Quando o setor fitness ainda concentrava esforços nos 4% da população que já frequentavam academias, a Greenlife decidiu mirar justamente no outro extremo: os 96% que estavam fora desse universo. Da leitura de consumo à escolha de pontos dentro de supermercados, passando por uma cultura centrada em pessoas e pela convivência com um dos mercados mais competitivos do país, a marca nascida no Nordeste construiu um modelo que agora acelera sua expansão para São Paulo. Na entrevista, o executivo detalha como concorrência, dados e comportamento do consumidor moldam uma estratégia que aposta menos no óbvio e mais no território ainda inexplorado do bem-estar.
NOSSO MEIO | Quando o mercado fitness olhava para os 4% da população que já frequentavam academias, você decidiu olhar para os outros 96%. O que essa escolha ensinou sobre inovação e leitura de consumo?
Fernando Braga: Realmente, escolher os 96% era mais lógico para mim: a gente conquistar e brigar por esse 96% do que pelos 4%. Então, isso ensinou que a visão não é só do consultor. Às vezes você tem que olhar e acreditar no seu negócio. E desenhar o negócio para os 96% do mercado.
NOSSO MEIO | A Greenlife nasceu no Nordeste e agora acelera sua expansão para São Paulo. Quais fatores foram determinantes para transformar uma marca regional em uma empresa preparada para competir nacionalmente?
Fernando Braga: Um dos motivos que fez a gente ir para a parte nacional, transformar a marca de regional nacional, foi a questão da concorrência. A gente está hoje no mercado muito competitivo aqui no Ceará, onde tem mais academia do que farmácia, e se a gente está aqui e se dando bem aqui, quando a gente fosse para fora, a tendência era poder se dar bem também pelo nível de concorrência que a gente já enfrentava aqui. Então, uma das coisas é que a gente estava preparado para competir porque o dever de casa daqui estava feito e pronto para fazer um novo dever de casa fora.
NOSSO MEIO | Você costuma afirmar que o único diferencial que a concorrência não consegue copiar são as pessoas. Em um cenário cada vez mais tecnológico, como equilibrar inovação e capital humano?
Fernando Braga: Realmente, um diferencial que a concorrência não consegue se igualar está nos treinamentos, na capacitação e no nível dos funcionários que a Greenlife tem hoje. A gente tem uma ideologia e um conceito já formado. Nosso ecossistema hoje é favorável e mais difícil de ser copiado. Então, um grande diferencial nosso realmente são as pessoas: acreditar nelas e fazer a diferença por meio delas.
NOSSO MEIO | Sua experiência no varejo ajudou a criar uma estratégia pouco convencional de expansão, levando academias para áreas integradas a supermercados. Como a análise de dados e comportamento do consumidor influencia suas decisões de negócio hoje?
Fernando Braga: A gente faz um estudo de geolocalização. O supermercado tem ajudado a gente por ele levar os consumidores e a gente entender um pouco de varejo. Então o fato de já conhecermos o público e a região faz uma total diferença na expansão e na decisão dos negócios. Então a visão do varejo ajuda muito dentro da academia.
NOSSO MEIO | O mercado de bem-estar passa por transformações impulsionadas por tecnologia, personalização e mudanças no comportamento do consumidor. Como você imagina a academia do futuro e qual papel a Greenlife pretende ocupar nessa evolução?
Fernando Braga: A tecnologia e a mudança de comportamento estão influenciando diretamente no fitness. Então assim, você consegue ter uma performance melhor, um comportamento diferenciado, o consumidor ele vem através de novas experiências e serviços, que eu acredito que a Greenlife vai se posicionar por ter um serviço diferente. E a evolução do nosso serviço faz a gente sempre ficar na frente, ou tentar ficar na frente. Eu acredito que isso vai ser a nossa diferenciação nos próximos anos.
