De novas sedes regionais ao crescimento do crédito estruturado, instituições financeiras intensificam apostas no Nordeste, que já é o segundo maior mercado de FIDCs do país
Novas sedes regionais, agências em corredores nobres e o avanço do crédito estruturado compõem um movimento que confirma o Nordeste como um dos novos eixos do capital no Brasil.
Um levantamento do Grupo IOX aponta que o Nordeste já responde por 9,3% das operações de crédito privado estruturado no país, consolidando-se como o segundo maior mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do Brasil, atrás apenas do Sudeste, que concentra 77,8% das operações. Os FIDCs antecipam recebíveis de empresas, transformando créditos futuros em capital imediato, uma alternativa cada vez mais estratégica em um cenário em que o crédito bancário tradicional segue caro e seletivo, com a Selic em 14,5%.
No Nordeste, setores como agronegócio, varejo, energia, infraestrutura e serviços têm ampliado a demanda por capital fora dos grandes centros. Para Vicente Guimarães, diretor de Relações com Investidores do Grupo IOX, a descentralização é também uma necessidade técnica diante do novo ambiente de juros: “Em um cenário mais desafiador, quem domina análise técnica, fluxo de caixa e estruturação terá vantagem. Estruturas lastreadas e bem organizadas entregam previsibilidade”, afirma.
Grandes bancos reforçam presença

O movimento também aparece na expansão física das instituições. Em junho, o Santander inaugurou sua nova sede regional em Fortaleza, na Avenida Santos Dumont, consolidando a capital cearense como centro estratégico de suas operações no Nordeste e abrigando o primeiro WorkCafé do banco na região, modelo que combina atendimento financeiro, espaços de coworking e ambiente voltado à geração de negócios.
“Esta nova sede representa um marco para a atuação do Santander no Nordeste. Estamos fortalecendo nossa presença em uma região que desempenha um papel cada vez mais relevante para a economia brasileira”, afirmou Ede Viani, vice-presidente de Varejo do Santander Brasil.
O avanço do cooperativismo
A Sicredi Veredas inaugurou uma nova agência justamente na Aldeota, um dos principais corredores de negócios de Fortaleza. Para Eduardo Demes, diretor-executivo da cooperativa, a escolha do endereço carrega uma leitura de mercado. “A Aldeota representa justamente essa conexão entre tradição empresarial, novos negócios e um perfil de consumidor financeiro cada vez mais exigente”, afirma.
Demes descreve o espaço como uma vitrine de outro modelo de relação: “estamos falando de um espaço que materializa uma nova forma de se relacionar com o dinheiro e com os negócios”.
O desempenho ajuda a explicar a aposta. No último ano, a Sicredi Veredas cresceu 21% no Ceará, o melhor resultado de sua história. Para Demes, o avanço combina a força econômica do estado com um diferencial de modelo: “o grande diferencial do cooperativismo está justamente na forma como enxergamos o associado, pois ele não é apenas um cliente, mas parte integrante da cooperativa.” Ele acrescenta que esse formato tem efeito sobre o território: “quando uma cooperativa cresce, ela gera impacto econômico e social no próprio território onde está presente, fortalecendo um ciclo virtuoso de desenvolvimento”.
Se os instrumentos variam do crédito estruturado à agência de bairro, o vetor comum é a aposta no relacionamento como diferencial competitivo. Para Demes, esse é o ponto que define o futuro financeiro da região. “A Sicredi Veredas acredita que o futuro econômico do Nordeste passa pela combinação entre inovação e proximidade. A tecnologia amplia o acesso e a eficiência, mas o relacionamento continua sendo essencial para compreender as necessidades reais de cada associado e de cada comunidade”, afirma.
