilham experiências e constroem repertório terão vantagem, porque conteúdo útil alimenta tanto pessoas quanto inteligências artificiais.
No último ano falamos muito sobre economia da atenção. Agora começamos a disputar algo ainda mais valioso do que a atenção: Memória.
A memória das pessoas e, cada vez mais, a memória das Inteligências Artificias.
Talvez a pergunta mais importante para as marcas daqui para frente seja justamente a que abriu este artigo:
Sua marca existe na mente das pessoas. Mas ela existe na mente das IAs?
Antes:
- SEO (ser encontrado no Google)
Depois:
- SEO (ser encontrado no Google)
- Social Media (ser encontrado nas redes)
Agora:
- SEO (ser encontrado no Google)
- Social Media (ser encontrado nas redes)
- GEO (ser citado pelas inteligências artificiais)
Indicação de conteúdo hoje vai para a pessoa que me apresentou o conceito de GEO no SXSW Austin 2025: Sandy Carter.
Featured | Sandy Carter – Beyond the Myths: Building Your AI-First Future
