Mercado

Abrasce lança manifesto e coloca inovação no centro da estratégia dos shopping centers

Por Redação

29/06/2026 10h21

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Encerramento do Congresso reuniu Carlos Jereissati, Marcos Carvalho, Rafael Sales e Emmanuelle Louza em painel dedicado ao legado e ao futuro do setor

Colocar a inovação no centro da estratégia de negócio, integrar os ambientes físico e digital em uma única experiência, transformar dados em inteligência e decisão, aplicar a inteligência artificial a serviço das pessoas e dos lojistas, converter desafios reais em soluções escaláveis e estimular uma cultura de experimentação, aprendizado e evolução. Esses são os seis compromissos assumidos pela Abrasce no manifesto apresentado durante o último dia do 19º Congresso Internacional de Shopping Centers, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo.

O documento estabelece uma agenda para o futuro do setor diante das mudanças no comportamento do consumidor, no varejo e na relação das pessoas com os espaços físicos. “O mundo mudou. O consumidor mudou. O varejo mudou. Nesse cenário, inovar deixou de ser uma escolha. Tornou se uma condição para continuar relevante”, afirmou Glauco Humai, presidente da Abrasce, Associação Brasileira de Shopping Centers.

As discussões realizadas ao longo do dia mostraram que a inovação ganha valor quando parte de uma compreensão mais profunda sobre as pessoas. Mais do que adotar tecnologias ou promover ações pontuais, os empreendimentos precisam reconhecer interesses, hábitos e vínculos que influenciam a relação do público com os espaços.

Nesse cenário, gerar fluxo representa o início da jornada. O desafio está em transformar a visita em relacionamento contínuo, apoiado por conteúdo, recorrência e conhecimento sobre os interesses do público.

Painel ‘Redefinindo performance e experiência nos shopping centers

A conexão entre experiência e comunidade foi abordada por Rodrigo Mathias, CEO da DC Set Group, e Pierre Mantovani, CEO da Omelete Company. A discussão mostrou que o entretenimento amplia sua contribuição quando deixa de ocupar uma função isolada na programação e passa a integrar a estratégia do empreendimento.

Para os shopping centers, essa visão representa a oportunidade de identificar paixões compartilhadas, fortalecer o vínculo com os frequentadores e manter o relacionamento ao longo do ano. Eventos e experiências podem atrair o público, mas o valor permanece na capacidade de gerar pertencimento e continuidade.

Painel ‘Cultura e Shopping como motor de tráfego

A cultura também apareceu como uma força capaz de orientar escolhas e comportamentos. Marcus Collins, professor da Ross School of Business, da Universidade de Michigan, defendeu que empresas compreendam os valores e as identidades das comunidades com as quais desejam se relacionar.

As decisões de consumo ultrapassam a utilidade de produtos e serviços. Marcas e espaços também são escolhidos como formas de expressão e identificação. Para o setor, isso significa que conhecer dados demográficos já não é suficiente. É preciso compreender crenças, códigos culturais e expectativas que aproximam as pessoas. Ao interpretar essas conexões, os shopping centers podem desenvolver experiências mais coerentes com o ambiente em que estão inseridos e ampliar sua relevância como lugares de convivência.

Entre as participações do último dia, Raí, fundador da Fundação Gol de Letra e tetracampeão mundial com a seleção brasileira em 1994, compartilhou aprendizados sobre inovação, liderança e reinvenção a partir de sua experiência no esporte. “Inovação exige preparo, aprendizado contínuo e capacidade de reunir competências diferentes em torno de um objetivo comum. A cada ciclo, a gente precisa se reinventar, investir na formação e sofisticar a inovação. Foi isso que aprendi no esporte e levei para o terceiro setor: reunir talentos diferentes, com competências complementares, e motivá-los em torno de um objetivo comum”, afirmou.

Painel ‘O legado que queremos deixar : impacto, propósito e visão de futuro

Na sequência, um dos principais momentos da programação reuniu quatro lideranças de referência da indústria de shopping centers no Brasil para discutir o legado construído pelo setor e as decisões que deverão orientar os próximos anos. Participaram do encontro Carlos Jereissati, conselheiro da Iguatemi, Marcos Carvalho, copresidente executivo da Ancar, Rafael Sales, CEO e presidente da ALLOS, e Emmanuelle Louza, CEO do Flamboyant Shopping e presidente do Conselho Deliberativo da Abrasce, responsável pela mediação.

A conversa mostrou que preservar o legado das empresas e dos pioneiros que ajudaram a consolidar o setor exige mais do que reconhecer as conquistas do passado. Também pressupõe manter a disposição para rever modelos, assumir riscos e responder às transformações da sociedade. “Precisamos olhar para a frente, manter a audácia e jamais nos acostumar com os modelos atuais. As coisas mudam e, muitas vezes, teremos de fazer o que nunca imaginamos fazer”, afirmou Jereissati.

O debate reforçou que o futuro do setor passa pela capacidade de servir melhor, apoiar os lojistas e manter os empreendimentos conectados às necessidades das cidades. A velocidade das mudanças exige escuta, experimentação e abertura para incorporar novas soluções à cultura das empresas.

Ao encerrar a programação, o Congresso mostrou que a evolução dos shopping centers será definida pela capacidade de compreender as comunidades, renovar experiências e permanecer presente na vida das pessoas. O manifesto apresentado pela Abrasce transforma essa visão em compromisso e reforça que o legado de uma indústria construída ao longo de seis décadas também será medido por sua disposição para continuar evoluindo.