19ª Edição

Matéria | Como o Nordeste transforma desafios em inovação escalável

Por Redação

02/07/2026 12h25

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Empresas da região têm apostado na identificação de problemas reais e em soluções tecnológicas capazes de gerar impacto e crescimento

Mais do que paisagens reconhecidas mundialmente, o Nordeste tem construído uma reputação que passa por inovação, tecnologia e geração de negócios. À força do turismo e ao potencial energético das novas fontes somam-se centros tecnológicos em expansão, que capacitam profissionais e atraem grandes empresas para a região. E há um traço menos óbvio nesse movimento: as próprias dificuldades do mercado nordestino se converteram em terreno fértil para a inovação, em que a busca por soluções para desafios reais dá origem a novas estratégias, aliadas à implementação de ferramentas tecnológicas.

Delimitar o problema e identificar os sintomas operacionais é a primeira etapa para superar uma falha na estratégia corporativa de uma empresa. Para Lucas Barros, CEO da Profectum, “a inovação quase sempre nasce de um problema”.

Ele observa que as tecnologias disponíveis atualmente são necessárias para a resolução de desafios e devem ser combinadas estrategicamente. “Não é mais viável escolher uma única ferramenta de prateleira. O segredo é combinar automação de processos, Inteligência Artificial e integração de sistemas de uma maneira orquestrada”, afirma.

A incorporação da inteligência artificial em soluções de automação divide opiniões na esfera corporativa. Pequenas empresas, historicamente menos assistidas por tecnologia, optam por usar a IA para construir soluções de pequeno porte, feitas sob medida. Segundo o executivo, “é aqui que entra o ‘vibe coding’, desenvolvimento de sistema via linguagem natural (prompt). Basta descrever as funcionalidades desejadas, e a tecnologia gera o código”. Já as grandes companhias preferem continuar consumindo as soluções que o mercado já oferece e que apresentam comprovações claras de segurança. Barros explica esse comportamento em empresas desse porte: “O risco é maior, o impacto de uma falha é mais agressivo, e a tomada de decisão é naturalmente mais lenta, pela própria estrutura de governança”.

A projeção do Nordeste como hub de inovação é uma realidade que se deve à maneira como os profissionais da região lidam com os problemas de seus negócios e usufruem de tecnologias para resolvê-los. É necessário refletir sobre o que precisa deixar de ser feito e por que aquela atividade existe. “Como desenvolver tecnologia será cada vez mais fácil, o profissional precisará enxergar a dor do negócio antes de escolher a ferramenta”, explica o CEO.

IA não é resposta para tudo 

No entanto, o executivo relata a ausência de letramento digital, um contexto em que as equipes das empresas não compreendem o funcionamento básico das tecnologias. “Muita gente hoje não distingue vieses de modelos, desconhecem a solução adequada para cada caso e acreditam que a IA é a resposta para tudo. E ela não é. Muitas demandas são supridas perfeitamente com a automação robótica de processos, ou com ferramentas já maduras”.

Ele avalia, ainda, a questão financeira: “Quando se fala em IA, as pessoas esquecem do custo envolvido. Avaliar o retorno sobre o investimento (ROI) e o tempo de payback é fundamental para que uma ideia saia do papel e, de fato, se sustente”, destaca.

Barros observa mudanças claras na maneira como as empresas têm buscado soluções de automação nos últimos anos, e destaca uma quebra de paradigma na decisão de compra das grandes empresas. Se antes o gestor de TI adquiria tecnologias desenvolvidas por marcas globais, que entregavam segurança, agora “o gestor passa a olhar players nacionais, regionais e serviços especializados que entregam o que ele precisa com excelente custo-benefício e risco moderado”. 

O CEO faz ainda um alerta a respeito da descentralização da TI: embora automatizar processos traga benefícios, gerenciar isso em escala pode se tornar uma tarefa complexa. “Sem governança, colaboradores acabam acessando informações sensíveis que não deveriam, ferramentas se sobrepõem em vez de serem reaproveitadas, e a conta não fecha porque cada área adota um padrão diferente. Ou seja, o que deveria gerar eficiência acaba gerando prejuízo”, conclui.