Na manhã desta quinta-feira,3, o grupo de lideranças e gestores do Nordeste foi recebido na CazéTV, o fenômeno da nova mídia esportiva brasileira que, em poucos anos, reorganizou a maneira como o país assiste ao esporte e consome conteúdo. À frente da conversa esteve Giamile Rossato, diretora de vendas do canal, que conduziu os participantes por uma trajetória que começa em 2022 e já projeta planos de expansão internacional.
Mais do que uma aula sobre audiência e transmissão, o encontro funcionou como uma leitura precisa de um comportamento de mercado que se transformou diante dos olhos de todos. A CazéTV nasceu de uma janela de oportunidade e cresceu apostando em algo que continua no centro das conversas do Nosso Meio: a conexão genuína entre pessoas, marcas e narrativas.
Como nasce um fenômeno
A história contada por Giamile começa com um movimento de mercado. Em 2022, a Globo perdeu os direitos digitais de transmissão da Copa do Mundo, e a FIFA vivia o desafio de rejuvenescer o público que acompanhava o torneio. Foi nesse contexto que os fundadores da LiveMode decidiram transmitir a competição em parceria com a entidade e, a apenas um mês da Copa, colocaram a CazéTV no ar.
Foram 22 jogos transmitidos naquela edição, e pela primeira vez no mundo uma Copa do Mundo era exibida em um canal digital. O detalhe que se tornou símbolo dessa virada estava na escolha de quem conduziria a transmissão. O estagiário do Esporte Interativo que fez o teste para narrar era o próprio Cazé, hoje rosto de um dos maiores fenômenos de audiência do país.
A economia da atenção como território
Se existe uma chave para entender a CazéTV, ela está na forma como o canal lê o próprio tempo. “Estamos dentro da creator economy”, resumiu Giamile, ao explicar como o consumo se tornou pulverizado e a atenção, cada vez mais valiosa. Em um cenário de infinitas telas e estímulos, o esporte aparece como uma das poucas experiências que ainda param as pessoas simultaneamente diante do conteúdo.
É nesse ponto que a autenticidade entra como estratégia. Segundo a diretora, os talentos do canal são naturais, e é justamente essa espontaneidade que cria a ponte com quem assiste. A ideia não é performar para a audiência, e sim conversar com ela em um tom que soa próximo, verdadeiro e reconhecível.
Os números de um novo comportamento
A dimensão desse movimento aparece com clareza nos números apresentados ao grupo. Na Copa de 2026, a CazéTV somou mais de 2 bilhões de engajamentos. No Paulistão, o chat do YouTube chegou a registrar 2.500 mensagens por segundo, um retrato do quanto a audiência deixou de ser espectadora passiva para se tornar parte da transmissão.
O ritmo de crescimento impressiona pela velocidade. Em apenas 21 dias, o canal saltou de 9 milhões para 41 milhões de inscritos. A força comercial acompanhou o fenômeno, com mais de 100 mil camisetas vendidas durante a Copa e uma ação publicitária que chegou a derrubar o site do Mercado Livre na América Latina. Mesmo o atraso natural em relação à transmissão da TV tradicional, a audiência seguiu crescendo de forma exponencial ao longo da competição.
Do YouTube para o mundo
No campo dos negócios, a CazéTV avança comprando cada vez mais direitos de transmissão e ampliando seu território. Um dos pilares do canal é fomentar o crescimento do atleta olímpico, e o tênis tem recebido atenção especial, acompanhando de perto a ascensão de João Fonseca.
A expansão também cruzou fronteiras. O canal abriu operação em Portugal, replicando parte do que construiu no Brasil, agora com Cristiano Ronaldo como sócio, e já observa outros países como próximos destinos. Nesse processo, o YouTube aparece como aliado, apoiando o crescimento e incentivando a internacionalização com o objetivo de levar essa comunidade para novos lugares.
Escutar para crescer
Se há um método por trás de tanta expansão, ele passa por ouvir. “Quando ouvimos nossa audiência, pegamos os insights mais poderosos”, afirmou Giamile. É dessa escuta que nasce o tom de comunicação do canal, marcado por naturalidade e autenticidade, e é ela que orienta as decisões mesmo em meio ao ritmo acelerado de crescimento.
O maior desafio, reconheceu a diretora, é continuar conquistando os principais direitos de transmissão e sustentar a curva de expansão sem perder aquilo que tornou a CazéTV o que ela é. “Crescer, internacionalizar e diversificar sem abrir mão do tom de voz que criou a conexão com milhões de pessoas”, afirma.
Um encerramento à altura da jornada
Depois da manhã na CazéTV, a Missão Nosso Meio 2026 chegou ao fim com o almoço de encerramento, momento de reunir o grupo para transformar tudo o que foi vivido em repertório aplicável. Ao longo de três dias, os participantes circularam por empresas, escolas de negócio e plataformas que estão moldando o mercado, e a visita final sintetizou o espírito da missão.
A CazéTV encerra a edição como um retrato do que o Nosso Meio acredita: que comunicação, inovação e comportamento de mercado caminham juntos, e que as marcas mais relevantes são aquelas capazes de escutar, se conectar e construir pontes. Um encerramento que não fecha uma agenda, mas abre novas perguntas para quem faz o mercado do Nordeste.
