18ª Edição

Entrevista | Os bastidores e o êxito do Grupo Asa Branca

Por Redação

24/03/2026 13h45

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Com mais de quatro décadas de história, o Grupo Asa Branca consolidou-se como um dos nomes mais tradicionais da indústria de bebidas no Ceará, construindo sua trajetória a partir da adaptação ao mercado e forte conexão com o consumidor regional. À frente da empresa, o CEO Marcus Gondim acompanha de perto as transformações no comportamento de consumo, os desafios logísticos do setor e a necessidade constante de equilibrar tradição de marca com renovação de portfólio.

Gondim destaca as decisões estratégicas que mantiveram a empresa competitiva ao longo do tempo, a importância da distribuição própria, o papel da inovação, que vai do pioneirismo no vinho de caju à criação de produtos alinhados às novas demandas de saúde e bem-estar, e a evolução do seu estilo de liderança dentro de uma organização que segue se reinventando sem perder suas raízes.

NOSSO MEIO | A Asa Branca possui mais de 45 anos de história. Que decisões estratégicas foram determinantes para a empresa chegar até aqui competitiva em um mercado disputado como o de bebidas?

Marcus Gondim: Valorizar e atualizar a apresentação dos principais produtos e estar sempre inovando. Além disso, lançando novos produtos dentro das tendências de mercado e, algumas vezes, criando produtos como o vinho de caju Siará.

NOSSO MEIO | Em um mercado cada vez mais atento a hábitos de consumo, como vocês identificam oportunidades para lançar novos produtos ou reposicionar marcas já consolidadas?

Marcus Gondim: Isso se dá muito através das nossas redes sociais. É por lá que a comunicação com nosso público consumidor é mais forte. Não só para o setor de bebidas, mas para todos os segmentos de consumo.

NOSSO MEIO | Produtos como o Siará Zero dialogam com tendências de saúde e bem-estar. Como a Asa Branca equilibra tradição de marca com inovação no portfólio?

Marcus Gondim: Existe um grande mercado que consome e opta pelos produtos que lhe dão prazer e satisfação, mesmo que ricos em açúcares, gorduras, lactose, glúten e etc. Então, temos que atender a este consumidores. Contudo, alguns produtos precisam estar ligados à saúde e bem-estar, tendências cada vez mais fortes.

NOSSO MEIO | A competitividade no setor de bebidas passa por logística, distribuição e presença no ponto de venda. Onde estão hoje os maiores desafios operacionais para a indústria?

Marcus Gondim: A distribuição e logística funcionam melhor quando a própria indústria realiza essas operações. Mas são operações com custos elevados. Entregar para grandes distribuidores reduz os custos, mas perde-se um pouco a atenção nas operações. A Asa Branca buscou solucionar este desafio, fundando uma distribuidora própria do grupo. A atenção e o foco nos nossos produtos foi aliado com a redução dos custos operacionais, com outras indústrias parceiras que compõem o mix da distribuição Asa Branca.

NOSSO MEIO | Como CEO, qual é o seu estilo de liderança em uma empresa com mais de quatro décadas de trajetória e o que você preserva da cultura construída?

Marcus Gondim: Ao longo dos anos, pela experiência, o estilo de liderança vai mudando. No início era uma liderança centralizadora. Hoje divido com a nova geração a administração da empresa, e com uma competente equipe de líderes setoriais.

NOSSO MEIO | Indústrias tradicionais muitas vezes enfrentam resistência à mudança. Como você conduz processos de inovação sem perder a identidade da Asa Branca?

Marcus Gondim: Na verdade, a inovação sempre fez parte do nosso DNA. Fomos a primeira empresa a envasar vinhos no estado do Ceará. A primeira a desenvolver “vinho” feito de Caju, que originou a linha da marca Siará, que hoje conta com refrigerantes, cajuína, etc. E a cada ano enxergamos como o mercado está cada vez mais dinâmico e cabe a nós acompanhar as tendências de consumo.

NOSSO MEIO | Quais indicadores você acompanha com mais atenção para garantir crescimento sustentável, especialmente em um cenário de mudanças no comportamento do consumidor?

Marcus Gondim: Nos últimos anos temos focado bastante em distribuição e cobertura, aumentando o número de clientes. Em relação a mudança no perfil de consumo, hoje em dia muito se busca produtos com menor teor alcoólico, com menos açúcares e mais saudáveis. Recentemente fomos pioneiros no lançamento do primeiro refrigerante de Caju ZERO adição de açúcar do país.

NOSSO MEIO | Olhando para o futuro, qual é o próximo grande passo da Asa Branca no mercado de bebidas e como você quer que a empresa seja lembrada nos próximos anos?

Marcus Gondim: Acreditamos no básico bem feito. Nosso próximo passo é buscar atender com cada vez mais qualidade e agilidade nossos clientes. Cada vez mais o mercado trabalha sem grandes estoques e a logística ágil é um grande diferencial de mercado. Em relação ao legado, gostaríamos de ser lembrados por cearenses comuns, trabalhadores, com espírito de inovação que produzem sempre produtos de qualidade.