Por Karla Rodrigues, sócia-diretora da Capuchino Press
Vivemos na era das múltiplas telas. O celular desperta conosco, acompanha nosso café da manhã, nossas reuniões, nossos deslocamentos e até nossos momentos de descanso. Em poucos segundos, deslizamos o dedo pela tela e somos bombardeados por notícias, opiniões, vídeos, tendências e julgamentos. Mas, em meio a tanta velocidade, surge uma pergunta importante: se hoje suas redes sociais deixassem de existir, onde estaria sua reputação?
As redes sociais se tornaram vitrines pessoais e profissionais. Elas ampliam vozes, aproximam pessoas e democratizam a produção de conteúdo. Porém, também criaram uma falsa sensação de permanência. Muitos acreditam que reputação é quantidade de seguidores, curtidas ou alcance. Mas a reputação de verdade não vive apenas em algoritmos. Ela é construída em credibilidade, coerência e confiança ao longo do tempo.
A informação sempre existiu. O que mudou foi a forma como ela chega até nós. Antes, esperávamos o jornal da manhã, o rádio ou o telejornal da noite. Hoje, tudo acontece em tempo real. A velocidade da informação aumentou, mas isso não significa que toda informação tenha valor. Pelo contrário: quanto maior o excesso de conteúdo, maior a necessidade de fontes confiáveis.
É exatamente por isso que os sites de mídia especializada e os grandes veículos de comunicação continuam sendo fundamentais. Eles possuem responsabilidade editorial, critérios de apuração e compromisso com a veracidade dos fatos. Em um cenário onde qualquer pessoa pode publicar qualquer coisa, a diferença está na credibilidade de quem informa.
A sociedade precisa de fontes seguras porque decisões importantes são tomadas a partir das notícias que consumimos. Um empresário investe, um cidadão vota, uma família se previne, um profissional constrói sua carreira, tudo influenciado pela qualidade das informações que recebe. Quando a notícia perde valor, a confiança coletiva também se enfraquece.
Da mesma forma, reputação não se constrói apenas com presença digital. Ela nasce daquilo que as pessoas dizem sobre você quando a internet está desligada. Está na sua trajetória, nas suas entregas, na ética com que conduz seus relacionamentos e na confiança que inspira. Redes sociais podem amplificar uma reputação, mas não sustentam uma reputação vazia.
No fim, seguidores podem desaparecer, plataformas podem acabar e algoritmos podem mudar da noite para o dia. O que permanece é a credibilidade. E a credibilidade, tanto no jornalismo quanto na vida, continua sendo um dos ativos mais valiosos do nosso tempo.
