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Nosso Meio reúne assessorias de imprensa cearenses para discutir novas relações com a mídia

Por Lucas Abreu

17/09/2026 14h02

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O Nosso Meio reuniu, na manhã desta quinta-feira (17), CEOs, representantes e profissionais de assessorias de imprensa do Ceará no Espaço Nosso Meio, em um encontro voltado à aproximação com o mercado e à discussão sobre os novos desafios da relação entre empresas, agências e veículos de comunicação. O evento foi aberto por Fernando Hélio Brito, diretor do Nosso Meio, que deu as boas-vindas aos participantes e apresentou a proposta de estreitar a relação com as assessorias que atuam na comunicação do Estado.

“As assessorias de imprensa são peças fundamentais para a realização do nosso trabalho. Com esse encontro, queremos aproximá-las ainda mais do Nosso Meio, apresentando nossa estrutura e nossa maneira de produzir conteúdo. Também queremos valorizar cada profissional que contribui para a comunicação do nosso Estado, fortalecendo uma relação cada vez mais próxima e colaborativa, com conteúdo relevante, atual e que contribua para o trabalho cotidiano das assessorias”, destacou Fernando.

Foto: Samuel Setúbal

Durante o encontro, a jornalista Gabriela Veras apresentou a linha editorial do Nosso Meio, compartilhando com os participantes a estrutura da redação, os critérios utilizados na produção de conteúdos e a dinâmica de trabalho do portal.

Na sequência, o jornalista Jorge Soufen conduziu a palestra “O futuro das relações com as mídias: a imprensa mudou. As agências também precisam mudar”. Com 28 anos de carreira, sendo 20 deles em redações de jornais, Soufen atua como consultor estratégico de negócios e processos de comunicação. Ele também é responsável pela comunidade de assessores de imprensa Community Manager IDJ e é Top Creator do LinkedIn na categoria de Relações Públicas e Marketing.

A apresentação começou com uma provocação aos participantes: “qual é a maior dor de um líder de uma agência de comunicação?”. A partir da pergunta, Soufen discutiu como a rotina operacional pode ocupar um espaço excessivo na agenda de quem deveria estar concentrado em decisões estratégicas e no crescimento do negócio.

Nesse contexto, o jornalista apresentou o “triângulo de demandas da assessoria de imprensa”, formado por clientes, equipes e jornalistas. “Quando você usa seu tempo como empreendedor da área fazendo follow-up, você perde em várias questões. Eu vejo o profissional dentro de um triângulo, onde os seus clientes estão sempre no centro e, nas tangentes, estão equipes e jornalistas”, explicou.

Para o consultor, o excesso de envolvimento com tarefas operacionais pode impedir que os líderes dediquem tempo ao planejamento e à expansão das próprias empresas. Sair do operacional e concentrar esforços no crescimento do negócio foi apontado como um dos caminhos para quem está à frente de uma agência.

Soufen também apresentou um retrato das redações atuais, marcadas por equipes mais enxutas e profissionais que precisam desempenhar diferentes funções simultaneamente. Nesse contexto, o jornalista é multitarefa, generalista por necessidade, soterrado por informações, pressionado por métricas e cada vez mais responsável pela construção de sua própria marca.

Para lidar com esse cenário, o palestrante defendeu uma curadoria cirúrgica no relacionamento com a imprensa. Antes de realizar um pitch, a agência precisa mapear o momento, os interesses e o perfil do jornalista, priorizando contatos mais precisos em vez de grandes volumes de mensagens. “É melhor mandar cinco e-mails certeiros do que 500 genéricos”, sintetizou.

Foto: Samuel Setúbal

A mesma lógica vale para a construção das pautas. Uma mesma informação pode ganhar diferentes abordagens de acordo com o perfil do veículo e os interesses de sua audiência. A chamada hiperpersonalização exige que a assessoria adapte os ângulos da notícia para cada oportunidade, em vez de distribuir o mesmo conteúdo indistintamente.

Outro ponto abordado foi o papel do assessor na construção das matérias. Com redações mais enxutas, o jornalista assume cada vez mais uma função de curadoria, selecionando, entre uma grande quantidade de informações, aquilo que pode se transformar em conteúdo. Nesse cenário, o assessor deixa de ser apenas um intermediário e passa a atuar como cocriador, oferecendo elementos que facilitem a apuração e a produção jornalística, como dados brutos, fontes de acesso rápido e recortes de mídia.

A relação com os profissionais também não se restringe mais aos canais institucionais dos veículos. Com a consolidação das marcas pessoais, jornalistas passaram a construir comunidades e audiências próprias nas plataformas digitais. Para Soufen, as assessorias precisam acompanhar esses profissionais e compreender os espaços em que eles desenvolvem sua atuação.

Outro ponto defendido pelo consultor foi a necessidade de desvincular o cliente da escolha dos veículos. Embora a empresa conheça profundamente seu produto ou serviço, cabe à assessoria avaliar a aderência entre a pauta, o veículo e o jornalista. Segundo ele, permitir que a marca determine indiscriminadamente quais veículos devem ser acionados pode levar a envios pouco relevantes e comprometer a credibilidade construída pela agência com a imprensa.

A Inteligência Artificial também esteve entre os assuntos discutidos durante a palestra. Para Soufen, a popularização da tecnologia faz com que o texto se torne uma espécie de commodity, já que sua produção pode ser automatizada e realizada em grande escala.

O cenário coloca em discussão a própria moeda de troca das assessorias. Conteúdo e relacionamento continuam importantes, mas já não bastam isoladamente. Para o palestrante, o profissional precisa agregar conhecimento estratégico, repertório, contexto e capacidade de conexão ao trabalho desenvolvido para os clientes.

Foto: Samuel Setúbal

Nesse sentido, Soufen também defendeu que as agências precisam pensar além da imprensa. O release continua sendo uma ferramenta possível, mas não deve ser tratado como resposta para todas as necessidades de comunicação. Ao encerrar sua apresentação, o jornalista voltou o olhar para o próprio mercado de assessorias e defendeu uma relação mais colaborativa entre as empresas do setor.

“Todas as agências de assessoria de imprensa disputam entre si, mas aquelas que fazem parceria se dão muito melhor. Então, conversem entre si, façam grupos de WhatsApp, falem sobre negócios. A gente tem uma grande oportunidade de crescer juntos, principalmente quando estamos falando de comunicação”, afirmou.

O encontro reforçou a proposta do Nosso Meio de ampliar o diálogo com as assessorias de imprensa cearenses, aproximando a redação dos profissionais que atuam na comunicação de empresas, marcas e instituições e criando novas possibilidades de relacionamento e colaboração no mercado.