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Entrevista com Mauro Costa, diretor da AD2M Comunicação

Redação

Mauro Costa é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e tem mais de 25 anos de experiência no mercado da Comunicação Corporativa, tendo começado sua carreira como assessor de imprensa do Instituto Brasil-Estados Unidos no Ceará (IBEU-CE). Sócio-fundador e Diretor de Comunicação Institucional da AD2M Engenharia de Comunicação, onde responde pela coordenação e atendimento a clientes nacionais e regionais, empresarias e associativos em setores distintos, como indústria, comércio, varejo, serviços, cultura e eventos. Também é sócio-fundador da agência Loa Publicidade.

 

Como começou sua carreira na Comunicação?

Olhando hoje com atenção, posso dizer que eu comecei nessa caminhada da Comunicação ainda em meus tempos de Colégio Cearense. Participei do grêmio estudantil uma vez e me chamaram para editar o jornal do colégio. Quando fui fazer Vestibular, escolhi Comunicação Social por afinidade, mas também naquela de não saber ainda que carreira seguir. Hoje vejo que foi uma boa decisão.

Tive alguns estágios curriculares, bem breves, em veículos de comunicação, na então rádio AM do Povo e no Diário do Nordeste. Mas meu primeiro estágio foi logo em Assessoria de Imprensa, no caso o departamento de Comunicação da Teleceará, comandado pelo jornalista Augusto César Costa, que me ensinou a base do que aprendi em Comunicação Corporativa. E de lá, quando terminou meu estágio, ele me indicou para estruturar uma área de Comunicação no Instituto Brasil-Estados Unidos no Ceará, o IBEU, centro binacional onde eu, por coincidência, tinha sido aluno de inglês.

Lá fui recebido pelo meu mestre Prof. Luís Campos, com quem havia estudado na UFC, e ele me deu carta branca para montar e estruturar esse departamento. Lá eu consegui terminar a Faculdade, me formar e ao mesmo tempo ser contratado como assessor de imprensa, função que foi criada no organograma da empresa. Permaneci quase dois anos no IBEU, quando recebi um convite para compor equipe na Assessoria de Imprensa do Governo do Ceará, no Cambeba, na época do Gov. Tasso Jereissati.

Foi uma experiência enriquecedora, por ser no setor público, por ter me permitido conhecer muitas pessoas e me por ter aberto portas para o movimento seguinte, que foi a montagem da AD2M Engenharia de Comunicação, em 1996, com os meus amigos de Universidade e que estavam na mesa equipe do Governo, Ana Maria Xavier, Apolônio Aguiar e Djane Nogueira, além da jornalista Débora Cronemberger, que conheci lá. De lá para cá já são 24 anos de trajetória na agência, acompanhando todas as tendências de mudanças na Comunicação nessas mais de duas décadas.

 

Quais foram as principais conquistas que teve na Comunicação?

Antes de tudo foi conseguir longevidade no mercado. Não é tarefa simples manter uma agência de comunicação por tanto tempo, buscando sempre acompanhar as mudanças, que são não apenas do ponto de vista técnico, mas em tecnologia, em processos, o próprio mundo veio mudando de maneira intensa. Para mim, considero uma vitória manter-se atento às mudanças do mercado se reinventar para oferecer aos seus clientes o que há sempre de eficaz e atual comunicação corporativa.

A AD2M já foi premiada quatro vezes como a agência mais influente do Nordeste no Prêmio Top Mega Brasil de Comunicação Corporativa (2015, 2016 e 2018) e a segunda mais influente do Brasil em 2018. Também fomos vitoriosos no Prêmio Aberje regional Nordeste por duas vezes e recebemos Menção Honrosa no Prêmio IAB-CE de Gentileza Urbana, com a campanha “Eu Faço Trânsito Leve”.

Pessoalmente, sou muito feliz pela rede de relacionamentos tão produtiva e rica construída ao longo a minha carreira.

 

Quais os desafios que surgiram estando à frente da AD2M?

Para nós, mais do que as questões técnicas e ligadas à Comunicação, que são bem difíceis, mas fazem parte da nossa formação profissional e da nossa vida diária, desafio mesmo considero ser gestor, conduzir uma empresa e ser líder, todos os aspectos ligados à condução da agência. Isso não fez parte da nossa formação básica, acabamos entrando no mercado e sendo consumidos pelo dia-a-dia e não fomos estudar para sermos gestor. Isso para mim pode ser considerado o desafio maior que continuamos vivenciando até hoje.

 

Sobre esse momento em relação a saúde e economia. Muitas empresas tiveram que se reorganizar financeiramente, e um dos campos mais afetados foi a comunicação. Como vocês se reinventaram nesse sentido?

É inegável que a pandemia teve impactos sobre todos nós, individualmente e coletivamente, na nossa saúde financeira pessoal e nos nossos negócios. Assim foi com praticamente todos os mercados, o que acabou afetando as empresas e, consequentemente, muitos dos nossos clientes, que precisaram fazer movimentos de mercado para se manter saudáveis economicamente.

Com isso, tivemos algumas alterações no formato de atendimento a alguns clientes e outras mudanças operacionais que nos fizeram olhar para dentro da empresa ao máximo e ver o que poderíamos fazer para, nós também, nos mantermos em condições de seguir prestando os serviços com a mesma qualidade, mas sem sacrificar a agência. A nossa reinvenção ainda está sendo construída com essa reestruturação financeira interna, observando o centro de custos, reavaliando processos que podem ser alterados para economizar e, em paralelo, estudando constantemente as mudanças do mercado para saber onde queremos e devemos estar daqui a alguns meses.

 

A imprensa no auge da pandemia se fechou muito para atender demandas da assessoria, como você conseguiram driblar esse tipo de comportamento?

Notamos isso em alguns momentos pontuais, por questões mais operacionais mesmo dos veículos de comunicação, com a redução de espaços, fechamento de alguns veículos ou diminuição de equipes. Mas, em paralelo, vimos também a imprensa entendendo cada vez mais a importância das empresas para esse processo de sobrevivência da nossa economia. Com isso, abriram-se espaços muito generosos para se mostrar iniciativas positivas que estão ajudando a sociedade. Além do mais, o que é notícia, que tiver interesse público amplo, for algo que vá impactar a sociedade, sempre será olhado de maneira atenta pela imprensa, que reforçou nesse período de pandemia o seu papel de credibilidade e de fonte de informações na qual se pode confiar.

 

Um dos principais impactos na comunicação foi a mudança nas entrevistas, foi comum enviar vídeos, fazer entrevistas por vídeo chamada. Você acha que essa tendência vai se manter?

Essa era uma tendência que já vinha de alguma maneira sendo normalizada e utilizada antes dessa realidade advinda da pandemia. Foi mais um dos inúmeros processos acelerados por uma realidade que exigiu novas formas de agir e fazer as coisas, por questões sanitárias antes de tudo, mas também de logística, operacionais.

Todos acabamos precisando nos adaptar a esses novos formatos, treinar novamente os executivos dos nossos clientes para esses formatos diferenciados de aparições e ajustar até a maneira com as quais as mensagens precisam ser repassadas. Não só em forma, mas em conteúdo. Acredito que haverá uma acomodação quanto se puder voltar à circulação mais ampla de pessoas e o ritmo da sociedade retornar a algo parecido com o que se tinha. A meu ver, esses novos formatos de entrevistas permanecerão, e talvez até algo novo possa surgir, mas a maneira tradicional não deixará de ser utilizada.

 

Outro ponto muito importante da pandemia foi a reorganização das agências. Tivemos que nos adaptar ao home office, qual a sua perspectiva sobre esse modelo de trabalho?

Fomos surpreendidos positivamente com o home-office, por uma necessidade, é bem verdade, porque esse nunca foi um formato que tivéssemos pensado para a nossa agência. Foi um dos grandes aprendizados dessa pandemia, pois estamos trabalhando ainda de maneira remota com a ampla maioria da equipe, salvo as funções que necessitam de presença física por questões operacionais, mas é uma minoria e com todos os cuidados.

Tem funcionado bem, não vai substituir o formato presencial, na nossa avaliação, mas poderá nos dar flexibilidade para pensar modelos de trabalho diferenciados, seja na presença das pessoas, seja na questão de horários e dias de trabalho, seja na condição de se permitir trabalhos remotos por projeto, facilitando a concentração e a dedicação. Isso era algo, para nós, impensável até o começo desse ano.

São os diversos aprendizados que um momento tão delicado como esse pode nos trazer, desde que estejamos com a mente aberta para entendê-lo em sua plenitude. Se a humanidade como um todo não teria como sair a mesma de um desafio desses, não seria a Comunicação a fugir dessa tendência.

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