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Fortes Tecnologia leva Vivian Costa para discutir segurança psicológica e NR-1 no CearáRH 2026

Por Redação

29/10/2026 14h52

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A psicóloga Vivian Costa levou ao congresso uma reflexão sobre a NR-1, os riscos psicossociais e o equilíbrio entre confiança e responsabilidade dentro das organizações

Entre o que um profissional é capaz de entregar e o que ele de fato entrega existe uma variável que raramente aparece nos indicadores de desempenho. Foi a partir dessa ideia que a psicóloga Vivian Costa, especialista em desenvolvimento humano e organizações, conduziu a palestra “Segurança psicológica e performance: o que a NR1 nos ensina sobre pessoas, trabalho e resultados”, no CearáRH 2026, congresso promovido pela ABRH-CE no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. O conteúdo foi proporcionado ao público do congresso pela Fortes Tecnologia.

Logo no início, Vivian desmontou uma associação comum no mundo corporativo. “Competência não é sinônimo de contribuição”, afirmou. Para a psicóloga, avaliar o desempenho de alguém exige olhar também para o ambiente de trabalho e para a cultura em que essa pessoa está inserida, porque é ali que o talento encontra, ou não, condições de se transformar em entrega. “Entre o potencial e o resultado existe um elemento decisivo: o ambiente de trabalho.”

Nesse ponto, a palestrante chamou atenção para uma perda que não costuma entrar nas planilhas. “Existe um desperdício que é menos visível: o conhecimento que não circula.” Ideias que não são compartilhadas, dúvidas que não são levantadas e erros que não são comunicados a tempo representam um custo silencioso para as empresas, e quase sempre estão ligados à forma como as equipes se sentem diante de suas lideranças.

É justamente aí que entra o conceito central da palestra. “Uma cultura de segurança psicológica é ter segurança para falar, questionar e admitir erros. Essa segurança junto com uma responsabilidade para agir é o que precisamos desenvolver dentro das organizações para sustentar uma cultura de alta performance sustentável”, afirmou Vivian. Para tornar a ideia mais concreta, ela apresentou três combinações possíveis: segurança psicológica sem responsabilidade gera um ambiente de permissividade; responsabilidade sem segurança produz medo e silêncio; e a união das duas resulta em confiança, aprendizado e alta performance sustentável. A distinção ganhou síntese em outra frase da psicóloga: “Pressão não é o mesmo que opressão.”

O tema ganhou peso regulatório ao longo deste ano. Desde 26 de maio de 2026, fatores como o excesso de demandas, o assédio, a falta de autonomia e a baixa clareza de funções devem ser identificados, avaliados e controlados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), por força da atualização da NR-1. Nos 90 dias seguintes à vigência, a fiscalização observou o critério da dupla visita, de caráter orientativo; encerrado esse prazo, o descumprimento pode gerar auto de infração.

Para Vivian, porém, reduzir a norma a uma obrigação documental seria perder o essencial. “Riscos psicossociais é um tema de governança”, afirmou, reforçando que o assunto precisa chegar às instâncias de decisão das empresas, e não ficar restrito ao RH. “Gerenciar risco psicossocial não é olhar somente para quem está doente.” A provocação desloca o foco do adoecimento para a prevenção, e da ação pontual para a gestão contínua da cultura.

Ao encerrar, a psicóloga rebateu a ideia de que cuidar do ambiente de trabalho seria um custo que compete com a produtividade. “Falar sobre isso não se trata de escolher entre pessoas e resultados.”

Com o tema “Tecnologia conecta, pessoas transformam”, o CearáRH 2026 segue nesta sexta-feira (30) com palestras, painéis e a feira de negócios ExpoRH. A programação do segundo dia inclui a abertura com Michelle Schneider, a apresentação de cases vencedores do Prêmio Ser Humano Ceará 2026 e o encerramento com Max Petterson.