19ª Edição

Visão Empresarial | Liderança, conexão humana e grandes resultados

Por Redação

02/07/2026 11h00

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Para Jonas Marques, liderar vai além de definir estratégias ou acompanhar indicadores. Trata-se de criar conexões genuínas, desenvolver talentos e construir ambientes onde as pessoas possam alcançar seu potencial. Com uma trajetória que reúne psicologia, empreendedorismo e experiência internacional, Jonas Marques, CEO da Pague Menos, compartilha sua visão sobre carreira, liderança e o papel das pessoas na construção de resultados . 

NOSSO MEIO | Sua carreira começou na psicologia, passou pelo empreendedorismo e percorreu grandes multinacionais em diferentes continentes. Quais aprendizados dessa jornada mais influenciaram sua forma de liderar hoje? 

Jonas Marques: A psicologia me ensinou algo que considero fundamental: entender pessoas antes de tentar liderá-las. O empreendedorismo trouxe a coragem para assumir riscos e construir caminhos novos. Já a experiência em multinacionais me mostrou o valor da disciplina, da diversidade de pensamento e da execução consistente. Mas talvez o maior aprendizado tenha sido perceber que, em qualquer lugar do mundo, resultados sustentáveis são construídos por pessoas que se sentem valorizadas, ouvidas e conectadas a um propósito. Por isso, acredito que liderança é criar ambientes onde as pessoas possam descobrir seu potencial e gerar impacto.

NOSSO MEIO | Você afirmou recentemente que o maior risco que as marcas e profissionais correm é não conseguir se conectar com as pessoas. Em um ambiente corporativo marcado pelo avanço da tecnologia, como manter essa conexão humana de forma genuína? 

Jonas Marques: A tecnologia evolui rapidamente, mas a necessidade humana de pertencimento, reconhecimento e cuidado continua a mesma. A conexão genuína nasce da escuta ativa, da presença e do interesse verdadeiro pelas pessoas. E isso a tecnologia não substitui.

Acredito que as melhores organizações usam a tecnologia para simplificar processos e ampliar o acesso, mas nunca para substituir relacionamentos. No fim das contas, somente o ser humano é capaz de entregar empatia, confiança e cuidado. 

NOSSO MEIO | O Nordeste vem ganhando protagonismo no consumo, na inovação e na consolidação de grandes empresas. Como um executivo cearense que construiu uma carreira global, quais oportunidades a região ainda não explorou e que podem impulsionar seu desenvolvimento nos próximos anos? 

Jonas Marques: O Nordeste já avançou muito, mas ainda tem espaço para ampliar sua relevância em inovação, tecnologia, economia verde e formação de talentos. Temos universidades fortes, uma população jovem e uma capacidade empreendedora impressionante. Acredito que podemos acelerar a criação de ecossistemas que conectem educação, tecnologia e negócios. Além disso, setores ligados à saúde, turismo sustentável e economia digital devem abrir oportunidades muito relevantes para a região.

NOSSO MEIO | Por outro lado, o que você considera que o Nordeste já está fazendo muito bem e tem sido decisivo para posicionar a região como referência no cenário econômico e empresarial? O que torna o Nordeste cada vez mais estratégico para o consumo e para os negócios? 

Jonas Marques: O Nordeste tem mostrado uma enorme capacidade de crescimento sustentável, impulsionado por uma população numerosa, por um mercado consumidor em expansão e por empresas que entendem profundamente as necessidades locais. Os nordestinos são muito resilientes, como o Mandacaru, cacto presente na nossa vegetação. Por isso, acho que podemos evoluir muito mais, estamos apenas começando. Quem conhece o Nordeste sabe que existe aqui uma combinação muito poderosa entre potencial econômico e capital humano, e isso torna a região, a cada dia, mais estratégica para investimentos e negócios.

NOSSO MEIO | Os resultados mais recentes da Pague Menos refletem uma estratégia baseada no fortalecimento da relação com clientes, na evolução da experiência em lojas e canais digitais e no avanço da agenda ESG. Na sua visão, quais foram as principais decisões de liderança que permitiram transformar essa estratégia em resultados concretos? 

Jonas Marques: A principal decisão foi colocar as pessoas no centro da estratégia. Antes de discutir indicadores, dedicamos tempo para ouvir colaboradores, clientes e parceiros. Investimos no fortalecimento da cultura, na valorização da linha de frente e na criação de um ambiente com mais protagonismo e segurança psicológica. Também buscamos integrar mais a experiência física e a digital, sempre com foco na jornada do cliente. Acredito que os resultados são consequência de uma cultura forte, de equipes engajadas e de uma execução disciplinada.

Uma referência interessante aqui é a incorporação da Extrafarma, pois esse processo de integração com a Pague Menos foi um aprendizado muito importante. Foi um movimento que exigiu escuta ativa, muito diálogo e alinhamento organizacional e cultural. Essa experiência reforçou minha convicção de que qualquer transformação empresarial deve começar pelas pessoas. Acredito que os números seguem os comportamentos, por isso tenho uma atenção especial em como as pessoas fazem as coisas, as atitudes. Na Pague Menos, não existe zona de conforto, procrastinação e complacência. Quem quer continuar no time tem que performar

NOSSO MEIO | Com 45 anos de história, impactando a vida de milhões de brasileiros, qual você acredita ser o principal papel da Pague Menos na construção de uma sociedade mais saudável, inclusiva e sustentável? 

Jonas Marques: Somos a maior rede de acesso do Brasil. Estamos presentes em todo o território brasileiro e atendemos à classe média expandida do nosso país. Oferecendo o melhor preço, construímos para um país mais saudável. 

Nosso papel vai muito além da venda de medicamentos. Somos uma empresa de saúde que entrega amor em cada cuidado. Temos a responsabilidade de ampliar o acesso à saúde, promover prevenção, oferecer orientação e contribuir para a qualidade de vida das pessoas. Também entendemos que uma empresa só cresce de forma sustentável quando gera valor para clientes, colaboradores, comunidades e acionistas. Esse equilíbrio é fundamental para construir um impacto positivo e duradouro.

NOSSO MEIO | Você passou sua carreira desenvolvendo pessoas e equipes de alta performance. O que diferencia um gestor de um líder capaz de inspirar e transformar carreiras? 

Jonas Marques: Tive o privilégio de liderar em três continentes: Europa, Oceania e América Latina. Posso dizer que apesar das diferentes origens e culturas, os seres humanos são mais similares que diversos. O principal ponto de interseção é a autoestima. Encontrei pessoas brilhantes e com alto potencial por onde andei, o problema é que elas não se enxergavam assim. Portanto, não é sobre nós, e sim sobre os outros. Líderes são espelhos de luz capazes de mostrar o brilho das pessoas, fazê-las acreditarem em si. A escuta é terapêutica e o ambiente tem que ser seguro para que eles possam atingir a melhor versão de si mesmos. Deixar claro que um time de alta performance exige força, resiliência e fé de todos. Não é fácil e muito menos confortável. Quem não quer, tem que deixar o time, pois aqui é como a Gestalt, onde o todo é maior que a soma das partes.

NOSSO MEIO | Piloto, mergulhador, apaixonado por esportes e pela natureza. De que forma essas experiências fora do ambiente corporativo influenciam suas decisões, sua capacidade de lidar com riscos e sua visão de liderança?

Jonas Marques: Sou neurodivergente. Logo cedo, percebi que era muito inquieto e hiperativo. Na época, o diagnóstico era escasso, mas certamente TDAH. Aproveitei meu pensamento acelerado e estrábico para aprender de tudo, experimentar vários esportes, voar, mergulhar, correr, conhecer lugares diferentes. E, de repente, tudo se conectou e foi potencializado. A percepção tem a ver com o nível de informação. Tudo isso ajuda a formar repertório, ter o que conversar porque você viveu, e ajuda principalmente na escuta das pessoas. Líderes tem que saber contar histórias. A aviação, mergulho, remo em mar aberto (quase todos os dias vejo o sol nascer no mar), tem muito em comum: disciplina, tomada de decisão e gestão de riscos. Acho que, por tudo isso, eu realmente nasci para trabalhar no varejo, com algo escrito com “v” de vida.