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Fortaleza 300 anos: como lideranças enxergam os espaços que moldam a imagem da capital

Por Redação

26/02/2026 11h39

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Foto por: Falcão Jr.

Orla, centros culturais e marcos históricos aparecem como ativos que ajudam a construir a identidade e a projeção da cidade

Quando empresários e lideranças falam sobre Fortaleza, alguns lugares aparecem com recorrência quase automática. A orla, os centros culturais, o coração histórico da cidade. Mais do que pontos turísticos, esses espaços funcionam como ativos simbólicos que traduzem valores, influenciam a dinâmica econômica e ajudam a moldar a imagem da capital dentro e fora do Ceará.

Às vésperas dos 300 anos da Capital, celebrados em abril de 2026, o Nosso Meio inicia uma série especial com publicações semanais que revisitam a cidade sob diferentes perspectivas: da força de seus símbolos urbanos aos vetores culturais e econômicos que sustentam sua projeção.

Nesta primeira reportagem, lideranças empresariais apontam quais espaços permanecem mais vivos em sua memória e ajudam a definir a imagem contemporânea de Fortaleza.

Paisagem e convivência: a força da orla

Se em outros marcos da cidade cultura e memória ajudam a explicar a identidade de Fortaleza, é na orla que paisagem, convivência e atividade econômica se encontram de forma mais direta. A Beira-Mar de Fortaleza é unanimidade quando o tema é a imagem da Capital e sua dinâmica urbana.

O espaço é apontado como símbolo, área de convivência e também como motor de atividades que impactam o turismo e o comércio local.

Wellington Oliveira, superintendente do Shopping Iguatemi Bosque

Para Wellington Oliveira, superintendente do Shopping Iguatemi Bosque, o local traduz essa força simbólica e urbana. “A revitalização da Beira-Mar resgatou a essência de um dos maiores símbolos de Fortaleza e fortaleceu ainda mais a relação da cidade com sua orla. O espaço voltou a ser plenamente vivido por moradores e turistas. Isso impacta diretamente o turismo, a economia local e o sentimento de pertencimento de quem vive aqui”.

Dr. Flávio Ibiapina, presidente da Unimed Fortaleza

Flávio Ibiapina, presidente da Unimed Fortaleza, destaca a dimensão cotidiana do espaço. “Eu gosto muito da Beira-Mar. Além de ser uma orla muito bonita, permite a prática de diversas atividades físicas, como a corrida, que eu gosto bastante de praticar por lá.”

Flávia Laprovitera, CEO da Biscoitos Briejer

Já a empresária Flávia Laprovitera, CEO da Biscoitos Briejer, associa o ponto turístico a uma experiência afetiva ligada à paisagem. “O pôr do sol ali é algo que sempre me emociona. Tem uma luz que parece abraçar a cidade inteira. É um lugar que me inspira, que me acalma e que carrega memórias muito especiais”.

Cultura e economia criativa como ativo estratégico

Se na orla paisagem e convivência impulsionam o turismo e os serviços, no campo cultural, Fortaleza consolida outro eixo importante de desenvolvimento. Equipamentos históricos e centros de produção artística ampliam a experiência urbana e sustentam atividades ligadas à economia criativa.

O Centro Cultural Dragão do Mar é um dos principais símbolos dessa dinâmica. Inaugurado em 1999, o espaço contribuiu para consolidar a Praia de Iracema como polo cultural, estimulando no entorno bares, restaurantes e serviços ligados ao entretenimento.

Para Wellington Oliveira, o equipamento expressa essa vocação. “O Centro Cultural Dragão do Mar sempre me chama atenção pela sua arquitetura única e marcante, que por si só já representa a força criativa da cidade. É um espaço vivo, que reúne teatro, cinema, museus, exposições e manifestações artísticas diversas, permitindo que cada visita seja uma nova descoberta”.

Flávia Laprovitera também associa os espaços culturais à identidade da Capital, lembrando do Theatro José de Alencar. “Além de ser um marco cultural da nossa cidade, ele tem uma arquitetura deslumbrante. Cada detalhe ali transmite arte, história e sensibilidade”.

Centro, fé e identidade popular

O Centro de Fortaleza concentra parte importante da memória urbana e da dinâmica econômica da Capital. Entre equipamentos históricos, comércio tradicional e turismo religioso, a região mantém fluxo constante de moradores e visitantes, articulando fé, cultura e empreendedorismo.

A Catedral Metropolitana de Fortaleza é um dos principais marcos desse território. Para Flávia Laprovitera, o espaço tem significado pessoal e simbólico. “Como uma pessoa de fé, esse é um lugar muito especial para mim. Seu estilo neogótico e sua imponência impressionam, mas o que mais me toca é a sensação de paz que encontro ali. É um ponto de fé e também de beleza na nossa cidade”. 

Além disso, o Centro também é marcado pela diversidade de equipamentos culturais e pelo comércio tradicional. Flávio Ibiapina destaca essa variedade. “O Centro da cidade possui vários espaços que gosto  bastante, como o Mercado Central, Catedral da Sé, Museu da Indústria, Estação das Artes, o que faz com que ele possua diversas possibilidades de passeios guiados, fator importante para apresentar o contexto socioeconômico da região”.

O peso econômico por trás do símbolo

Além da dimensão simbólica e cultural, o turismo representa um dos principais vetores econômicos de Fortaleza. Dados do Observatório do Turismo da Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor) indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, a Capital recebeu mais de 3,3 milhões de visitantes. O volume reforça a posição da cidade como um dos principais destinos do Nordeste e evidencia o peso do setor na dinâmica urbana.

O levantamento aponta ainda que a cada R$1 gasto por turistas retorna R$1,37 para a economia municipal. O indicador considera os efeitos diretos e indiretos da atividade turística, como consumo em hospedagem, alimentação, transporte e comércio, além da circulação ampliada de recursos em diferentes segmentos produtivos.

Além disso, o turismo também impacta diretamente o emprego na capital. Ainda de acordo com o levantamento, a cada R$1 milhão injetado na economia por meio do turismo, são criadas, em média, 30 ocupações diretas e indiretas. Os números ajudam a dimensionar como equipamentos culturais, orla, Centro histórico e polos gastronômicos, ao atraírem fluxo constante de visitantes, sustentam cadeias econômicas e contribuem para a geração de renda na capital.

Editorial apoiado pela Prefeitura de Fortaleza