Dados apresentados por Andrew Yonahan, da Kantar, no SXSW mostram como jovens estão dividindo custos, empreendendo em rede e buscando formas de “vencer o sistema” diante do alto custo de vida

Durante o primeiro dia de palestras do SXSW, o executivo Andrew Yonahan, da Kantar, apresentou um panorama sobre como a Geração Z está redefinindo o próprio conceito de independência financeira. Os dados revelam que muitos jovens entram na vida adulta com a percepção de que as oportunidades econômicas estão mais distantes do que para gerações anteriores. E, nesse cenário, ganha força uma estratégia prática: compartilhar a carga financeira.

A lógica do compartilhamento aparece de forma concreta no cotidiano da Geração Z. Entre esses consumidores, 62% compartilham senhas de serviços de streaming com amigos ou familiares, percentual superior ao registrado entre millennials (50%), geração X (34%) e boomers (24%). A prática de dividir recursos também aparece em outras situações, com 31% dos jovens da Gen Z afirmando pegar carona com amigos.

Mais do que hábitos isolados, esses comportamentos indicam uma mudança de mentalidade: em vez da busca por independência absoluta, cresce a ideia de organizar redes de apoio para dividir custos e riscos financeiros. O custo da moradia aparece como um dos fatores centrais dessa mudança. De acordo com os dados apresentados, a Gen Z destina em média 25% de seus gastos à habitação, acima dos millennials (22%), da geração X (20%) e dos boomers (20%).

Essa pressão sobre o orçamento ajuda a explicar outra tendência observada entre jovens adultos: a permanência mais longa na casa dos pais. Entre os jovens de 22 a 29 anos que vivem com a família, quase metade ainda recebe ajuda financeira para despesas do dia a dia, como plano de celular (49%), alimentação fora de casa (47%) e hospedagem em viagens (41%).

No pós-pandemia, voltar a morar com os pais passou a ser visto com menos estigma social, e mais como uma decisão pragmática diante do custo de vida elevado.

Outro comportamento em crescimento é o compartilhamento de compras. Segundo os dados apresentados, quase quatro em cada dez consumidores entre 25 e 34 anos dividem compras de supermercado com amigos, vizinhos, colegas de casa ou familiares.

A estratégia permite aproveitar compras em maior volume, normalmente mais baratas, sem precisar arcar sozinho com o custo total. Esse tipo de organização reforça uma lógica que aparece com frequência entre jovens consumidores: usar redes pessoais como forma de otimizar gastos.
A pesquisa também aponta uma mudança cultural relevante. A Geração Z tende a ser mais aberta ao discutir temas financeiros. Entre esses jovens, 39% dizem já ter conversado abertamente sobre salário com colegas de trabalho, número superior ao registrado entre millennials (30%) e geração X (22%).

A transparência sobre renda e custos também aparece nas redes sociais, em conteúdos que detalham rotina financeira, salário e decisões de consumo.
Outro dado apresentado por Yonahan mostra uma mudança na forma como jovens encaram oportunidades econômicas. Segundo a pesquisa, 74% da Geração Z acreditam que é preciso encontrar formas de “vencer o sistema” para conseguir o que querem, número acima da média geral da população, de 65%. Além disso, 60% dos empreendedores da Gen Z envolvem amigos em seus negócios, transformando relações pessoais em redes de colaboração profissional.


Essa percepção se reflete também no crescimento do empreendedorismo entre jovens. Em 2011, 29% diziam acreditar que teriam o próprio negócio no futuro. Em 2025, esse número subiu para 44%. Já a parcela que afirma já ter um negócio próprio passou de 5% para 19% no mesmo período.

