Métrica x Reputação

Por Redação

03/09/2026 09h31

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O que a performance tem feito com as marcas e como as  ferramentas de IA vão virar o jogo novamente a partir de agora

Quem trabalha com construção de marca carrega um sofrimento histórico: conseguir  orçamento. Conseguir, justificar, aprovar e até usar – sim, porque quantas vezes, você  aí meu amigo, minha amiga, já contou com o investimento anual aprovado e o viu  minguar mês a mês, na medida em que uma área ou outra do negócio não foi bem,  não entregou o resultado esperado e o primeiro investimento a ser cortado foi o do  Marketing? 

Mas então veio a pandemia em 2020 e impulsionou fortemente a presença das  empresas no Digital. Esse movimento fez com que quem não tinha e-commerce,  passasse a ter; site que servia apenas como cartão de visita, passou a ser trabalhado  pra gerar venda. Começamos, então, a sentir a possibilidade de melhor tangibilizar as entregas nas diversas frentes de atuação do Marketing. A partir desse movimento,  chegamos aonde estávamos até agora, com resgate do fomento ao funil de vendas,  aos trabalhos de SEO, tráfego, performance e toda a jornada que a gente bem  conhece- tudo setado pra geração de lead qualificado e conversão. Mas jornada do cliente não é só funil de vendas. E jornada é o que entrega experiência, experiência é o que engaja e o que engaja é que constrói reputação positiva.

A priori, a métrica serviu como um remédio ao sofrimento de conseguir, enfim, justificar a necessidade de orçamento para trabalhar o braço de Comunicação. A promessa era boa. Conseguir medir tudo o que era investido e assim prosperar com assertividade. Mesmo com as dificuldades para qualificar o lead, alinhar as atuações entre Marketing e Comercial e entender o quê era papel de quem, o mercado passou a  olhar para métricas que, de alguma forma, valoravam o retorno sobre os  investimentos. Mas note que comecei este parágrafo usando o termo “a priori”. Sim, porque o que veio depois nos trouxe ao cenário em que vivemos hoje: relações meramente transacionais, comunicação que só grita preço e venda e não constrói  relacionamento, não constrói marca, não entrega perpetuidade.

Para agravar o quadro, os custos de tráfego para performance estão batendo na estratosfera. O lead está saindo caro, muito caro. Era até óbvio, nunca existiu almoço grátis, a conta real iria chegar. Alguém tinha que ganhar dinheiro nessa história e a Meta, os Ads em geral,  foram todos garantir seu lugar ao sol. Depois que o modelo estava instalado, o  anunciante teve de ir pagando cada vez mais para ver sua oferta relevante. Orgânico? Esqueça. Já nem valia mais gastar energia.

Mas o que o que muda agora? Setembro de 2026, dias atuais e o plot twist com as IAs. Mudam novamente as regras do jogo. Muda a forma como as respostas ao consumidor serão entregues. Seja qual for o buscador, em qual plataforma for, sua marca não vai mais aparecer ou ser recomendada por investir mais. O algoritmo mudou. O jogo é outro e Reputação nunca esteve tão em alta. Sabe aquele trabalho de construir marca, posicionamento, relevância e comunidade? Pois é, ele se faz mais necessário que nunca. A partir de agora passa a funcionar assim: seu negócio será ou não relevante a ponto de ser apontado como uma solução, numa resposta recomendada por uma IA, se o que dizem dele tiver força para tanto. E construção de reputação se dá em tantas frentes, tantas dimensões – tantas camadas, pra usar o termo da vez, que valeria outra coluna sobre.

É isso, pessoal. Como compartilhou comigo, dias atrás, o querido Fernando Hélio, aqui do Nosso Meio, em uma entrevista do David Aaker à Exame. Gênio quando se fala em valor de marca, Aaker trouxe o seguinte paradoxo: “nunca tivemos tantas ferramentas para gerar resultado no curto prazo e, ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão  fácil destruir valor de longo prazo usando exatamente essas mesmas ferramentas”. 

E para não dizer que não falei de flores, a notícia boa é que o jogo está ficando mais democrático. Daqui pra frente, não ganha a marca que pode investir mais, ganha a que mais fez por merecer. 

Coluna Marketar. Mkt no verbo, em ação, pensada e escrita por uma humana inquieta e em aprendizado constante.

Camila Coutinho
Consultora em Estratégia, Marketing e Branding e Fundadora da Nexum Mkt e Resultados
Camila Coutinho é Mestre em Administração com ênfase em Mercado, Estratégia e Finanças, especialista em Marketing, professora da Pós-Unifor e apaixonada pelo mercado, por gente e por resultados. Cursou Estrategic Business na Columbia University (NY) e atua há 26 anos no mercado, nas áreas Comercial e Marketing, entregando resultados positivos na última linha, em empresas de pequeno, médio e grande porte dos setores da Indústria, Serviços e Varejo.