O Brasil celebrou ontem (25), o Dia da Indústria, data que reverencia o legado de figuras como Roberto Simonsen e o papel do setor industrial na construção de um país próspero e competitivo. Nesse contexto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforça a mensagem de que não existe uma nação forte e economicamente robusta sem uma indústria igualmente forte e inovadora, inserida num cenário global de constantes transformações e desafios. A entidade acredita que a indústria nacional, com sua capacidade de transformar recursos nacionais em produtos de alto valor agregado e ideias em realidade tangível, é o motor que impulsiona a prosperidade, a inovação e a competitividade almejada para o Brasil.
A Indústria: pilar econômico e social inegável do Brasil
A presença da indústria se manifesta em cada aspecto da vida cotidiana de forma imperceptível, mas sempre fundamental – desde os alimentos que chegam à mesa de milhões de famílias, os medicamentos que salvam vidas e promovem a saúde, a energia que ilumina as casas e impulsiona as cidades, até a tecnologia de ponta que conecta a nação a um mundo globalizado. Longe de ser um setor isolado, a indústria é uma rede complexa e vital que interliga diversos segmentos da economia e da sociedade, gerando um efeito multiplicador em toda a cadeia produtiva. Ela é também a força motriz da inovação, a principal fonte de empregos de qualidade e a catalisadora do desenvolvimento socioeconômico e tecnológico do país.
Os números confirmam essa relevância de forma contundente: a indústria brasileira representa 23,4% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo a principal responsável por 67,7% das exportações brasileiras de bens e serviços e por 66,8% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Sua contribuição para a arrecadação nacional responde por 35,2% dos tributos federais e 25,1% da arrecadação previdenciária. Em termos de geração de empregos, o setor emprega diretamente 11,8 milhões de trabalhadores, o que corresponde a 20,6% dos empregos formais do Brasil, com salários médios superiores à média nacional, evidenciando o valor que a indústria agrega ao capital humano do país.
O salário médio da indústria (ensino superior completo) é de R$ 8.746,00 contra R$ 6.639,00 (média do Brasil); já o salário médio da indústria (ensino médio completo) é de R$ 2.933,00 contra R$ 2.499,00 (média do Brasil).
Nova Indústria Brasil e o projeto para o Brasil 2050: um olhar estratégico para o futuro sustentável
Ciente de seu papel transformador e da necessidade de adaptação aos novos paradigmas globais, a CNI lidera iniciativas estratégicas para modernizar e fortalecer o setor industrial brasileiro. A Nova Indústria Brasil surge como um marco estratégico para a reindustrialização e o desenvolvimento sustentável do país. O plano oferece um caminho claro e instrumentos eficazes para lidar com os grandes desafios globais da atualidade, como a transição energética para fontes mais limpas, a constante necessidade de inovação tecnológica e as complexas tensões geopolíticas que redefinem as cadeias de valor globais. Ao mesmo tempo, ele busca potencializar cadeias produtivas-chave para a economia nacional, garantindo um crescimento sustentável e uma inserção competitiva do Brasil na economia global, alinhada às demandas do século 21, com foco especial na sustentabilidade e na economia de baixo carbono.

Complementando essa visão de longo prazo, a CNI lançou em março o Projeto para o Brasil 2050, um plano que reúne 50 propostas para impulsionar o crescimento do país nas próximas décadas. O projeto busca fortalecer o equilíbrio fiscal, promover vantagens competitivas duradouras, melhorar o ambiente de negócios para atrair investimentos e fomentar iniciativas com alto potencial de desenvolvimento, como a economia circular, a expansão de data centers e a produção de combustíveis sustentáveis. Ricardo Alban, presidente da CNI, destaca a importância de uma reflexão profunda sobre o futuro e a construção de um pacto nacional que envolva todos os atores sociais.
“Os desafios que se acumulam na economia brasileira – fiscais, sociais e produtivos – não são novidade. Mas a complexidade do presente exige mais do que diagnósticos conhecidos: urge uma ação coordenada, espírito público e visão de futuro. O tempo das soluções improvisadas ficou para trás. Se quisermos um amanhã mais próspero, é preciso construí-lo a partir de um presente sólido, ancorado numa economia forte, moderna e inclusiva”, afirmou o presidente da CNI.
Superando o Custo Brasil: desafios estruturais e caminhos para a competitividade
Apesar de sua força e potencial inegáveis, a indústria brasileira enfrenta um grande e persistente obstáculo que freia seu desenvolvimento: o Custo Brasil. Este termo, cunhado em 1995 pela própria CNI, refere-se ao conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que prejudicam o ambiente de negócios do país. Ele encarece os custos das empresas, atrapalha investimentos essenciais e compromete severamente a competitividade dos produtos e serviços brasileiros no mercado global. Estima-se que o Custo Brasil represente um ônus financeiro de R$ 1,7 trilhão por ano, uma fatia considerável que equivale a 20% do PIB brasileiro, impactando diretamente a vida de todos os cidadãos através de preços mais altos e menor oferta de produtos e serviços.
Os principais entraves identificados pela CNI, com base em pesquisas e diálogos com o setor, são:
- • Sistema tributário complexo e oneroso: Para 70% dos empresários, é o maior entrave. A CNI defende que a reforma tributária é uma chance ímpar de simplificar e racionalizar um sistema hoje muito complexo, cumulativo e que prejudica principalmente a indústria.
- • Falta de mão de obra qualificada: Apontada por 62% dos entrevistados como o segundo principal entrave, reflete a dificuldade histórica do Brasil em melhorar a qualidade da educação e a formação de profissionais em áreas estratégicas como ciência, tecnologia e inovação.
- • Financiamento do negócio e segurança jurídica: Com 27% e 24% respectivamente, o acesso e o custo do crédito, juntamente com a instabilidade jurídica, desestimulam investimentos. A CNI critica veementemente os juros altos, como a taxa Selic a 14,5% ao ano, como um desestímulo direto ao investimento produtivo, defendendo um corte substancial na taxa de juros para viabilizar projetos de investimento e garantir a continuidade do crescimento econômico.
Para combater o Custo Brasil, a CNI lançou em 2025 uma campanha específica, divulgando pesquisas e caminhos para superar esses problemas. A atualização da mandala Custo Brasil, em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), trará novos dados em 2026, reforçando a necessidade de ações coordenadas e políticas públicas eficazes para desatar esses nós que impedem o pleno desenvolvimento industrial.
Campanha “A Indústria é Mais Brasil”: conectando a indústria à sociedade
No Dia da Indústria, a CNI celebra não apenas um setor econômico, mas a força criativa e transformadora que impulsiona o Brasil. A entidade acredita que a indústria é a vanguarda que, com inovação, sustentabilidade e investimento contínuo em capital humano, constrói um Brasil mais forte, inovador, conectado e com oportunidades para todos.
Em sua nova campanha “A indústria é Mais Brasil”, a entidade faz um convite para olhar a indústria com outros olhos, mas também um reforço ao sentimento de brasilidade. Mais do que destacar resultados, a campanha quer despertar o orgulho do Brasil que cria, que transforma e que entrega ao mundo soluções. Um Brasil que está em alta no movimento global de valorização do Brasil Core, da nossa cultura, da nossa criatividade e do nosso jeito único de fazer, e que ganha forma concreta por meio da indústria.
“Essa campanha reforça o papel da indústria no desenvolvimento de um país cada vez mais inovador, competitivo e preparado para o futuro. A indústria está presente no avanço de tecnologias, na criação de melhores empregos, na formação de profissionais e em soluções que impactam diretamente a vida de todos os brasileiros”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
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