A publicidade e os desafios da comunicação pública em tempos de múltiplos públicos e plataformas
Comunicar para todos é um desafio que atravessa a publicidade há muito tempo, mas que ganha novos contornos quando o assunto é comunicação pública. No Dia do Publicitário, mais do que celebrar campanhas criativas, é fundamental reconhecer o trabalho de quem precisa pensar mensagens que alcançam muitas pessoas, sem perder a responsabilidade e o sentido social.
Quando a comunicação parte do governo, o público não é um grupo específico, segmentado por interesse ou comportamento de consumo. É a população inteira, formada por pessoas de diferentes classes sociais, idades, níveis de escolaridade, territórios e hábitos. Nesse cenário, o papel do publicitário se transforma. Ele deixa de falar apenas com um público-alvo bem definido e passa a lidar com uma diversidade de realidades que coexistem, mas nem sempre se encontram.
É nesse ponto que a estratégia se torna tão importante quanto a criação. Pensar comunicação pública exige olhar atento para quem está do outro lado da mensagem, entender como essa informação chega, por onde circula e quais barreiras podem surgir no caminho. O desafio não é apenas ser visto, mas ser compreendido. E isso envolve escolhas cuidadosas de linguagem, formato e meio, sempre considerando que uma mesma mensagem pode ser recebida de maneiras muito diferentes.
Para Allan Victor, head de criação da EBMQUINTTO, agência que assina a comunicação do Governo do Estado do Ceará, a clareza é um dos pilares desse processo. “Nosso principal foco é a utilização da ‘linguagem simples’, uma técnica que visa garantir a clareza na comunicação, tornando o texto acessível e compreensível para pessoas com diferentes níveis de escolaridade”. A ideia é reduzir ruídos e aproximar a informação do cotidiano das pessoas, sem comprometer o conteúdo que precisa ser transmitido.
Campanha da EBMQUINTTO para o Governo do Estado do Ceará
Esse cuidado não surge de forma intuitiva. Ele é construído a partir de pesquisa, observação e entendimento dos hábitos da população. O publicitário, nesse contexto, atua como alguém que analisa comportamentos. A mensagem não nasce pronta, ela é moldada para dialogar com realidades distintas e, ao mesmo tempo, manter uma unidade.
Outro desafio central da comunicação pública está na disputa pela atenção. Hoje, as mensagens governamentais não competem apenas com outras campanhas, mas com vídeos curtos, memes, conteúdos de entretenimento e a rotina digital das pessoas. Pensar comunicação, portanto, também é pensar em como se inserir nesse fluxo sem perder a seriedade e a responsabilidade que a informação exige.
Allan destaca que essa adaptação precisa ser feita com cuidado. “Buscamos criar peças que se integrem ao fluxo do feed, capturando a atenção do público com conteúdos relevantes que despertem seu interesse. Sempre mantendo a clareza das informações, pois a comunicação governamental precisa priorizar o entendimento da mensagem”. A lógica muda conforme o meio, mas o compromisso com a compreensão permanece.
Falar na televisão, nas redes sociais ou por meio de mídia urbana não é a mesma coisa. Cada espaço exige uma abordagem diferente, um ritmo próprio e uma forma específica de construir a mensagem. O publicitário é quem entende essas diferenças e adapta cada peça ao meio, sem perder o foco central da campanha.
No Dia do Publicitário, celebrar a profissão é reconhecer esse trabalho invisível, mas essencial, de quem constrói pontes entre instituições e pessoas. Comunicar para todos não é simples, mas é justamente nesse esforço de entender a diversidade e transformar informação em diálogo que a publicidade reafirma seu papel social e sua importância dentro da comunicação pública.
