Piloto reuniu médicos e enfermeiros da UPA Marcanaú e do Hospital Municipal Dr. Estevam Ponte (HMEP); 92% dos participantes afirmam que a tecnologia contribuiu para seu aprendizado profissional
O Instituto de Gestão e Cidadania (IGC Brasil), organização social que administra unidades públicas de saúde, iniciou por meio do seu Laboratório de Inovação (Lab IGC) um projeto-piloto de simulação clínica imersiva em realidade virtual voltado à capacitação de profissionais da linha de frente. A iniciativa, testada na UPA Marcanaú e no Hospital Municipal Dr. Estevam Ponte (HMEP), em Sobral, reuniu médicos e enfermeiros em experiências práticas com óculos de realidade virtual, simulando cenários de urgência e emergência.
Com um óculos de realidade virtual, o profissional é colocado dentro de um cenário clínico que reproduz uma situação de atendimento. Ele precisa avaliar o caso, tomar decisões e conduzir a situação como faria na vida real.
Ao final, a experiência é discutida com a equipe para identificar acertos, dificuldades e oportunidades de melhoria, etapa conhecida como debriefing, parte de uma metodologia estruturada em cinco fases (briefing, apresentação da tecnologia, experiência em realidade virtual, debriefing e avaliação dos participantes), conduzida pela equipe do Lab IGC. O modelo permite que profissionais treinem condutas clínicas de alta complexidade em ambiente controlado, sem qualquer exposição de risco a pacientes reais.
Para a maioria, era a primeira vez diante de um óculos de realidade virtual, e mesmo assim, 92% dos participantes acharam fácil ou tranquilo lidar com a tecnologia, concordando totalmente que a experiência contribuiu para seu processo de aprendizagem profissional. Mais da metade (54%) disse que o ambiente simulado reproduzia com realismo o que vivem no dia a dia da assistência.
Entre os ganhos mais citados pelos profissionais está a chance de treinar situações que nem sempre acontecem com frequência na rotina, além de poder errar e tentar novamente sem colocar nenhum paciente em risco. Os participantes também destacaram o quanto a repetição dos cenários, até se sentirem mais preparados, ajudou a desenvolver raciocínio clínico, tomada de decisão, comunicação, liderança e atuação em equipe.
O piloto com realidade virtual é uma das frentes do Lab IGC, laboratório de inovação criado para explorar novas formas de qualificação profissional dentro da instituição. “O Lab IGC nasceu com três frentes de atuação: os treinamentos com realidade virtual, hackathons e bootcamps voltados para profissionais de saúde e educação, e a consultoria para desenvolvimento de tecnologias e fluxos internos, mas o nosso objetivo vai além disso, é construir uma cultura de inovação dentro da própria instituição”, afirma Ticiana Mota, presidente do IGC Brasil.
Apesar dos resultados positivos do piloto, ainda há resistência do mercado em relação ao uso da tecnologia. “Muita gente enxerga a realidade virtual como entretenimento, não como uma ferramenta séria de treinamento clínico e simulação. Nosso trabalho é mostrar, na prática, que ela funciona tanto na atenção primária quanto no ambiente hospitalar, como um reforço ao treinamento tradicional, não um substituto, e com um custo bem menor”, completa Ticiane Santana, Head de Inovação do IGC Brasil.
Com os resultados do piloto documentados, o Lab IGC avalia a expansão da iniciativa para novas unidades de saúde geridas pela organização, com o objetivo de integrar a simulação em realidade virtual aos programas de educação permanente das equipes.
