Por Clara Laface, consultora em posicionamento de marca pessoal
Sete em cada dez brasileiros criam conteúdo digital para alavancar a carreira, segundo pesquisa da Flint e Galaxies. Não surpreende: construir autoridade e reputação são objetivos para quem pensa no próprio futuro profissional. E é nesse cenário que um novo personagem começa a surgir e gerar um certo burburinho: o GEO.
Sigla para designar Generative Engine Optimization, ele é considerado uma evolução do SEO. O objetivo é fazer com que uma marca ou profissional seja citado nas respostas geradas pelas IAs generativas. Será que ele é tão relevante assim para a construção de uma marca pessoal forte a ponto de ser citada também nessas ferramentas?
Vamos aos dados: uma pesquisa realizada pela plataforma de marketing digital Semrush, usando diversos assistentes de inteligência artificial, diz que 62% das citações de IA são, digamos, fantasmas. Ou seja, ela não menciona o nome do criador responsável por aquele conteúdo que usou como fonte. Outro dado interessante é que essas taxas de menção variam de acordo com o país. No Brasil, por exemplo, apenas 18% a 22% das fontes são mencionados pela IA.
Em outra pesquisa, também realizada pela Semrush, foram analisadas mais de 50 mil marcas, 220 mil domínios, 600 mil citações e 200 mil URLs, nesse caso somente no ChatGPT. Nessa análise, apenas 21% dos domínios mais citados em determinada categoria também eram a marca mais mencionada naquela categoria.
Resumo da ópera: o conteúdo compartilhado serve de fonte para as IAs, mas isso não significa necessariamente que a pessoa por trás da produção desse conteúdo terá seu nome compartilhado — inclusive, a propriedade intelectual é um dos temas mais debatidos quando falamos do presente e do futuro da inteligência artificial.
Devemos ignorar estratégias de GEO? Parar de produzir conteúdo? Longe disso. Eu defendo que o conteúdo compartilhado é uma forma de cada profissional ampliar o seu alcance para mostrar a sua visão de mundo, fomentar o pensamento analítico e transmitir o seu conhecimento sobre a sua área de atuação. O perigo está em acreditar que isso basta.
Muitos profissionais se preocupam mais em mostrar que são autoridade do que em trabalhar os pontos que os tornarão, de fato, uma autoridade. A imagem projetada no online pode desmoronar se a entrega desse profissional não corresponder às expectativas. A reputação que tanto buscou pode se esvair em segundos.
O desenvolvimento profissional continua sendo construído, em sua maior parte, no mundo real. Entrega, experiência, relacionamento, qualidade do trabalho, atendimento, presença no mercado, imprensa, indicação, networking, reconhecimento dos pares… nada disso desaparece porque agora as pessoas passaram a perguntar ao ChatGPT — ou para o “onipresente” Google.
O GEO entra como mais uma camada nessa construção. Estar bem posicionado nas respostas das IAs pode fortalecer uma autoridade já construída. Mas reputação continua dependendo da percepção que se tem da coerência entre discurso e comportamento. E essa percepção nenhuma ferramenta tecnológica consegue construir por você.
