A Amazon anunciou nesta quarta-feira (28) que passará a licenciar para outras empresas a tecnologia de inteligência artificial utilizada no “Alexa for Shopping”, sistema de compras conversacionais da companhia.
A primeira cliente confirmada é a marca de moda Kate Spade, que lançou um assistente virtual focado em recomendações de presentes.
A solução será oferecida por meio da Amazon Web Services (AWS) sob o nome “AWS Agentic Shopping Assistant”. Segundo a empresa, o pacote inclui a arquitetura, códigos-base e os aprendizados obtidos com o desenvolvimento interno do Alexa for Shopping. A proposta é permitir que varejistas criem seus próprios assistentes de compras personalizados em cerca de 60 dias.
O anúncio marca uma nova etapa da estratégia da Amazon de transformar tecnologias desenvolvidas internamente em serviços para terceiros, modelo já utilizado anteriormente com a própria AWS, além de soluções de logística e sistemas de checkout automatizado.
No caso da Kate Spade, o recurso foi implementado como um “AI Gift Concierge”, ferramenta que conversa com consumidores para sugerir produtos com base em ocasião, perfil da pessoa presenteada e preferências de estilo. De acordo com a Amazon, a tecnologia foi construída sobre o Amazon Bedrock AgentCore, plataforma de IA generativa da companhia.
A movimentação acontece poucas semanas após a Amazon reformular sua estratégia de IA para e-commerce. Em maio, a empresa descontinuou o chatbot Rufus como marca independente e incorporou suas funcionalidades ao Alexa+, relançado como “Alexa for Shopping”.
Segundo dados divulgados pela companhia, mais de 300 milhões de consumidores utilizaram o assistente de compras da Amazon em 2025. A empresa afirma que a ferramenta ajudou a gerar quase US$ 12 bilhões em vendas incrementalizadas no período.
Para o mercado de varejo digital, a iniciativa amplia a disputa pela liderança em compras mediadas por inteligência artificial. Empresas como Walmart, Google, OpenAI e Meta vêm acelerando investimentos em assistentes de compra, recomendação automatizada de produtos e experiências conversacionais dentro de aplicativos e marketplaces.
Na prática, o movimento permite que marcas tenham sistemas próprios de recomendação e atendimento com IA sem precisar desenvolver toda a infraestrutura do zero. Para a Amazon, isso representa uma nova fonte de receita para a AWS e amplia a presença da empresa em operações de varejo que vão além do próprio marketplace.
O anúncio também reforça uma estratégia já conhecida da companhia, que é desenvolver ferramentas para uso interno e, posteriormente, transformá-las em produtos comerciais para outras empresas. Foi esse modelo que impulsionou o crescimento da AWS, hoje uma das divisões mais lucrativas da Amazon.
