À frente da área financeira da Somapay, Ana Beatriz Passos acompanha de perto as transformações que vêm redesenhando o mercado, da digitalização dos serviços financeiros à consolidação do Nordeste como um polo cada vez mais relevante para os negócios. Para a executiva, o crescimento sustentável de uma empresa depende menos da velocidade da expansão e mais da capacidade de gerar valor com disciplina. Nesta entrevista, ela fala sobre liderança, inovação e as oportunidades que podem impulsionar a próxima geração de empresas da região.
NOSSO MEIO | Em sua trajetória na área financeira, quais mudanças mais transformaram o papel do CFO nos últimos anos e como isso impacta a tomada de decisões nas empresas?
Ana Beatriz: Ao longo da minha trajetória no mercado financeiro, a maior transformação que observei foi a evolução do CFO de um profissional focado essencialmente em controles, orçamento e compliance para um agente estratégico, exigindo deste profissional conhecimento do negócio, de pessoas, utilização de dados, tecnologia e inteligência de mercado para apoiar decisões mais assertivas, mantendo o equilíbrio entre inovação, rentabilidade e sustentabilidade financeira.
NOSSO MEIO | Como CFO de uma fintech nordestina em expansão, quais são os maiores desafios para equilibrar crescimento, rentabilidade e sustentabilidade financeira em um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e maior exigência por eficiência?
Ana Beatriz: O grande desafio é crescer sem perder a disciplina financeira, envolvendo todos que de alguma forma tomam decisões de investimentos para que sejam ainda mais criteriosas e orientadas por geração de valor. Na Somapay, entendemos que crescimento sustentável não significa apenas ampliar receitas ou conquistar novos mercados. Significa construir uma operação eficiente, escalável e capaz de gerar resultados consistentes ao longo do tempo. Para isso, buscamos manter uma gestão próxima dos indicadores, investir continuamente em tecnologia e aprimorar processos que aumentem produtividade. Acredito que as empresas que conseguirão se destacar nos próximos anos serão aquelas capazes de equilibrar inovação com eficiência operacional, mantendo foco permanente na experiência do cliente e na saúde financeira do negócio.
NOSSO MEIO | A Somapay atua na interseção entre tecnologia, serviços financeiros e gestão de pessoas. Como você enxerga a evolução do comportamento de consumo dos trabalhadores e das empresas nordestinas nos últimos anos, especialmente no que diz respeito à digitalização financeira?
Ana Beatriz: Nos últimos anos, vimos trabalhadores e empresas adotarem soluções digitais com uma grande velocidade. O consumidor está mais conectado e busca experiências simples, rápidas e personalizadas. Ao mesmo tempo, as empresas passaram a compreender que a digitalização financeira não é apenas uma questão tecnológica, mas uma ferramenta estratégica para ganho de eficiência, controle e competitividade. No Nordeste essa evolução tem seguido às demais regiões brasileiras, absorvendo inovação e criando soluções adaptadas às necessidades dos consumidores. Hoje, vemos empresas e trabalhadores cada vez mais abertos a novas formas de relacionamento financeiro, o que amplia oportunidades para inclusão, desenvolvimento econômico e geração de valor.
NOSSO MEIO | Quais competências de liderança você considera indispensáveis para formar equipes de alta performance e preparar talentos para um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e tecnológico?
Ana Beatriz: A liderança moderna exige equilíbrio entre resultados e pessoas. O conhecimento técnico é essencial, mas não é ele que diferencia os grandes líderes. É fundamental competências como comunicação, respeito, capacidade de adaptação, visão estratégica, escuta ativa e inteligência emocional. Acredito muito na construção de equipes por meio de propósito, desenvolvimento contínuo e confiança. Profissionais de alta performance precisam entender o impacto do seu trabalho, ter clareza dos objetivos e sentir que estão evoluindo junto com a organização. Em um ambiente mais tecnológico, as habilidades humanas ganham ainda mais relevância. A tecnologia transforma processos, mas são as pessoas que transformam negócios.
NOSSO MEIO | O protagonismo do Nordeste passa também pela capacidade de criar empresas competitivas nacionalmente. Quais oportunidades você acredita que ainda estão subaproveitadas na região e que podem impulsionar a próxima geração de negócios nordestinos?
Ana Beatriz: O Nordeste vive um momento extremamente promissor. Temos uma população empreendedora, talentos qualificados, universidades de excelência e capacidade de inovação. Acredito que existem oportunidades significativas em áreas como tecnologia financeira, inteligência artificial aplicada a negócios, educação corporativa, energias renováveis e soluções voltadas para produtividade empresarial. Também vejo uma oportunidade relevante: ajudar empresas a se estruturarem para crescer. Muitas organizações possuem excelentes produtos e grande potencial de mercado, mas ainda enfrentam desafios relacionados à gestão, processos e desenvolvimento de equipes. Tenho muito orgulho de fazer parte dessa transformação e acredito que o Nordeste será cada vez mais protagonista na construção do futuro dos negócios brasileiros.
