Seu orçamento de marketing está travando seu crescimento?

Por Redação

26/02/2026 18h03

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Definir marketing como percentual da receita pode ser confortável, mas pode estar impedindo decisões estratégicas de alocação de capital

“Marketing investe 3% da receita”. Esse é o modelo confortável, tradicional e que geralmente ganha a aprovação no board das empresas. Simples. Controlável. Financeiramente seguro. Mas traz consigo uma lógica embutida muito clara: se a receita cai, o investimento cai. Se a receita sobe, o investimento sobe. 

Ou seja: marketing vira consequência do passado. Não instrumento do futuro. Esse modelo é ótimo para empresas que querem estabilidade, mas é péssimo para empresas que querem acelerar.

Uma pergunta que incomoda e que quase nunca é feita é: se cada R$1 investido em aquisição retorna R$4 em margem ajustada, por que limitar o investimento a um percentual fixo? Você limitaria estoque se ele girasse com 300% de retorno? Provavelmente não. Mas com marketing, muitas empresas fazem exatamente isso.

Empresas mais maduras pensam diferente. Elas perguntam:

  • Qual é o CAC (Custo de Aquisição do Cliente) real por canal?
  • Qual é o LTV (Life Time Value)  ajustado por churn e inadimplência?
  • Qual é o payback?
  • Onde a margem começa a deteriorar?

Se a equação fecha, a discussão deixa de ser “qual o percentual?” e passa a ser “qual o volume de capital conseguimos alocar com retorno saudável?”. Nesse momento, marketing deixa de ser despesa. Vira máquina de geração de caixa futura. Isso é o que o mercado chama de operar por Unit Economics, que significa gerenciar um negócio focando na rentabilidade de cada unidade vendida ou cliente adquirido, e não apenas no faturamento total. 

Mas cuidado com a ilusão. Operar por unit economics exige maturidade. Se você não tem CAC real (não estimado), LTV baseado em dados históricos, visão clara de churn, você não tem modelo de crescimento e sim uma projeção otimista. E projeção otimista não paga boleto.

A solução que mais tenho implementado nas empresas que ainda estão em estágio inicial desses dados é um híbrido, que é o misto de orçamento base mais orçamento incremental:

  1. Orçamento Base (percentual fixo): sustenta operação, marca e máquina atual.
  2. Orçamento Incremental (atrelado a ROI): liberado conforme teste comprova retorno.

O modelo híbrido cria disciplina financeira sem matar crescimento. E muda a conversa no board: o gestor de Marketing deixa de pedir verba e passa a apresentar oportunidades para alocação de capital.

O debate real não é sobre percentual. É sobre maturidade. Se sua empresa ainda não sabe exatamente quanto custa adquirir e reter um cliente, percentual é prudência. Se sabe, e mesmo assim limita investimento, é medo.

Afinal, o CEO da sua empresa enxerga marketing como centro de custo controlado ou motor estratégico de crescimento? A resposta está menos no discurso e mais na forma como o orçamento é definido.

Fernanda Rocha
CRO e Estrategista em Revenue Operations
CEO da Revening Educação e Estrategista em Revenue Operations, especializada na estruturação de modelos previsíveis e escaláveis de crescimento de receita, conectando Marketing, Vendas e Customer Success. Pioneira no Brasil como Chief Revenue Officer (CRO), há mais de 10 anos estrutura máquinas de crescimento baseadas em RevOps. Com mais de duas décadas de experiência executiva, sendo 10 anos em posições C-Level, atua como consultora e mentora de empresas em fase de crescimento e transformação. É colunista do portal Nosso Meio, onde assina a coluna Reviravolta, com reflexões sobre estratégia, liderança e crescimento. É mestre em Administração com foco em Marketing (UFC), especialista em Finanças (IBMEC) e graduada em Comunicação Social (UFC).