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60% do TikTok já é dominado por conteúdo gerado por IA

Por Redação

24/06/2026 15h42

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Avanço dos vídeos sintéticos mostra como a inteligência artificial está transformando a produção de conteúdo

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para criadores e passou a ocupar um espaço cada vez maior dentro das próprias plataformas sociais. Um levantamento da Kapwing aponta que cerca de 60% dos vídeos mais visualizados no TikTok já apresentam algum nível de participação de IA em sua produção, revelando uma mudança profunda na forma como conteúdos são criados, distribuídos e consumidos.

O fenômeno acompanha o crescimento do chamado “AI slop”, termo usado para descrever conteúdos produzidos em grande escala com auxílio de inteligência artificial, muitas vezes feitos com o objetivo principal de alcançar visualizações, engajamento e monetização. Com ferramentas capazes de gerar imagens, vídeos, narrações e roteiros em poucos minutos, a barreira de entrada para produção de conteúdo caiu significativamente.

Na prática, a lógica da disputa por atenção nas redes sociais começa a mudar. Se antes criadores competiam principalmente por criatividade, tempo de produção e capacidade de acompanhar tendências, agora passam a disputar espaço com uma quantidade praticamente ilimitada de conteúdos produzidos por máquinas. Um único usuário pode gerar dezenas de versões de um mesmo vídeo, testar formatos diferentes e adaptar publicações em escala.

Esse novo cenário cria oportunidades e desafios para o mercado. Para marcas, a IA representa uma possibilidade de acelerar processos criativos, reduzir custos de produção e testar diferentes formatos de comunicação. Porém, o aumento do volume de conteúdos também traz uma nova preocupação: como se destacar em um ambiente onde cada vez mais publicações são criadas com os mesmos recursos tecnológicos?

Outro ponto de atenção está na relação de confiança entre plataformas e usuários. À medida que conteúdos artificiais se tornam mais sofisticados, fica mais difícil identificar o que foi produzido por uma pessoa, o que foi automatizado e quais informações realmente possuem origem confiável. Esse movimento pode afetar a percepção de autenticidade, um dos principais ativos das redes sociais.

Para criadores, a inteligência artificial também representa uma mudança de papel. Em vez de substituir completamente a criatividade humana, a tecnologia passa a funcionar como uma ferramenta de escala, capaz de acelerar etapas operacionais e ampliar possibilidades. O diferencial, nesse novo ambiente, tende a estar menos na capacidade de produzir mais e mais na habilidade de criar narrativas, interpretar comportamentos e construir conexão com o público.

A ascensão dos conteúdos gerados por IA também coloca os próprios algoritmos das plataformas diante de um novo desafio. Sistemas de recomendação foram desenvolvidos para distribuir conteúdos relevantes, mas agora precisam lidar com uma avalanche de materiais produzidos rapidamente e nem sempre com o mesmo nível de originalidade.

O TikTok, assim como outras redes, entra em uma fase em que a tecnologia amplia a capacidade de criação, mas também aumenta a necessidade de diferenciação. Em meio a um feed cada vez mais preenchido por conteúdos sintéticos, a atenção do público pode se tornar ainda mais disputada por aquilo que a inteligência artificial ainda não consegue replicar totalmente: conexão humana.