18ª Edição

Visão Executiva | Pessoas no centro da expansão

Por Redação

24/03/2026 12h00

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Em um setor historicamente associado à técnica, processos e produtividade, o Grupo Aço Cearense mostra que o crescimento sustentável passa, antes de tudo, pela cultura. À frente do RH, Breno Barros defende que entender de pessoas é tão estratégico quanto entender de mercado. Ele fala sobre transformação digital, liderança e autenticidade em um momento de expansão industrial e de novos tempos do trabalho.

NOSSO MEIO | Você atua no RH de uma das maiores empresas do setor siderúrgico do Brasil, com crescimento e expansão contínuos. Na sua visão, como o RH contribui para esse momento de transformação do Grupo Aço Cearense, entre expansão produtiva e foco nas pessoas?

Breno Barros: Um RH só contribui de fato quando entende de pessoas e do negócio. Esses dois pilares não são conflitantes e a consciência de ambos deve estar no centro da estratégia de crescimento. A cultura do Grupo Aço Cearense já nasceu com viés extremamente humanizado onde o respeito está presente em todas as nossas decisões. As ações do RH estão pautadas predominantemente no fortalecimento da nossa cultura (que aqui chamamos de “Nosso Jeito”) e na preparação das lideranças para um futuro cada vez mais colaborativo, rentável e tecnológico.

NOSSO MEIO | Recentemente a empresa tem investido forte em tecnologia, sistemas integrados e inovação operacional. Como você equilibra essa pressão por tecnologia com a necessidade de manter uma cultura humana e autêntica no dia a dia da equipe?

Breno Barros: Inovação e tecnologia fazem parte da nossa jornada há bastante tempo. É graças a estes investimentos que nos mantemos competitivos no mercado oferecendo produtos com qualidade e confiabilidade. Felizmente, as nossas equipes já compreendem os benefícios no dia a dia, aliviando a carga de trabalho com sistemas mais automatizados e confiáveis, e processos mais simples. Assim, podemos ter mais tempo de qualidade para planejar o nosso crescimento e entregar resultado.

NOSSO MEIO | O Grupo Aço Cearense também tem projetos importantes em sustentabilidade e responsabilidade social. Como esses projetos impactam a forma como vocês atraem e desenvolvem talentos?

Breno Barros: Nosso modelo de negócio já nasceu conectado à economia circular. A SINOBRAS, nossa siderúrgica localizada em Marabá/PA, é a maior recicladora de sucata metálica do Norte e Nordeste. No social, o Instituto Aço Cearense já beneficiou mais de 1 milhão de pessoas em projetos com as comunidades. Isso fortalece nossa marca empregadora e atrai profissionais que desejam trabalhar em uma empresa que pensa além do negócio. Para quem já está com a gente, estes projetos também estimulam o senso de pertencimento e ampliam oportunidades de desenvolvimento, como o Projeto Crescer, que capacita colaboradores e as comunidades onde atuamos, além do EducaAço, que desde 2014 formou mais de 500 pessoas no ensino básico.

NOSSO MEIO | O setor siderúrgico pode ser visto como tradicional e tecnicista. Na sua experiência, quais atitudes concretas de gestão de pessoas ajudam a humanizar esse ambiente sem abrir mão de resultados

Breno Barros: Tem uma frase do Simon Sinek que gosto bastante: “Se você não entende de pessoas, não entende de negócios.” Durante muito tempo, muitas organizações priorizaram exclusivamente resultados, sem perceber que, no caminho, estavam adoecendo pessoas e enfraquecendo o engajamento. Esse modelo pode até gerar ganhos no curto prazo, mas não se sustenta por muito tempo. As novas gerações não buscam apenas um emprego, buscam liderança inspiradora. Querem trabalhar com líderes justos, autênticos e que demonstrem, de forma genuína, cuidado com o bem-estar das suas equipes.

Temos, portanto, uma grande responsabilidade: fortalecer nossa cultura, romper tabus e construir ambientes mais saudáveis e sustentáveis. Para isso, contamos com um time de RH que trabalha diretamente nas áreas respirando o negócio e propondo soluções em conjunto com as lideranças.

NOSSO MEIO | O que significa, para você, “autenticidade” no ambiente de trabalho, especialmente em uma indústria que precisa de disciplina, produtividade e processos rígidos?

Breno Barros: Autenticidade é agir com transparência e coerência sem perder de vista o impacto que cada decisão gera. Procuramos viver nossos valores na prática, seja nas situações simples ou nas mais complexas. Opinar, sugerir ou criticar é muito bem-vindo desde que venha de forma respeitosa e com interesse para melhorar determinada situação. Este tipo de relação fortalece a confiança e cria um ambiente de segurança entre as equipes.

NOSSO MEIO | Com a adoção de ferramentas digitais e automação, de que forma o RH tem preparado os profissionais para lidar com essas mudanças sem perder a sensibilidade nas relações humanas?

Breno Barros: Estamos numa jornada intensa de transformação digital aqui no Grupo Aço Cearense. Ao desenharmos esse grande projeto, colocamos as pessoas no centro e buscamos antes de qualquer investimento capacitá-las tanto no entendimento técnico, como moldando nossa cultura de modo a levar a compreensão de que tecnologia nos mantém fortes, competitivos e atualizados com o que há de melhor em soluções no mercado. Hoje, temos colaboradores de diversas áreas que são nossos multiplicadores digitais, que nos apoiam a criar esta consciência de uma maneira leve, transparente e participativa.

NOSSO MEIO | O Grupo Aço Cearense tem uma liderança forte no Nordeste e no Brasil. Olhando para o futuro, como você vê o papel da cultura organizacional e dos valores humanos para apoiar esse crescimento sustentável?

Breno Barros: A cultura é nosso pilar de sustentação. O “Nosso Jeito” orienta como tomamos decisões, colaboramos e entregamos resultados, sempre com foco no cliente, nas pessoas e no impacto para o país. À medida em que expandimos nossas operações, manter uma cultura forte é o que garante velocidade, consistência e segurança. Crescer, para nós, sempre estará conectado a fazer o certo, gerar valor econômico e social, respeitar as pessoas e construir juntos. É isso que sustenta nossa competitividade no longo prazo.

NOSSO MEIO | Olhando para sua trajetória no RH e para as prioridades estratégicas da empresa, quais caminhos você sugere para líderes que querem cultivar autenticidade e humanidade em suas carreiras, mesmo em setores altamente tecnicistas?

Breno Barros: É importante ter a consciência de que não estamos lá por acaso e, como pessoas, somos únicos. Significa na prática que as empresas precisam que sejamos autênticos. Caso esta autenticidade não seja bem recebida em algum ambiente, provavelmente ali não é o seu lugar. Recomendo não renunciar aos valores pessoais, pois nosso caráter depende deles. Crie elos de confiança, escute para compreender e não para responder, fale de suas vulnerabilidades, não seja egocêntrico, dê feedbacks sinceros, mantenha-se atualizado e, acima de tudo, tenha em mente de que você colabora muito pouco se sua equipe não sentir inspiração em você. No mais, cultive sua felicidade e sua saúde.