Economia

Norte e Nordeste devem puxar crescimento do PIB em 2026, mesmo com desaceleração geral

Por Redação

26/02/2026 18h04

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Entre os destaques, o Ceará desponta como a previsão de maior crescimento regional para o ano

A região Nordeste deve encerrar 2026 com um crescimento de 2,2%, superando a média nacional de 2,0% e se consolidando como a terceira região com maior dinamismo econômico do país. Segundo dados recentes da Resenha Regional do Banco do Brasil, o crescimento da região segue condicionado a investimentos públicos e obras de infraestrutura.

Já a economia da região Norte deve avançar acima da média nacional em 2026 (2,5%), impulsionada pelos setores de petróleo, mineração e energia, apoiados pelas amplas reservas minerais, pelo ambiente externo favorável e pelo crescente interesse global por minerais críticos. Em contraste, a indústria madeireira enfrenta maior cautela devido às novas exigências regulatórias.

Destaques do Nordeste

Entre os destaques, o Ceará desponta como a previsão de maior crescimento regional para o ano. O estado abriga a construção de um mega data center, cujo primeiro data hall tem inauguração
prevista para o segundo semestre de 2027. O empreendimento deve mobilizar investimentos em infraestrutura, obras civis, equipamentos e na implantação de um parque de geração de energia renovável, ampliando os efeitos multiplicadores sobre a economia local.

A Paraíba também mantém desempenho acima da média regional. Até novembro de 2025, os dados de atividade mostram destaque nos setores de comércio e serviços, tendência que deve continuar em 2026, ainda que em ritmo moderadamente inferior ao observado no ano anterior. A construção civil e os serviços devem seguir como pilares do crescimento, colocando o estado entre os dois maiores avanços do Nordeste no período.

No Piauí, a expectativa é de que a agropecuária seja o principal motor do crescimento. A projeção de alta de 10,4% no setor, é sustentada pela forte expansão esperada para as safras de soja (+15,7%) e milho (+27,7%).Em sentido oposto, na Bahia, o recuo da produção agrícola — especialmente soja, cana-de-açúcar e algodão — deve limitar a atividade econômica.

Destaques do Norte

No Amapá, pesquisas na Margem Equatorial, ainda preliminares, podem redefinir o cenário econômico e, se confirmada a viabilidade, o estado deverá receber royalties e gerar empregos, ampliando o PIB no médio prazo. Destaca-se que no curto prazo, a atividade econômica do estado se beneficia dos investimentos em curso.

Ao mesmo tempo, os efeitos da exploração petrolífera na Margem Equatorial já são perceptíveis além das fronteiras brasileiras, como na Guiana, onde a atividade está em operação e seus resultados têm irradiado impactos para diversos estados do Norte, com destaque para Roraima.

No Amazonas, a predominância de uma estrutura industrial voltada ao consumo interno torna o estado sensível ao ciclo de juros. A política monetária restritiva dos últimos anos tem limitado o ritmo da indústria local. Entretanto, com a expectativa de queda da taxa de juros em 2026, projeta-se uma recuperação parcial do setor, favorecendo a retomada gradual da produção.

O segmento agropecuário, por sua vez, merece atenção. As nossas estimativas apontam para retração do PIB agropecuário em todos os estados do Norte, com exceção de Rondônia. Tocantins, um dos principais polos agroprodutores da região, deve registrar queda de 2,8%, influenciado principalmente pela expectativa de recuo de 5,3% na produção de soja, de acordo com dados do IBGE.