Anuário da Comunicação Corporativa 2026 revela setor faturando R$ 5,72 bilhões e crescimento real acima do PIB
O mercado brasileiro de comunicação corporativa entrou em 2026 com fôlego renovado. Depois de dois anos de crescimento tímido, quase colado à inflação, as agências de RP e comunicação retomaram a trajetória de expansão real. O Anuário da Comunicação Corporativa 2026, produzido pela Mega Brasil Comunicação com pesquisa coordenada pelo Instituto Corda, revela um setor que faturou R$ 5,72 bilhões em 2025 — crescimento bruto de 6,70% e real, descontada a inflação de 4,26%, de 2,44%.
Os números superam tanto o crescimento do PIB brasileiro (+2,3%) quanto o do setor de serviços (+1,8%). Para isso, a Pesquisa Mega Brasil ouviu 188 agências distribuídas em 32 cidades, 16 estados e todas as cinco regiões geográficas do País.
O pódio dos gigantes
O topo do Ranking das Agências de Comunicação ficou agitado. A FSB Holding manteve a liderança com folga: faturamento estimado de R$ 861,4 milhões em 2025, crescimento de 17,20%. É a primeira vez, porém, que o grupo não comprova os dados com documentos fiscais. A holding, que diversificou fortemente para publicidade e entretenimento, optou por não declarar seus números — o Anuário estimou o crescimento com base nos índices das demais agências líderes.
A segunda posição passou ao Grupo Burson Brasil — Máquina, JeffreyGroup, Burson e a recém-incorporada Ideal Axicom —, com faturamento estimado de R$ 316 milhões. A incorporação da Ideal Axicom por decisão do grupo WPP somou cerca de R$ 100 milhões ao caixa do grupo e desbancou o Grupo In Press do vice-posto. O In Press, terceiro colocado com R$ 309,6 milhões comprovados, perdeu posição porque excluiu de seus números a Oficina Consultoria, que após a dissolução da sociedade passa a se apresentar de forma independente — e já estreia no ranking na 11ª posição, com R$ 65 milhões declarados.
Fecham o Top 10: Grupo DJ Edelman (4º, R$ 98,8 mi, +11,13%), in.Pacto Holding (6º, R$ 92,1 mi, +15,65%), Grupo Nexcom (7º, R$ 86,2 mi) e Approach (9º, R$ 71,9 mi, +23%). A grande novidade é o Grupo Ovo, que estreia na 24ª posição com R$ 26 milhões declarados.
Movimentos que redesenharam o setor
No plano internacional, um movimento histórico: o Grupo Omnicom adquiriu o Interpublic Group (IPG), incorporando ao seu portfólio toda a família The Weber Shandwick Collective — Weber Shandwick, Golin, Powell Tate, entre outras. O novo colosso domina o ranking de grupos internacionais no Brasil, com faturamento somado de R$ 536 milhões. O WPP fica em segundo, com R$ 316 milhões, seguido pelo DJE Holdings (Edelman), com R$ 98,8 milhões.
O Grupo Nexcom saltou da 14ª para a 7ª posição ao incorporar as agências Avenida, ConteúdoInk e Tamer Comunicação. O Grupo Partners, de Minas Gerais, assumiu o controle da Lápis Raro, maior agência de publicidade do estado, e avançou oito posições no ranking.
Força de trabalho e transformação digital
A pesquisa identificou 20.816 empregos diretos nas agências brasileiras em 2025, crescimento de 2,66%. A força de trabalho é majoritariamente feminina (59,2%), embora esse índice venha caindo — chegou a 72,2% em 2022. O percentual de jornalistas no setor recuou para 46,6%, um dos menores da série histórica, refletindo a crescente demanda por perfis multidisciplinares.
A assessoria de imprensa e o relacionamento com a mídia continuam sendo os produtos mais vendidos (88,2% das agências), seguidos por gestão de redes sociais (48,4%) e produção de conteúdo (30,1%). LinkedIn e Instagram dominam o dia a dia das agências, com 97,8% e 95,7% das citações, respectivamente.
A inteligência artificial se consolidou em 2025: foi adotada pela quase totalidade das agências para otimizar produção de conteúdo, relatórios e análise de dados, sendo citada por 62,1% daquelas que concretizaram inovações no período. O principal destino dos investimentos foi TI/Software/Tecnologia (56,8%), seguido de treinamento e capacitação (45,7%).
Confiança em alta, desafios ainda no radar
O Índice de Confiança do Empresário de Comunicação Corporativa (ICECC) apresentou recuperação em 2026, com vetor mais acentuado entre as 50 maiores agências. Para 51,6% dos entrevistados, o aquecimento econômico e o crescimento do PIB foram os principais fatores positivos em 2025. Do lado negativo, 64,5% apontaram as incertezas econômicas e os juros altos como inibidores de investimento, e 34,9% citaram a polarização política.
Brasília no mapa: pequena em número, grande em peso
O 3º Censo Brasileiro das Agências de Comunicação identificou 1.013 agências em atividade no País. A concentração geográfica é marcante: 75,2% têm sede no Sudeste e São Paulo sozinha responde por 60,3% do total. O Distrito Federal aparece com 24 agências (2,4%) — número modesto na quantidade, mas com peso institucional relevante. Brasília abriga dois dos grupos mais expressivos do ranking nacional: a in.Pacto Holding, que reúne marcas como Santafé Ideias, Mais61 e Movie, figura entre as dez maiores agências do País em número de colaboradores, com 515 profissionais, e acumula crescimento de 15,65% no faturamento em 2025. A Oficina Consultoria, com 122 colaboradores e 87 clientes, estreou de forma independente nesta edição após a cisão com o Grupo In Press e já aparece na 11ª posição do ranking nacional, com R$ 65 milhões declarados. Para uma praça que concentra decisões de governo e contratos institucionais, o mercado brasiliense mostra que tamanho e poder de influência nem sempre andam juntos.
