Mesmo hiperconectada desde o nascimento, geração nascida a partir de 2010 revela preferência por experiências presenciais e redesenha o equilíbrio entre online e offline no consumo
A ideia de que o futuro do varejo seria totalmente digital começa a perder força diante de um novo comportamento de consumo. A Geração Alpha, formada por nascidos a partir de 2010 e considerada a primeira totalmente imersa em smartphones, redes sociais e inteligência artificial, está demonstrando uma preferência inesperada em categorias como beleza e cuidados pessoais: a loja física continua sendo o principal ponto de decisão.
Estudos recentes indicam que cerca de 73% dessa geração prefere realizar compras em ambientes físicos, especialmente quando o assunto envolve fragrâncias, maquiagem, skincare e produtos de autocuidado. Mais do que uma rejeição ao digital, o movimento revela uma mudança de prioridade: a experiência passa a ter peso decisivo na jornada de compra.
Para esse público, o consumo não se limita à escolha de um produto. Testar texturas, sentir fragrâncias, receber recomendações personalizadas e interagir com o ambiente da loja se tornam etapas essenciais do processo. O ponto de venda deixa de ser apenas um espaço de transação e passa a funcionar como um território de descoberta e entretenimento.
Esse comportamento desafia uma das premissas mais fortes do varejo na última década, que previa a migração quase total das compras para o ambiente online. Em vez disso, o que se consolida é um consumidor híbrido: altamente digital na fase de pesquisa e descoberta, mas ainda bastante físico na hora da validação e decisão final.
A Geração Alpha cresce conectada a plataformas digitais, utiliza redes sociais e ferramentas de inteligência artificial para comparar produtos e acompanhar tendências, mas não abandona a experiência sensorial como parte do processo de consumo. Esse equilíbrio entre tecnologia e presença física redefine a lógica das jornadas de compra.
O movimento também pressiona o varejo a repensar o papel das lojas físicas. Mais do que pontos de venda, elas passam a ser espaços de experiência, com ambientações interativas, atendimento consultivo e ativações que estimulam engajamento. O desafio das marcas está em transformar o físico em um complemento estratégico do digital, e não em seu oposto.
À medida que novas gerações entram no centro do consumo, o varejo se vê diante de um cenário menos previsível e mais integrado. Em vez de escolher entre online ou offline, o consumidor mais jovem parece exigir os dois, ao mesmo tempo, em uma jornada que mistura conveniência digital e vivência presencial como partes de uma mesma experiência.
