Análise

De 1910 a 2026: a evolução do repórter ao longo das décadas

Por Lucas Abreu

16/02/2026 08h00

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Celebrado dia 16 de fevereiro, o Dia do Repórter busca celebrar os profissionais do jornalismo, responsáveis pelo levantamento de informações para a construção e divulgação de uma notícia. A data surgiu de forma informal, portanto não há um consenso sobre a sua origem. Entretanto, uma de suas versões está ligada a um discurso feito pelo diplomata e jornalista Ruy Barbosa a favor da liberdade de imprensa, que ocorreu nesta mesma data do ano de 1910, na Associação Brasileira de Imprensa.

Na época da República Velha, o fazer de um repórter era quase artesanal, com apurações baseadas em contatos pessoais e passeios pela cidade. O estilo de reportagem ainda não possuía um lead e misturava-se ao da crônica literária, com frequentes narrações de fatos em primeira pessoa. Os autores eram geralmente escritores, membros de uma elite intelectualizada e burguesa, e com fortes posicionamentos políticos e ideológicos.

A partir de 1930, com a revolução de Getúlio Vargas, o repórter muda de perfil, especialmente com a profissionalização dos periódicos feitos por operários. A repressão existia, mas não era capaz de sufocar os periódicos, que se modernizaram ainda mais com a chegada e aquisição dos linotipos, máquina alemã inventada por Ottmar Mergenthaler, que permitia fundir linhas inteiras de de texto em chumbo por meio de um teclado.

O repórter passou a ser visto como uma profissão separada do escritor literária, apresentando textos com mais técnicas jornalísticas, como leads, furos de reportagem e em editorias fixas. Além dos impressos, o rádio também foi protagonista, ajudando na difusão de informações.

Com a chegada da televisão em 1950, o jornalismo migrou para o audiovisual, mas as reportagens só foram aderidas ao formato a partir da década seguinte. Os repórteres desenvolveram técnicas de edição, filmagem e narração, sofisticando o padrão e consolidando um formato que até hoje é reproduzido pelos telejornais, com o profissional in loco para captar as informações.

Com a Ditadura Militar entre 1964 e 1985, o jornalismo viveu forte repressão no Brasil, principalmente com a instauração do Ato Institucional nº 5, durante o governo do general Artur da Costa e Silva. Para driblar a censura do Governo Federal e a autocensura dos diretores dos jornais, os repórteres passaram a usar jogos de palavras para publicar seus textos. A profissão exigia coragem, sagacidade, habilidades investigativas e diplomacia política para garantir a própria segurança e integridade física.

Com o fim do regime em 1985 e a redemocratização, o jornalismo avançou e se modernizou ainda mais. Na década de 1990, a figura do repórter investigativo se consolidou e sua atuação foi ampliada graças a digitalização das redações, na época separadas por editorias e formatos (TV, Rádio e Impresso). Quem também ganhou projeção foi o repórter de televisão, graças ao seu crescimento como meio de massa. E as faculdades de jornalismo se expandiram pelo território nacional.

Com a chegada dos anos 2000, veio o jornalismo digital. No princípio, os portais de notícia reproduziam as reportagens que iam para o impresso, mas esse cenário se transformou com a chegada e evolução dos smartphones – que se tornaram ferramentas de trabalhos – e a popularização das redes sociais a partir da segunda metade da década de 2010. O repórter passou a realizar coberturas e reportagens em tempo real e multiplataforma, como também a realizar a checagem de fatos para evitar fake news e desinformação.

Agora, no presente, o repórter não só produz textos, vídeos, áudios e conteúdos para as redes sociais. Seu trabalho inclui também acompanhar métricas de visualização, analisar dados – especialmente os de natureza pública – e implementar a inteligência artificial em suas rotinas de trabalho.

Quanto ao futuro: quem saberá o que a tecnologia e as transformações políticas reservam?

Feliz dia do repórter.