A busca saiu do Google: como redes sociais e IAs mudaram o caminho até as marcas 

Por Redação

08/10/2026 08h00

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Lyla Ricarte, CEO da Markitetando, e Eduardo Nobre, cofundador da Wegence, explicam como o SEO chegou ao conteúdo social e o que as marcas precisam fazer para aparecer nas respostas das IAs

Pedir a um amigo a indicação de um profissional e receber de volta um perfil de Instagram, em vez de um telefone ou de um site, virou cena comum. O gesto resume uma mudança que as agências digitais acompanham de perto: a pesquisa que antes começava e terminava no Google agora passa pelas redes sociais e pelas inteligências artificiais. “O perfil virou o cartão de visitas”, afirma Lyla Ricarte, CEO da Markitetando.

Para ela, o cliente quer chegar à decisão conhecendo quem está do outro lado. Ver o profissional falando sobre o que faz, perceber se há confiança e identificação de valores pesa na escolha, às vezes mais do que o preço. Eduardo Nobre, cofundador da Wegence, reconhece o movimento no próprio hábito. “Quando preciso pesquisar alguma coisa, o TikTok é um dos primeiros lugares onde procuro”, afirma. Vale para o restaurante e para a viagem, pesquisada em vídeos antes mesmo da compra da passagem.

Na leitura de Eduardo, a busca hoje acontece em vários lugares ao mesmo tempo, e cada um cumpre uma função. “As redes entregam prova, com pessoas reais mostrando e opinando. As IAs entregam a resposta pronta”, afirma. Entre os clientes da Wegence, a mudança aparece com mais força na gastronomia, no mercado imobiliário, no setor automotivo e nos serviços locais. Lyla descreve a jornada como uma soma: “a rede social constrói a confiança, reputação, aderência e o Google entra com avaliação, ranqueamento e endereço”.

A legenda como resultado de busca

Na produção de conteúdo, a principal mudança está no jeito de escrever. Lyla conta que a legenda passou a ser construída a partir de como o cliente do cliente pesquisa, com a frase inserida de forma natural, sem repetição forçada. O assunto e, em alguns casos, a cidade entram também na fala do roteiro, porque o Instagram transcreve o áudio, além do texto na tela, da bio, do nome do perfil e do alt text. Ela lembra que, desde julho de 2025, posts públicos de contas profissionais podem ser indexados pelo Google, o que transforma uma legenda em potencial resultado de busca.

Eduardo parte do mesmo princípio e amplia o raciocínio para o blog, onde a marca desenvolve o assunto por completo. “A pergunta deixa de ser quais palavras-chave usar e passa a ser como o meu produto pode chegar a uma pessoa de forma espontânea”, afirma. O exemplo é o de alguém que pergunta a uma IA como resolver um vazamento em casa: aparece a marca que explica a solução, e não a que apenas apresenta o produto.

Como aparecer nas respostas das IAs

Sobre a preparação para as IAs, os dois convergem na base e divergem no tom. “A otimização para IAs, o AIO, é obrigatória”, afirma Eduardo. Para ele, o ponto de partida é o site, organizado em perguntas e respostas, com páginas de serviço, FAQs e artigos claros e completos. A Wegence, segundo ele, já recebeu contatos de pessoas que chegaram por indicação do ChatGPT, de forma orgânica.

Lyla adota uma posição mais cautelosa. “Tem muita coisa sendo estudada ainda, o jogo ainda tá sendo escrito”, afirma. O caminho, para ela, é arrumar a base que as IAs consultam: perfil completo no Google Meu Negócio, no qual ela diz que o Gemini se apoia, e nome, endereço e telefone idênticos no site, no Google e nas redes. Também ajuda responder perguntas de forma direta e ser citada além do próprio perfil. “No fim, a IA recomenda quem tá claro, consistente e citado”, resume.

O diagnóstico como primeiro passo

Para começar a integração, ambos indicam o diagnóstico. Lyla pesquisa a marca e os concorrentes no Google, no Instagram e em uma IA, com as mesmas perguntas que o cliente faria. “Mostrar a tela com o concorrente aparecendo no lugar do cliente é o argumento mais eficiente que eu conheço”, afirma. Eduardo faz a demonstração ao vivo, lado a lado, e usa o mapa resultante para colocar SEO, redes sociais e blog no mesmo calendário.

Na prática, o movimento aproxima disciplinas que as agências costumavam tratar em frentes separadas. Busca, social e conteúdo passam a responder à mesma pergunta do público, e a presença de uma marca passa a ser medida no conjunto formado por site, perfis, Google e respostas das IAs.

Colaborativa
A coluna ACADi em Foco surge como um espaço para que as agências pertencentes a Associação Cearense de Agentes Digitais tenham a oportunidade de discutir sobre temas que cercam a digitalização do marketing. Continuando seu propósito de construir uma legítima cultura digital no Ceará, a ACADi se une ao Nosso Meio e inaugura esse ambiente de troca.