Análise

O RH como condutor da cultura nos negócios

Por Redação

20/05/2026 14h09

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O sentimento de pertencimento dentro de uma empresa deixou de ser apenas um diferencial e passou a ocupar um papel central na forma como os negócios constroem cultura, fortalecem equipes e retêm talentos. Em um mercado marcado por mudanças constantes, empresas têm percebido que criar conexão entre colaboradores e propósito organizacional é um dos principais desafios da gestão de pessoas atualmente.

Mais do que benefícios ou ações pontuais, a construção desse pertencimento passa pela experiência diária de quem faz parte da empresa. É nesse cenário que o Recursos Humanos ganha protagonismo como área estratégica, responsável não apenas por processos operacionais, mas também por transformar cultura em prática cotidiana.

Hoje, o Brasil conta com mais de 110 mil profissionais de Recursos Humanos. Destes, 46% ocupam cargos de liderança, entre diretores, gerentes e supervisores, enquanto 44% atuam como analistas ou assistentes. Mesmo com a crescente importância estratégica da área, a maioria desses profissionais trabalha em equipes enxutas, com até 10 pessoas no time de RH. A média nacional é de um profissional da área para cada 141 colaboradores.

Na prática, o desafio do RH vai além da gestão administrativa. As empresas têm buscado criar ambientes em que os profissionais se sintam parte ativa da construção do negócio, especialmente em um contexto em que cultura organizacional passou a impactar diretamente fatores como engajamento, produtividade e permanência dos talentos.

No Sua Música, por exemplo, a cultura é trabalhada desde os primeiros contatos do colaborador com a empresa até os processos de desenvolvimento e reconhecimento internos. Segundo Renata Martins, gerente de Gente e Gestão da companhia, a construção desse vínculo depende da manutenção constante de relações próximas e espaços de escuta.

“O sentimento de pertencimento precisa ser construído em toda a jornada do colaborador — desde o processo seletivo até os momentos de desenvolvimento e reconhecimento dentro da empresa. No Sua Música, acreditamos que cultura se fortalece diariamente, através de relações próximas, escuta ativa e rituais consistentes.”

Entre as iniciativas adotadas pela empresa estão encontros individuais entre colaboradores e Business Partners, utilizados para acompanhar desenvolvimento, experiência profissional e relação com lideranças. Além da escuta ativa, os encontros também geram indicadores acompanhados pela área de Gente e Gestão para medir engajamento e auxiliar decisões estratégicas.

A empresa também promove encontros trimestrais que reúnem equipes presenciais e remotas em momentos de alinhamento e troca entre diferentes áreas. A ideia é aproximar colaboradores da estratégia do negócio e reforçar o protagonismo das equipes na construção dos resultados da companhia.

Esse fortalecimento da cultura organizacional também passa pela coerência entre discurso e prática dentro das empresas. Para Bruno Barros, diretor de RH da Aço Cearense, a construção de pertencimento acontece principalmente quando os colaboradores conseguem enxergar impacto coletivo nas ações da empresa.

“Ações que envolvem o coletivo dão liga importante ao nosso propósito e ampliam o sentimento de orgulho entre nossos colaboradores. Quando demonstramos que nossas ações beneficiam não somente a carreira mas também impactam positivamente a sociedade gerando empregos e renda é ainda mais gratificante.”

Segundo o executivo, cultura organizacional precisa estar presente nas atitudes diárias, especialmente nas lideranças, e não apenas em campanhas institucionais ou discursos corporativos. “A cultura deve estar presente na atitude de cada colaborador, ainda mais na liderança. Banner bonito não faz milagre. Cultura é sentimento, propósito e coerência e deve estar sempre em movimento. Por isso, é necessário estar na pauta fixa de nossas reuniões, nos exemplos, comunicados e, claro, no nosso comportamento.

A valorização da experiência dos colaboradores também aparece entre os principais fatores observados nas empresas reconhecidas pelo Great Place to Work. Em 2026, a instituição completa 30 anos de atuação no Brasil acompanhando transformações no ambiente corporativo e na relação entre empresas e pessoas.

Segundo Mariza Quinderé, diretora regional do GPTW, as organizações que se destacam ao longo dos anos são aquelas que conseguem fortalecer relações de confiança dentro do ambiente de trabalho. “Agora em 2026, o GPTW faz 30 anos de operação no Brasil, o que observamos é que as melhores empresa para trabalhar reconhecidas pelos seus funcionários pela confiança na liderança, o orgulho de trabalhar na empresa e uma forte relação entre seus pares, têm evoluído muito desde nossa primeira lista em 1997!”

Ela destaca que, ao longo dos anos, as empresas passaram a olhar de forma mais estratégica para a experiência dos colaboradores, entendendo que cultura organizacional está diretamente ligada à atuação das lideranças.

“Entendemos que líderes tinham que cada vez mais atuar de forma a levarem a excelência para as organizações – a excelência começa com a liderança, a liderança molda a experiência, a experiência molda a cultura, a cultura impulsiona os resultados – a isso chamamos de efeito GPTW“, diz Mariza.

Nesse processo, o RH também assume um papel importante na construção de ambientes mais saudáveis e alinhados aos valores das empresas. Para Mariza, a área atua como facilitadora na formação de lideranças mais preparadas para conduzir relações humanas dentro das organizações. “O RH tem sensibilizado e ajudado cada vez mais as lideranças a serem agentes da transformação dos ambientes de trabalho. O Rh em sua essência cuida para que as pessoas estejam no centro das organizações e sejam felizes nos ambientes de trabalho.”

Ela também aponta que o cuidado com a jornada dos colaboradores, desde a contratação até reconhecimento e desenvolvimento profissional, vem se tornando um dos principais pilares das empresas que buscam fortalecer cultura e engajamento.

Em um cenário de mudanças aceleradas no mercado de trabalho, manter essa cultura viva dentro das organizações se tornou um dos principais desafios do RH. A adaptação constante das empresas às transformações do mercado, somada às novas expectativas dos profissionais, exige que a gestão de pessoas esteja cada vez mais conectada às estratégias do negócio.

Para Renata Martins, um dos maiores riscos atuais é permitir que a urgência operacional afaste as empresas das práticas que sustentam a experiência dos colaboradores no dia a dia. “No mercado atual, a única certeza é a mudança. E, justamente por isso, manter uma cultura organizacional forte exige disciplina, consistência e proximidade real com as pessoas.”

Ela destaca ainda que, em momentos de instabilidade, as pessoas buscam referências internas mais sólidas, como lideranças próximas, comunicação transparente e espaços seguros de troca. Nesse contexto, o RH deixa de atuar apenas nos bastidores e passa a ocupar uma posição central na condução da cultura e das relações dentro das organizações.