Iniciativas lideradas pelo RH incluem programas de liderança, apoio à maternidade e ações de bem-estar para promover desenvolvimento profissional feminino
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem se consolidado também como um momento de reflexão dentro das empresas sobre o papel das organizações na promoção da igualdade de gênero. Mais do que ações simbólicas, muitas companhias têm buscado estruturar políticas permanentes voltadas ao acolhimento, desenvolvimento e fortalecimento da presença feminina no ambiente corporativo, com iniciativas conduzidas principalmente pelas áreas de Recursos Humanos
Esse movimento surge em um contexto em que as mulheres ainda enfrentam desafios significativos no mercado de trabalho, especialmente relacionados à sobrecarga, saúde mental e oportunidades de crescimento. Estudos recentes indicam que as mulheres concentram a maioria dos diagnósticos de Síndrome de Burnout, o que reforça a importância de ambientes organizacionais mais atentos às condições de trabalho, ao bem-estar e às necessidades específicas das colaboradoras.
Outro levantamento, o estudo “Oldiversity”, da Croma Consultoria, revela que 74% das mulheres afirmam que, à medida que conquistam mais espaço no mercado de trabalho, também enfrentam aumento no acúmulo de funções e responsabilidades. O dado indica que o crescimento profissional muitas vezes vem acompanhado de maior sobrecarga, o que reforça a necessidade de políticas corporativas voltadas ao equilíbrio e ao apoio no dia a dia.
Diante desse cenário, muitas empresas têm estruturado iniciativas que buscam não apenas ampliar a presença feminina em seus quadros, mas também garantir condições reais de permanência e crescimento dentro das organizações.
Na Solar Coca-Cola, por exemplo, o fortalecimento da participação feminina faz parte da estratégia da companhia. Segundo Emiliana Albanaz, diretora de Recursos Humanos da empresa, o avanço das mulheres é tratado como um fator diretamente ligado ao desempenho organizacional. “Na Solar, entendemos que o avanço feminino não é uma meta numérica isolada, mas um pilar estratégico da nossa competitividade”, afirma.
Em 2025, a empresa registrou seu maior índice histórico de representatividade feminina, com 26% do quadro de colaboradores formado por mulheres e 33% das posições de gerência ocupadas por elas, índice acima da média do setor industrial brasileiro. Entre as iniciativas adotadas estão programas de capacitação oferecidos pela Universidade Corporativa da companhia, o Universo Solar, além de ações de mentoria e políticas de apoio à parentalidade, como licença-maternidade estendida e salas de amamentação nas unidades.
Na Fortes Tecnologia, a presença feminina também tem sido resultado de um trabalho contínuo de desenvolvimento e valorização profissional. Atualmente, 51% das posições de liderança da empresa são ocupadas por mulheres. “Um número que foi construído com intenção, mantido, cuidado e renovado a cada decisão”, destaca Socorro Silveira, diretora executiva de Cultura e Gestão da empresa.
Entre as iniciativas voltadas ao fortalecimento da liderança feminina está o programa Elas Transformam, que reúne colaboradoras em um espaço de desenvolvimento profissional, troca de experiências e construção de novas habilidades voltadas à gestão.
O fortalecimento de ambientes mais inclusivos também passa pela criação de espaços de escuta e diálogo dentro das organizações. Na Nacional Comunicação, em Brasília, a CEO Audrey Buglian explica que a empresa tem ampliado políticas voltadas ao desenvolvimento profissional das mulheres e ao fortalecimento de uma cultura organizacional mais sensível às questões de gênero.
“Promover um olhar específico e sensível para as mulheres não é apenas uma ação de inclusão, mas parte de uma cultura organizacional que fortalecemos e estruturamos cada vez mais”, afirma.
Entre as iniciativas implementadas estão programas de capacitação voltados à liderança feminina, políticas de apoio ao bem-estar e a criação de espaços internos para troca de experiências entre as colaboradoras. A empresa também iniciou uma ação voltada à implementação de uma política interna de combate à violência contra a mulher, com foco em conscientização e criação de canais de apoio.
Na Gestart Condomínios, o olhar para a valorização feminina está ligado ao desenvolvimento humano e à construção de um ambiente organizacional baseado em cuidado e respeito. Atualmente, a empresa conta com 120 mulheres em seu quadro de colaboradores, número superior ao de homens, além de forte presença feminina em cargos de liderança. “Buscamos olhar para as mulheres não apenas a partir de políticas formais, mas principalmente por meio de uma cultura de cuidado, respeito e valorização no dia a dia”, explica Bruna Lia, diretora de desenvolvimento humano da empresa.
Entre as iniciativas estão ações voltadas à saúde mental, inteligência emocional e qualidade de vida no trabalho, além de programas de desenvolvimento que estimulam o crescimento profissional e a participação feminina em posições de liderança.
Com iniciativas como essas, empresas têm buscado transformar o Dia Internacional da Mulher em mais do que uma data comemorativa. A criação de políticas estruturadas, aliadas a uma cultura organizacional mais inclusiva, tem sido vista como um caminho para promover ambientes de trabalho mais equilibrados, inovadores e representativos.
