Economia

Fora do eixo tradicional, Norte e Nordeste puxam crescimento de novos investidores

Por Redação

06/02/2026 12h18

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Crescimento acima de 100% no número de investidores nos últimos cinco anos revela a evolução do comportamento financeiro nas regiões

As regiões Norte e Nordeste registraram crescimento superior a 100% no número de investidores entre 2020 e 2025, de acordo com dados públicos da B3. Embora o Sudeste siga concentrando a maior parte dos investidores do país, o avanço observado nessas regiões indica uma ampliação gradual do acesso aos investimentos e um movimento consistente de entrada de novos investidores fora do eixo tradicional.

Esse crescimento acompanha uma tendência nacional de expansão da base de investidores pessoa física, impulsionada pela digitalização do mercado financeiro e pela maior disponibilidade de informações sobre investimentos. O movimento também reflete uma evolução no comportamento financeiro da população, com maior interesse por planejamento financeiro, organização do orçamento e alternativas à poupança, tendência observada em estudos recorrentes e em levantamentos sobre educação financeira no Brasil.

Mesmo com o comportamento observado, cerca de 30 milhões de brasileiros continuam aplicando seus recursos na caderneta, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No Norte e Nordeste, por exemplo, onde o perfil do investidor é mais conservador e a poupança ainda é muito tradicional, aproximadamente R$ 200 bilhões seguem aplicados. Esse número expressivo evidencia como fatores associados à segurança e à familiaridade continuam pesando mais do que a rentabilidade nas decisões financeiras de muitos brasileiros. 

“A poupança segue sendo o investimento mais popular do país, mas já não cumpre o papel básico de preservar o poder de compra do brasileiro. Hoje, existem alternativas igualmente seguras, com liquidez e proteção regulatória, que entregam uma rentabilidade significativamente maior, como o Tesouro Direto, por exemplo. O desafio não é apenas migrar recursos, mas ampliar o entendimento de que segurança não está mais restrita à poupança, e que planejamento financeiro é o que, de fato, protege o patrimônio no longo prazo”, afirma Larissa Falcão, sócia e líder da XP nas regiões Norte e Nordeste.

Simulações de mercado indicam que manter R$ 100 mil na poupança pode resultar em uma perda de até R$ 130 mil em 10 anos, em comparação a produtos conservadores como CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro Direto, mesmo em um cenário de juros elevados. Em 2025, mais de R$ 85 bilhões de reais foram retirados da poupança no Brasil, marcando o quinto ano consecutivo de saques líquidos, com valores maiores do que os de depósitos em 9 dos 12 meses do ano, de acordo com dados do Banco Central.

Esse avanço acompanha uma dinâmica regional relevante: de 2024 para 2025, a base de investidores pessoa física avançou cerca de 3,98% no Nordeste e cerca de 4,4% no Norte, segundo o último relatório da B3, sinalizando a consolidação dessas regiões como vetores de crescimento do mercado de capitais e reforçando o processo de descentralização do investidor brasileiro.