À frente da Unimed Fortaleza, executivo carrega da medicina o cuidado com as pessoas; da academia, o gosto pelo conhecimento; e da gestão, a convicção de que cultura organizacional supera qualquer crise
Quando fala sobre liderança, Flávio Ibiapina raramente começa pelos números, pelos cargos que ocupou ou pelos resultados alcançados. Sua primeira referência costuma ser outra: pessoas.
A resposta ajuda a entender a trajetória de quem percorreu diferentes ambientes antes de assumir a presidência da Unimed Fortaleza. Médico de formação, professor por vocação acadêmica e gestor por construção profissional, ele enxerga cada etapa da carreira como parte de um repertório que segue sendo ampliado.
“Cada momento profissional me trouxe alguns aprendizados que ajudaram a construir o repertório que eu tenho hoje na gestão. Acho que da medicina, o interesse pelas pessoas, o cuidado, que tem tudo a ver com o propósito da Unimed Fortaleza de cuidar das pessoas para que elas vivam mais e melhor. Na academia, eu aprendi a ter prazer pelo estudo. Na experiência da gestão na academia, o aprofundamento das questões complexas que merecem realmente um aprofundamento, um diagnóstico preciso. Então isso também me ajuda na gestão, porque essa complexidade do sistema de saúde suplementar requer realmente uma elaboração para que a gente possa ter soluções para os problemas do dia a dia na gestão.”
A experiência acumulada ao longo dos anos acabou moldando uma visão de liderança que combina análise, planejamento e, sobretudo, capacidade de mobilizar pessoas. Para Ibiapina, a gestão representa a convergência dos aprendizados que vieram da assistência médica e da vida acadêmica.
“Eu acho que a gestão é realmente uma síntese de tudo isso. A questão das pessoas, engajamento, trabalhar um planejamento de forma bastante precisa para resolver esses problemas complexos. A escuta ativa, trazer a colaboração, valorizar a colaboração e as ideias, porque isso também proporciona um ambiente de inovação. Então, eu acho que em cada momento profissional me trouxe mais maturidade e repertório para desempenhar bem meu papel de gestão hoje em dia.”
O teste da cultura
Se a medicina ensinou o valor do cuidado e a academia aprofundou sua capacidade de análise, a pandemia colocou à prova uma das convicções mais fortes do executivo: a importância da cultura organizacional.
Para quem atuava em uma das áreas mais impactadas pela crise sanitária, o período representou um exercício extremo de liderança, resiliência e mobilização de equipes. Para além de acompanhar indicadores ou executar planos de contingência, era necessário manter pessoas alinhadas em torno de um mesmo propósito.
“Eu acho que um momento de estresse máximo, muito crítico, foi a pandemia. E naquele momento ali eu vi o quão importante é a gente trabalhar a cultura de uma organização. Então mais do que qualquer processo, mais do que qualquer planejamento estratégico, se não há pessoas engajadas e todas com o mesmo propósito de executar, a gente não consegue superar os desafios máximos. Aquele foi o desafio máximo da história da humanidade e foi um teste também de estresse para a nossa cultura.”
A experiência reforçou uma percepção que continua presente em sua forma de liderar. Para ele, as organizações revelam sua verdadeira força quando atravessam momentos de crise.
“Então quando você tem pessoas que fazem, porque tem o propósito no sangue, a gente chama muito isso de sangue verde na Unimed, a gente consegue superar qualquer desafio. Fortaleceu a minha visão de gestão de pessoas, mas ao mesmo tempo me fez ver o quanto a cultura é vital para o sucesso de qualquer organização.”
Confiança construída ao longo da trajetória
A eleição para a presidência da Unimed Fortaleza foi resultado de uma trajetória construída dentro da própria cooperativa. Antes de assumir o cargo máximo da organização, Flávio Ibiapina participou de gestões que enfrentaram desafios importantes para o setor de saúde suplementar e para a instituição. Na avaliação dele, a confiança demonstrada pelos cooperados está diretamente ligada ao trabalho desenvolvido ao longo desses anos.
“Acredito que os cooperados, ao longo dos anos, puderam acompanhar a atuação das últimas gestões em que atuei como diretor de Recursos Próprios e, em seguida, como diretor administrativo-financeiro. Ambas gestões foram sólidas, transparentes e atuaram em momentos importantes para a Unimed Fortaleza como para a saúde suplementar de um modo geral.”
A convivência próxima permitiu que os médicos cooperados acompanhassem sua atuação em áreas distintas da organização, mas sempre voltada para o mesmo objetivo.
“Então, os cooperados que acompanharam a gestão do Dr. Elias Leite e a do Dr. Marcos Aragão, também puderam ver a minha atuação nas duas frentes diferentes, mas com o mesmo objetivo: entregar resultado, crescimento e manter a cooperativa fortalecida. Diante desse cenário, enxergo que a confiança deles na minha liderança está associada ao meu trabalho feito com responsabilidade, diálogo e transparência.”
O homem além da presidência
Fora das reuniões, dos conselhos e das decisões estratégicas, existe um Flávio Ibiapina que faz questão de preservar espaços dedicados à família e aos amigos. Ao falar sobre a vida longe do ambiente corporativo, a resposta surge em tom leve e espontâneo.
“Eu me considero uma pessoa muito divertida e bem família. Adoro estar com minha esposa e meus filhos, então, para manter o equilíbrio, priorizo cada minuto com eles, assim como estar ao lado dos amigos, gosto bastante de ouvir uma boa música e confraternizar. Além de manter também o cuidado com a minha saúde, fazendo atividade física. Acredito que são esses momentos que me ajudam a equilibrar a rotina intensa.”
A observação parece natural para alguém que construiu a carreira no universo da saúde, mas também revela uma compreensão prática sobre liderança: para cuidar de pessoas e de organizações, é preciso reservar tempo para cuidar de si mesmo.
O legado que pretende deixar
À frente de uma cooperativa que se aproxima dos 50 anos de história, Flávio Ibiapina fala sobre o futuro sem perder de vista a responsabilidade de preservar uma trajetória construída por diferentes gerações de médicos e colaboradores. Seu objetivo passa pela manutenção da solidez financeira e institucional da Unimed Fortaleza, mas também pela capacidade de preparar a organização para os desafios das próximas décadas.
“O meu propósito é continuar entregando resultado e solidez para a Unimed Fortaleza e, consequentemente, isso será sentido pelos cooperados, clientes e colaboradores.”
A forma de alcançar esse resultado, segundo ele, está diretamente ligada ao modelo de liderança que defende.
“Mas acredito muito em um formato de liderança que dialoga e aposta em inovação com responsabilidade. Então, ao fim do meu mandato, espero que ao lado dos outros diretores, consigamos entregar uma Unimed Fortaleza mais fortalecida, referência em saúde e inovação com a solidez de uma empresa que está há quase 50 anos na sociedade, mas que olha para o futuro com a certeza de que quer e vai permanecer por mais 50 anos.”
O conselho que atravessa gerações
Quando imagina uma conversa entre o jovem médico que começava a carreira e o presidente que ocupa hoje uma das posições mais relevantes da saúde suplementar no Ceará, Flávio Ibiapina identifica aprendizados que continuam atuais. O primeiro deles está relacionado à coragem de tentar.
“Primeiro que ele arriscasse mais, que ele confiasse mais no potencial e na capacidade de realizar. Claro que eu aproveitei e aprendi muito com todas as oportunidades que apareceram na minha vida profissional. Mas muitas vezes eu também deixei de realizar coisas, né? Porque a timidez e talvez a falta de autoconfiança da juventude não me permitiram arriscar mais.”
Mas a reflexão não termina aí. Ao pensar no que o jovem Flávio teria a dizer ao executivo de hoje, a resposta remete às referências que recebeu dentro de casa.
“E o que é que o jovem Flávio diria para o Flávio da atualidade? É manter as suas referências pessoais, principalmente aquelas que você aprendeu com seus pais. Porque quem sabe de onde veio, sempre vai saber quem é e nunca vai deixar que a importância do cargo se confunda ou seja transferida para o nível pessoal.”
A frase funciona como uma síntese da própria trajetória. Depois de décadas dedicadas à medicina, à educação e à gestão, é na simplicidade dos ensinamentos familiares que ele encontra uma das principais referências para o exercício da liderança.
“O Esopo diz que um tolo é aquele que assume no nível pessoal a importância do cargo que ocupa, então, manter principalmente os pés no chão e a humildade é fundamental para qualquer pessoa que ocupe um cargo de liderança.”
Entre o médico, o professor e o gestor, talvez seja justamente essa última lição a que melhor define Flávio Ibiapina: a convicção de que cargos passam, mas valores permanecem.
